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Por Redação
A Lithium Ionic mantém a expectativa de obter ainda em 2026 a licença ambiental necessária para iniciar a construção do projeto de lítio Bandeira, localizado no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, e continua projetando o início da produção entre o fim de 2027 e o começo de 2028. A atualização foi apresentada pelo CEO da companhia, Blake Hylands, durante apresentação a investidores nesta quinta-feira (23).
Segundo Hylands, a empresa aguarda, em breve, um retorno do processo de licenciamento ambiental que já está em andamento. “A nossa expectativa continua sendo obter a licença ainda neste ano”.
O executivo classificou como “sem precedentes” a velocidade de desenvolvimento do empreendimento, lembrando que as primeiras perfurações ocorreram apenas em 2022.
“Ir de um furo de descoberta em 2022 para estar produzindo no fim de 2027 ou início de 2028 é algo praticamente inédito na indústria.”
Projeto avança na engenharia e inicia compras de equipamentos
Hylands informou que a engenharia detalhada do projeto já ultrapassou 65% de conclusão — percentual que, segundo ele, já está ainda mais avançado desde a elaboração da apresentação.
A empresa também iniciou a contratação de equipamentos de longo prazo (“long lead items”), movimento considerado estratégico para acelerar o cronograma assim que o financiamento e as licenças forem concluídos.

Cronograma do projeto Bandeira indica as etapas concluídas desde a descoberta do depósito, em 2022, e prevê obtenção das licenças em 2026, seguida da construção da mina e do início da produção entre o fim de 2027 e o começo de 2028. Imagem: Lithium Ionic / Divulgação.
Segundo o CEO, a intenção é começar imediatamente a mobilização das obras de implantação da mina após a obtenção das autorizações.
Viabilidade econômica é reforçada
Durante a apresentação, Hylands voltou a destacar os indicadores econômicos divulgados no estudo de viabilidade do projeto Bandeira.
Segundo ele, o empreendimento prevê:
- Valor Presente Líquido (VPL) pós-impostos de aproximadamente US$ 1,5 bilhão;
- Taxa Interna de Retorno (TIR) superior a 60%;
- Vida útil estimada em cerca de 18,5 anos;
- Investimento inicial (capex) de aproximadamente US$ 191 milhões;
- Produção anual de 177 mil toneladas de concentrado de espodumênio.
O executivo afirmou ainda que, considerando os preços atuais do lítio — superiores aos utilizados no estudo de viabilidade — o projeto teria indicadores ainda mais robustos.
“Nos preços atuais, o projeto ultrapassa US$ 2 bilhões de VPL pós-impostos e apresenta uma TIR acima de 100%. É um projeto extraordinário em qualquer commodity.”
Empresa aposta em custos baixos para enfrentar volatilidade do mercado
Hylands defendeu que o principal diferencial do projeto Bandeira é o baixo custo operacional.
Segundo ele, o depósito utilizará apenas processamento por separação em meio denso (DMS), dispensando flotação química, o que reduz significativamente os custos de implantação e operação.
O CEO afirmou que a empresa utiliza como comparação as operações vizinhas, que atuam com depósitos semelhantes na mesma região.
“Somos um dos produtores de menor custo do mundo. Podemos comparar nossos números diretamente com operações vizinhas que produzem exatamente o mesmo tipo de minério.”
Segundo o executivo, mesmo em cenários de preços mais baixos para o lítio, o projeto permaneceria economicamente rentável.
Vale do Jequitinhonha é apontado como uma das principais fronteiras globais
Ao longo da apresentação, Hylands reforçou que Minas Gerais reúne características que favorecem novos investimentos em mineração de lítio.
Ele destacou infraestrutura logística, disponibilidade de energia hidrelétrica, mão de obra especializada e proximidade de operações já em produção.
Na avaliação do CEO, o Vale do Jequitinhonha deverá se consolidar como um dos principais polos mundiais de mineração de rocha dura.
“O Vale do Jequitinhonha está se tornando uma jurisdição comparável às maiores províncias produtoras do mundo. Os próximos cinco a dez anos serão extremamente importantes para essa região.”
Mercado deve entrar em novo ciclo, diz CEO
Hylands também afirmou acreditar que o mercado global de lítio já passou pela fase mais intensa da correção de preços.
Segundo ele, o crescimento da demanda por veículos elétricos, armazenamento de energia, inteligência artificial e robótica deverá sustentar uma nova fase de valorização do mineral.
Embora considere o preço atual do espodumênio “justo”, o executivo disse esperar novas altas ao longo dos próximos 12 a 18 meses.
“Não precisamos de preços extremamente elevados para gerar valor. Como produtor de baixo custo, nosso projeto continua altamente rentável mesmo nos níveis atuais.”
Financiamento e contrato de venda reduzem riscos, afirma empresa
O CEO afirmou ainda que a Lithium Ionic não identifica obstáculos relevantes para financiar a implantação da mina.
Segundo Hylands, a companhia mantém negociações avançadas com instituições financeiras e considera que o contrato de venda futura (offtake) firmado recentemente reduz significativamente os riscos do projeto.
O acordo prevê preço mínimo de US$ 1.000 por tonelada de concentrado, sem desconto em relação ao mercado, além de um pré-pagamento de US$ 20 milhões para apoiar o desenvolvimento do empreendimento.
“Nossos financiadores analisaram profundamente o projeto e não enxergam riscos relevantes para sua implementação.”














