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Por Redação
A PLS inaugurou a primeira planta australiana de processamento intermediário (mid-stream) de lítio instalada em uma mina, localizada na operação de Pilgangoora, no estado da Austrália Ocidental. O empreendimento marca um avanço na estratégia da companhia de ampliar sua participação na cadeia de valor dos materiais para baterias, processando o minério localmente antes da exportação.
A unidade, denominada Mid-Stream Demonstration Plant, utiliza tecnologia de calcinação elétrica aplicada pela primeira vez ao processamento primário de lítio. A planta transformará concentrado de espodumênio em fosfato de lítio, produto intermediário utilizado na fabricação de baterias de íons de lítio. O projeto entrou na fase de comissionamento e validação operacional, com previsão de produzir os primeiros volumes comerciais no terceiro trimestre de 2026.
Com capacidade projetada para processar cerca de 27 mil toneladas anuais de concentrado de espodumênio proveniente de Pilgangoora, a planta deverá produzir aproximadamente 3 mil toneladas de fosfato de lítio por ano quando atingir plena operação.
Segundo a PLS, a produção do material intermediário diretamente na mina permitirá reduzir o volume de minério exportado para processamento no exterior, incentivando a geração de empregos, investimentos e o desenvolvimento da indústria de transformação na Austrália Ocidental.
A construção da unidade gerou mais de 100 empregos, enquanto a operação deverá criar cerca de 40 postos permanentes. A empresa afirma que esse número poderá aumentar caso a tecnologia seja expandida comercialmente.
O diretor-presidente da PLS, Dale Henderson, classificou a inauguração como um marco estratégico para a companhia.
“Hoje marca a conclusão de anos de desenvolvimento, construção e colaboração, além do início da próxima fase do projeto”, afirmou.
Segundo o executivo, embora a Austrália esteja entre os maiores produtores mundiais de lítio de rocha dura, a maior parte do concentrado ainda é exportada para processamento em outros países.
“A Planta de Demonstração Mid-Stream foi desenvolvida para testar se é possível capturar maior valor na origem do recurso, produzindo um produto de lítio de maior valor agregado diretamente na mina”, disse Henderson.
Ele acrescentou que a conclusão da construção desloca o foco da empresa para a validação técnica e comercial da tecnologia.
“Se a tecnologia apresentar o desempenho esperado e o produto for bem recebido pelo mercado, isso criará uma opção estratégica relevante para a PLS.”
A cerimônia de inauguração contou com a participação do primeiro-ministro da Austrália Ocidental, Roger Cook, que destacou o potencial do projeto para diversificar a economia regional.
“Esta planta de demonstração representa exatamente o que o plano Made in WA busca promover”, declarou.
“Ao apoiar projetos que geram empregos, diversificam a economia e contribuem para a descarbonização, estamos fortalecendo o caminho da Austrália Ocidental para se tornar uma potência em energia renovável e manufatura.”
Apoio governamental
O projeto recebeu apoio financeiro dos governos australiano e da Austrália Ocidental, refletindo seu potencial de contribuir para a redução de emissões e para a agregação de valor aos minerais críticos produzidos no país.
Entre os aportes estão até US$ 38,1 milhões em recursos da Agência Australiana de Energia Renovável (ARENA) para apoiar os custos operacionais durante a fase de validação. A construção também recebeu US$ 20 milhões da iniciativa federal Modern Manufacturing Initiative e US$ 15 milhões do Investment Attraction Fund, do governo estadual.
Tecnologia e sustentabilidade
A planta utiliza tecnologia de calcinação elétrica instantânea desenvolvida pela empresa australiana Calix Limited. De acordo com a PLS, quando alimentado por eletricidade de fontes renováveis, o processo elimina o uso de combustíveis fósseis na etapa tradicional de calcinação do lítio de rocha dura, contribuindo para reduzir a intensidade das emissões associadas à produção.
A operação será abastecida pelo sistema energético integrado de Pilgangoora, que combina geração solar, armazenamento em baterias e geração a gás natural.
O fosfato de lítio produzido durante as fases de comissionamento e ramp-up será fornecido à empresa chinesa Ningbo Ronbay New Energy Technology, fabricante global de materiais catódicos para baterias, por meio de um contrato de fornecimento já existente.
A PLS informou que o programa de validação seguirá ao longo do ano fiscal de 2027 e avaliará desempenho operacional, qualidade do produto, eficiência do processo, potencial de redução de emissões e aceitação do mercado, fatores que orientarão futuras decisões sobre a expansão comercial da tecnologia.












