Por Redação
A canadense Atlantico Energy Metals identificou 12 áreas com potencial para terras raras no projeto Novo Cruzeiro, localizado no Vale do Lítio, no nordeste de Minas Gerais. O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (21), também apontou indicadores de gálio e lítio na área. Informações segundo a CNN.
Os resultados são preliminares. O projeto está em fase inicial de exploração, ainda não possui estimativas de recursos ou reservas minerais e depende de novos estudos para determinar a continuidade das mineralizações e sua eventual viabilidade econômica.
A Atlantico controla mais de 243 quilômetros quadrados de direitos minerários contíguos na região. A definição dos 12 alvos foi feita a partir da integração de dados de análises geoquímicas, mapeamento geológico, imagens de satélite e levantamentos geofísicos realizados até março deste ano.
O trabalho considerou 345 amostras coletadas em duas etapas, sendo 231 na avaliação inicial e 114 em trabalhos posteriores. A análise integrada desses dados permitiu delimitar as áreas consideradas prioritárias para novas investigações.
Terras raras
Segundo a companhia, os alvos de terras raras apresentam indicadores de neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Os quatro elementos são utilizados na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, empregados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs industriais e sistemas aeroespaciais e de defesa.
Uma amostra de sedimento de drenagem coletada na porção nordeste do projeto apresentou concentração calculada de 1.427 partes por milhão (ppm) de óxidos totais de terras raras. Desse total, 284 ppm correspondem aos óxidos de neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
Os dados, porém, não representam necessariamente os teores presentes nas rochas que poderiam ser exploradas. Como as amostras foram coletadas na superfície, a empresa ainda precisa determinar a origem da mineralização, sua continuidade em profundidade e a possibilidade de recuperação dos elementos.
Gálio e lítio
Na região de Rio Bravo, na porção oeste do projeto, a Atlantico também identificou indicadores de gálio. O mineral é utilizado na fabricação de semicondutores e componentes eletrônicos empregados em radares, sistemas de comunicação, satélites e equipamentos de alta eficiência energética.
A companhia cita dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) segundo os quais a China respondeu por aproximadamente 99% da produção primária mundial de gálio de baixa pureza em 2025.
A presença do elemento nas amostras, contudo, não comprova a existência de uma jazida economicamente aproveitável. A Atlantico ainda terá de identificar os minerais que concentram o gálio e avaliar a possibilidade de extraí-lo.
Para o lítio, a empresa delimitou um alvo na porção sul de Novo Cruzeiro a partir da combinação de indicadores geoquímicos com uma anomalia magnética de aproximadamente cinco quilômetros de extensão.
Uma amostra de pegmatito alterado apresentou 108 ppm de lítio, além de indicadores de césio e rubídio, elementos que podem auxiliar na identificação de sistemas geológicos associados ao mineral. A própria companhia classificou os resultados como modestos.
Próximas etapas
O relatório recomenda a realização de mapeamento geológico detalhado, ampliação da amostragem e investigações sobre as rochas e os processos de alteração associados aos alvos.
Os trabalhos deverão verificar se as concentrações identificadas na superfície se mantêm em profundidade e se há condições para uma futura definição de recursos minerais.
Até o momento, a Atlantico não informou cronograma para eventuais perfurações, investimentos necessários ou previsão de produção comercial.
A definição dos 12 alvos amplia as áreas prioritárias de investigação no projeto Novo Cruzeiro, mas ainda serão necessários estudos adicionais para determinar se as ocorrências identificadas poderão evoluir para projetos de mineração.














