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Previsibilidade e financiamento podem definir protagonismo do Brasil na corrida pelos minerais críticos

Fórum promovido pela Amcham Brasil reuniu executivos da PLS, Viridis Mining & Minerals, Aclara Resources e Atlas Lithium para discutir os desafios econômico-financeiros da mineração e para ampliar investimentos no setor.

5 de agosto de 2026
em Eventos
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Previsibilidade e financiamento podem definir protagonismo do Brasil na corrida pelos minerais críticos

Vice-presidente da PLS Brasil, Leandro Gobbo destacou que o Brasil construiu uma reputação internacional baseada na estabilidade institucional e na previsibilidade das regras, ativos que precisam ser preservados para manter a confiança dos investidores

Comente, compartilhe e deixe sua opinião nos comentários! Sua participação é essencial para enriquecer o debate

Por Redação

A corrida global por minerais críticos e terras raras colocou o Brasil no radar dos grandes investidores internacionais. No entanto, transformar o potencial geológico do país em novos empreendimentos depende de um fator decisivo: criar condições para que o capital enxergue segurança, previsibilidade e mecanismos adequados de financiamento.

Esse foi o consenso entre executivos que participaram do fórum promovido pela Amcham Brasil, em Belo Horizonte. O debate discutiu como o Brasil pode ampliar a atração de investimentos em um cenário marcado pela reorganização das cadeias globais de suprimentos, pela transição energética e pelo crescente interesse geopolítico por minerais estratégicos.

Estruturas de offtake, operações de equity, garantias para investidores, previsibilidade regulatória e o papel do mercado de capitais na viabilização de projetos minerais de maior risco, dominou as conversas.

PLS destaca vantagens competitivas do Brasil

O vice-presidente da PLS Brasil, Leandro Gobbo, explicou que o Projeto Colina, em Salinas (MG), possui uma dinâmica diferenciada por fazer parte de uma companhia global de grande porte, que vem ampliando sua atuação na cadeia de valor do lítio.

Segundo ele, a estratégia inclui investimentos em processamento intermediário de lítio na Austrália, iniciativa que representa um marco importante na verticalização da produção de materiais para baterias e fortalece a capacidade da empresa de capturar maior valor agregado ao longo da cadeia.

Gobbo destacou que a companhia conta com instrumentos financeiros já consolidados, como emissões de bonds no mercado norte-americano, linhas de crédito e uma posição de caixa confortável, fatores que reduzem a dependência de fontes tradicionais de financiamento. O conhecimento acumulado na produção de lítio de rocha dura também representa uma vantagem competitiva para o desenvolvimento do Projeto Colina.

Apesar dessa posição mais robusta, o executivo reconheceu que o principal gargalo para novos empreendimentos minerais no Brasil continua sendo a dificuldade de oferecer garantias suficientes durante as fases iniciais dos projetos, etapa considerada de maior risco pelos investidores.

Na avaliação de Gobbo, o Brasil reúne atributos relevantes para competir globalmente, como custos operacionais competitivos, como disponibilidade de energia a preços razoáveis, conhecimento geológico e um ambiente institucional reconhecido pela estabilidade. A infraestrutura logística ainda demanda avanços, mas, segundo ele, a previsibilidade regulatória permanece como um dos principais fatores para atrair capital internacional.

O executivo também chamou atenção para a necessidade de o país desenvolver instrumentos financeiros voltados especificamente para a mineração, semelhantes aos existentes em mercados como Austrália e Canadá.

“Ter capital brasileiro financiando mineração seria positivo. É um investidor que conhece o país, entende os riscos e poderia acelerar o desenvolvimento dos projetos”

Leandro Gobbo – PLS

“Ter capital brasileiro financiando mineração seria positivo. É um investidor que conhece o país, entende os riscos e poderia acelerar o desenvolvimento dos projetos”, afirmou, destacando que o investidor nacional ainda não entender como participar de projetos de mineração.

Ao comentar o Projeto de Lei nº 2.780, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e tramita no Senado, Gobbo defendeu cautela em eventuais mudanças legislativas.

Segundo ele, o Brasil construiu uma reputação internacional baseada na estabilidade institucional e na previsibilidade das regras, ativos que precisam ser preservados para manter a confiança dos investidores.

Competitividade depende de preservar um ambiente estável para que o capital entre no país e tenha segurança para sair quando necessário, diz Klaus Petersen Viridis Mining & Minerals.

Mercado internacional financia risco das empresas juniores

Para o Country Manager da Viridis Mining & Minerals, Klaus Petersen, empresas em estágio inicial enfrentam uma realidade bastante diferente das grandes produtoras.

Segundo ele, como companhias juniores ainda não possuem fluxo de caixa robusto, dependem do mercado de capitais para financiar campanhas de pesquisa e desenvolvimento, recorrendo principalmente às bolsas da Austrália e do Canadá, onde investidores possuem maior apetite para projetos minerais de alto risco.

Petersen afirmou que o sucesso da PLS demonstra que investidores internacionais reconhecem tanto o potencial geológico brasileiro quanto a qualidade técnica dos profissionais envolvidos nos projetos.

No caso da Viridis, ele explicou que uma das alternativas encontradas para financiar o Projeto Colossus, em Poços de Caldas (MG), foi estruturar contratos de off-take, de parte da futura produção de terras raras para refinarias localizadas na Europa. Além de garantir recursos para o desenvolvimento do empreendimento, a estratégia fortalece as cadeias ocidentais

Mesmo assim, Petersen ressaltou que o ambiente regulatório continua sendo determinante.

“A competitividade depende de preservar um ambiente estável para que o capital entre no país e tenha segurança para sair quando necessário.”

Capital existe, mas precisa encontrar um ambiente favorável

O Country Manager da Aclara Resources, Murilo Gomes, afirmou que o Brasil possui ativos minerais de qualidade, uma base institucional sólida e condições competitivas relevantes para receber investimentos.

Segundo ele, o maior desafio não está na disponibilidade de recursos financeiros, mas na criação de condições para que investidores aceitem com maior conforto os riscos inerentes aos projetos minerais, especialmente nas etapas iniciais de desenvolvimento.

Off-take impulsiona novos investimentos

o CFO da Atlas Lithium, Tiago Miranda resumiu a importância dos contratos comerciais para o financiamento dos projetos de mineração.

“Off-take é o que comanda o nosso financiamento. Se você tem o off-take, você tem o dinheiro.”

A declaração reforçou uma das principais conclusões do painel: em um ambiente cada vez mais competitivo, contratos de fornecimento de longo prazo tornaram-se instrumentos fundamentais para destravar investimentos e reduzir riscos financeiros.

Ambiente competitivo será decisivo

Os executivos têm uma avaliação comum: o Brasil reúne alguns dos melhores ativos minerais do mundo e vive uma oportunidade histórica de consolidar sua posição nas cadeias globais de minerais críticos.

No entanto para transformar esse potencial em investimentos e produção, porém, será necessário combinar estabilidade regulatória, novos instrumentos financeiros, fortalecimento do mercado de capitais e mecanismos capazes de reduzir o risco percebido pelos investidores.

Em um cenário de crescente demanda por minerais estratégicos para a transição energética, os executivos defenderam que o país avance na construção de um ambiente de negócios competitivo, capaz de acelerar projetos e posicionar o Brasil entre os principais fornecedores globais de minerais críticos e terras raras.

Essa discussão ganha ainda mais relevância diante do estudo inédito da Amcham Brasil, apresentado durante o encontro, que estima que a expansão dos investimentos em minerais críticos e terras raras poderá adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) e gerar 750 mil novos empregos até 2050, caso o país avance na atração de investimentos e no processamento desses minerais em território nacional.

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