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Por Redação
Durante palestra no SIMEXMIN 2026, o coordenador de pesquisa do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas, Carlos Roberto de Souza Filho, apresentou avanços no uso de imageamento hiperespectral aplicado à exploração mineral. A tecnologia permite identificar minerais e composições químicas à distância por meio da análise da interação da luz com diferentes materiais geológicos.
Segundo o pesquisador, a universidade acumula quase três décadas de atuação na área. “A gente tem uma longa tradição nessa área. A UNICAMP tem praticamente trinta anos fazendo isso, com certo pioneirismo em várias áreas”, afirmou. Ele destacou que atualmente o grupo reúne professores, pesquisadores e estudantes de pós-graduação dedicados ao desenvolvimento de metodologias voltadas ao mapeamento mineral em múltiplas escalas.
Sensores identificam minerais e elementos químicos
Na apresentação, Souza Filho explicou que a técnica utiliza comprimentos de onda entre o visível e o infravermelho termal para identificar assinaturas espectrais de minerais. O método detecta padrões de absorção relacionados a moléculas como hidroxilas, água e carbonatos, permitindo diferenciar minerais mesmo à distância.
“O primeiro produto que a gente gera dessas medidas são as curvas espectrais. Cada mineral possui sua assinatura principal”, explicou. Segundo ele, a evolução da resolução espacial dos sensores permitiu ampliar significativamente a capacidade de detecção remota de minerais, impulsionando o desenvolvimento de constelações de sensores hiperespectrais orbitais.
O pesquisador também destacou que a técnica não se limita à identificação mineralógica. Em alguns casos, é possível mapear variações químicas dentro de um mesmo mineral, criando vetores importantes para exploração de ouro, terras raras e lítio.
Aplicações em terras raras e lítio
Atendendo ao foco temático do evento, Souza Filho apresentou exemplos relacionados a depósitos de terras raras e lítio. Segundo ele, o imageamento hiperespectral permite construir bibliotecas espectrais capazes de identificar minerais associados a elementos estratégicos e até inferir níveis de pureza.

Imageamento permite construir bibliotecas espectrais capazes de identificar minerais associados a elementos estratégicos.
Entre os exemplos mostrados, o pesquisador citou estudos em depósitos ricos em argilas portadoras de terras raras e análises realizadas em Poços de Caldas, em parceria com empresas do setor mineral. “Nós conseguimos enxergar as terras raras e as argilas às quais elas estão associadas”, afirmou.
Outro destaque foi o uso de scanners hiperespectrais para análise automatizada de testemunhos de sondagem. Segundo Souza Filho, os equipamentos atuais conseguem realizar medições em intervalos milimétricos ao longo de centenas de metros de testemunhos, gerando milhares de espectros para modelagem mineralógica e geoquímica.
Nova geração de scanners amplia velocidade das análises
O pesquisador também apresentou uma nova geração de sensores capazes de operar do visível ao infravermelho termal, ampliando a capacidade de identificação de silicatos, carbonatos e minerais industriais.
De acordo com ele, a expectativa é instalar um sistema móvel em contêiner para aplicações em instituições públicas e empresas privadas. “Se bem desenvolvido e instalado, você pode medir até mil metros de testemunho por dia”, afirmou.
Souza Filho ressaltou que a principal vantagem da tecnologia é a rapidez na geração de informações mineralógicas sem necessidade imediata de análises laboratoriais convencionais. “Você consegue determinar a mineralogia rapidamente das amostras. Não precisa fazer uma análise química ou petrográfica primeiro”, disse.
Uso vai de minas a drones e satélites
Além da aplicação em testemunhos de sondagem, a palestra mostrou o uso de sensores embarcados em drones, equipamentos de campo e plataformas orbitais. Segundo o pesquisador, a integração entre imageamento espectral e análise espacial permite produzir mapas mineralógicos detalhados de minas, afloramentos e grandes áreas de exploração.
Ele destacou ainda que a tecnologia já vem sendo utilizada para identificar contaminantes em minas de ferro, mapear alterações hidrotermais associadas ao ouro e diferenciar minerais em depósitos complexos. “Você consegue ter uma avaliação mineralógica extremamente detalhada com uma velocidade impossível por métodos convencionais”, concluiu.












