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Por Ricardo Lima
As exportações brasileiras de terras raras atingiram, no primeiro semestre de 2025, o maior valor da série histórica iniciada em 1997. Segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) com base na Secretaria de Comércio Exterior, os embarques somaram US$ 7,5 milhões entre janeiro e junho, dez vezes mais que no mesmo período de 2024. Reportagem apurada e publicada pelo Valor Econômico.
Apesar do avanço expressivo, o volume ainda é modesto diante do potencial do país, que detém a segunda maior reserva mundial desses minerais estratégicos, atrás apenas da China, mas responde por menos de 1% da produção global.
China domina destino das vendas
Do total exportado neste ano, US$ 6,7 milhões — quase 90% — tiveram como destino a China. O valor é três vezes maior que o registrado em 2024, quando o país asiático se tornou o principal comprador, superando a França, líder desde 2018.
Segundo Túlio Cariello, diretor do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o interesse chinês decorre da prioridade atribuída à transição energética no atual plano de desenvolvimento, já que as indústrias relacionadas a esse processo apresentam alta demanda por esse tipo de commodity. Ele observa ainda que a China busca, simultaneamente, atender parte dessa produção internamente e garantir fontes externas, em um contexto de maior rigor ambiental e disputas geopolíticas.
Mina em Goiás impulsiona produção
O Ministério de Minas e Energia (MME) atribui o salto nas exportações à entrada em operação de novos projetos, como o da empresa Serra Verde, em Minaçu (GO), especializada em argilas iônicas, ricas em elementos de terras raras. “A expectativa é que, nos próximos anos, o Brasil amplie significativamente sua produção e exportação”, afirmou a pasta em nota.
Julio Nery, diretor do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), aponta que novas minas passam por um período de adaptação de pelo menos seis meses antes de atingirem sua capacidade plena. Após essa fase, segundo ele, é possível eliminar gargalos e ampliar gradualmente a produção.
Potencial e desafios
Estudo do professor Fernando Landgraf, da Escola Politécnica da USP, aponta que, com a entrada de outros projetos, o Brasil poderia exportar mais de 20 mil toneladas por ano — cerca de 5% da produção global. Ele ressalta que a viabilidade depende do custo de concentração do minério e do teor de elementos mais valiosos, como o neodímio (US$ 50/kg) e o disprósio (US$ 300/kg).
O avanço também enfrenta barreiras de financiamento para pesquisa mineral. Nery destaca a importância do fundo criado pelo BNDES e pela Vale, com aporte estimado em até R$ 2 bilhões, para projetos de minerais estratégicos. Outro desafio é ampliar a industrialização interna, já que o país exporta principalmente concentrados e depende do exterior para etapas de refino e manufatura.












