Por Ricardo Lima
O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que o principal potencial de geração de valor da companhia está no desenvolvimento de ativos que já integram seu portfólio, especialmente os projetos de cobre em Carajás, no Pará. Segundo o executivo, a empresa pretende avançar simultaneamente no crescimento do minério de ferro e na expansão dos metais de transição.
“Eu acho que hoje, o nosso potencial de destravamento de valor está no investimento daquilo que a gente já tem escala, tem projeto e consegue alocar capital relevante”, disse Pimenta durante o Leader Talks, do Itaú BBA.
Cobre concentra potencial de expansão
Pimenta destacou o cobre como uma das principais oportunidades de crescimento da Vale nos próximos anos. Segundo ele, a companhia pode chegar a 700 mil toneladas anuais de cobre.
“Se a gente conseguir levar a companhia a 700 mil toneladas de cobre, você vai ter um Ebitda bastante relevante”, afirmou. O executivo ressaltou que os projetos em Carajás apresentam vantagens por estarem em uma região onde a Vale possui infraestrutura e experiência operacional.
Para Pimenta, o desenvolvimento orgânico também reduz riscos em relação a aquisições. Ele afirmou que projetos de cobre podem apresentar taxas de retorno de 20% ou mais e que a companhia prefere utilizar seu próprio capital em ativos nos quais já possui conhecimento e infraestrutura.
Licenciamento é principal desafio
O executivo apontou o licenciamento ambiental como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento de novos projetos de mineração. Segundo Pimenta, a dificuldade é global e os processos têm levado mais tempo, enquanto novos projetos de cobre exigem mais de dez anos entre exploração e entrada em operação.
“Se eu tivesse que listar um que não é um tema só de Brasil, é global, é o licenciamento”, disse. Para ele, projetos com bons padrões ambientais e sociais devem ser tratados como aliados da preservação e da manutenção da licença para operar.
Pimenta também destacou a infraestrutura já existente da Vale como uma vantagem competitiva. Segundo o CEO, a presença de ferrovias, portos e outras estruturas reduz a intensidade de capital necessária para desenvolver novos projetos.
Vale mantém perspectiva positiva para minério de ferro
Pimenta afirmou que a Vale continua otimista com o minério de ferro, apesar da perspectiva de estabilização e eventual redução gradual da demanda chinesa e da entrada de novos concorrentes globais, como a mina de Simandou, na Guiné. Segundo o executivo, novos mercados, como a Índia, além do Sudeste Asiático e da Europa, podem contribuir para sustentar a demanda. Ele citou o crescimento populacional, a descarbonização e a regionalização das cadeias produtivas como fatores que devem manter o mercado global aquecido.
A empresa estima crescimento anual da demanda por minério de ferro entre 1% e 2%, enquanto o executivo chamou atenção para o envelhecimento da base de ativos da indústria e para a perda de qualidade dos minérios. Nesse cenário, produtos de maior teor podem receber prêmios maiores.
“Então, a gente segue otimista e construtivo no médio e longo prazo, porque achamos que o nosso produto vai ser cada vez mais demandado”, afirmou.
Crescimento com disciplina de capital
Pimenta também destacou a estratégia de combinar investimentos em crescimento com remuneração aos acionistas. Segundo ele, a Vale trabalha atualmente com um capex anual de cerca de US$ 6 bilhões e mantém distribuição de caixa por meio de dividendos e recompra de ações.
Para o executivo, a baixa intensidade de capital da companhia permite financiar novos projetos sem abandonar a geração de retorno aos acionistas. “Conseguimos entregar crescimento ao mesmo tempo que entregamos retorno para o acionista”, disse.
Ao resumir a estratégia da companhia, Pimenta apontou três frentes prioritárias: portfólio, cultura e reputação. Na avaliação do CEO, a retomada do protagonismo da Vale passa pela expansão dos negócios, pela evolução da cultura corporativa e pelo fortalecimento da reputação da empresa e da indústria de mineração.
Assista a entrevista completa abaixo:













