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Por Redação
O avanço dos projetos Cabaçal e Santa Helena, no sudoeste de Mato Grosso, foi apresentado durante o Simexmin 2026 como um dos principais exemplos do potencial brasileiro para depósitos vulcanogênicos de sulfetos maciços (VMS) associados a ouro, cobre e zinco. A palestra foi conduzida por Antônio José de Almeida, que detalhou a evolução geológica, os trabalhos de exploração e os estudos econômicos desenvolvidos pela empresa.
Segundo o geólogo, os dados históricos produzidos nas décadas de 1970 e 1980, agora reinterpretados em conjunto com novas campanhas exploratórias, vêm revelando um potencial mineral ainda maior para a região. “Os dados históricos combinados com os trabalhos atuais estão mostrando coisas muito interessantes para o desenvolvimento e para a geração de novas descobertas”, afirmou.
Faixa Cabaçal reúne depósitos de classe mundial
Durante a apresentação, Antônio José explicou que os depósitos estão inseridos em um sistema paleoproterozoico associado ao Grupo Alto Jauru, composto por rochas metavulcanossedimentares deformadas. A mineralização ocorre principalmente em sulfetos maciços e disseminados, com predominância de pirita, além de calcopirita, esfalerita, galena e pirrotita.
O geólogo destacou que o distrito possui características comparáveis a importantes cinturões minerais internacionais, citando analogias com depósitos localizados no Canadá, Suécia e Estados Unidos.
“Cabaçal é um depósito gigante, em torno de 30 milhões de toneladas, extremamente interessante para o desenvolvimento da região”, declarou.
A companhia informou que os projetos Cabaçal e Santa Helena estão separados por aproximadamente dez quilômetros, abrindo espaço para a descoberta de novos corpos mineralizados intermediários. Outros alvos, como Sucuri e Chiquito, também estão em fase de desenvolvimento.
Reservas e produção reforçam potencial econômico
Os estudos apresentados durante o evento indicam reservas provadas e prováveis superiores a 42 milhões de toneladas. O depósito reúne teores de ouro, cobre e prata considerados economicamente atrativos, além de baixas concentrações de impurezas metalúrgicas.
De acordo com Antônio José, o fluxograma de processamento aponta recuperações elevadas, com cerca de 87% para ouro e 92% para cobre. O concentrado final deverá apresentar entre 25% e 30% de cobre.
“Nós não vamos gerar ácido dentro do processo”, afirmou o geólogo ao comentar os aspectos ambientais da planta.
A empresa também destacou que o projeto possui estudo preliminar econômico positivo e prevê payback estimado em 18 meses após o início da expansão operacional. A expectativa é concluir o estudo definitivo até setembro de 2026.
Exploração combina geofísica, geoquímica e drones
A apresentação enfatizou o uso intensivo de ferramentas geofísicas e geoquímicas para ampliar o entendimento do sistema mineralizado. Segundo Antônio José, a companhia opera com diversos métodos geofísicos próprios, incluindo polarização induzida, eletromagnetometria e levantamentos aerogeofísicos.
A empresa também vem utilizando drones equipados com sensores LiDAR e radiometria para produzir modelos de alta resolução do terreno.
Na parte geoquímica, os estudos vêm identificando assinaturas relacionadas à mineralização, incluindo enriquecimento em elementos como bismuto, manganês, magnésio, antimônio e molibdênio, além de zonas de empobrecimento em sódio.
“Hoje usamos muito essa assinatura geoquímica para definir zonas mineralizadas e direcionar novos fechamentos”, explicou.
Novos alvos ampliam perspectiva regional
Além do avanço em Cabaçal e Santa Helena, a companhia informou que possui cerca de 50 quilômetros adicionais de faixa mineralizada ainda pouco explorada. Entre os próximos passos estão campanhas nas faixas Araputanga e Jauru, consideradas prioritárias para futuras descobertas.
Durante a palestra, Antônio José ressaltou que a estratégia atual busca consolidar um distrito mineral completo, com múltiplos depósitos associados dentro do mesmo sistema vulcanogênico.
“A gente está bem posicionado financeiramente para avançar para a próxima etapa de desenvolvimento”, concluiu.













