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Por Ricardo Lima
A Oceana Metals, da Austrália, anunciou a aquisição de 100% da Songeo Mineração, empresa detentora do projeto Serra Negra, de terras raras e nióbio, em Minas Gerais. Segundo a companhia, a transação prevê pagamento inicial de US$ 2,95 milhões em dinheiro, além da emissão de 20 milhões de ações da Oceana, ao preço considerado de A$ 0,36 por papel.
De acordo com a empresa, o negócio também inclui pagamentos adicionais condicionados ao avanço do projeto, incluindo US$ 750 mil após a divulgação de um recurso mineral inicial no padrão australiano JORC e mais US$ 1,5 milhão caso seja delimitado e anunciado um recurso de ao menos 100 milhões de toneladas com teor de 4% de óxidos totais de terras raras, ou equivalente. Os vendedores ainda terão direito a royalty de 2,5% sobre commodities produzidas na área.
O ativo está localizado na província ígnea do Alto Paranaíba, região conhecida pela concentração de complexos carbonatíticos e por abrigar distritos minerais consolidados como Araxá, Catalão e Tapira. A tese da Oceana é que Serra Negra pode se beneficiar da proximidade com essas áreas, que concentram operações relevantes de minerais críticos no país.
Na região de Araxá, por exemplo, está a principal operação global de nióbio da CBMM, além de projetos de terras raras e nióbio em desenvolvimento, como o da St George Mining. Segundo a mineradora, Serra Negra está a cerca de 20 quilômetros de Patrocínio, com acesso a ferrovia, rodovias, energia, água, mão de obra e serviços.
A companhia afirma que campanhas antigas de sondagem indicaram mineralização relevante de terras raras. Em um dos furos históricos citados pela empresa, 17 amostras apresentaram teor médio de 3,4% de elementos de terras raras, com resultados variando entre 0,39% e 8,4%. Em outro furo, cinco amostras registraram média de 4,4%.
Apesar dos indicativos iniciais, o projeto ainda está em estágio preliminar. Serra Negra não possui recurso mineral declarado, e a própria empresa ressalta que não há garantia de que conseguirá reportar uma estimativa no futuro. Os dados divulgados até agora se baseiam em amostragens históricas, que ainda precisarão ser confirmadas por novas campanhas e estudos técnicos.
Além das terras raras, a Oceana afirma ter identificado um alvo emergente de nióbio, com resultados pontuais superiores a 1% de Nb₂O₅ em amostras de furos antigos. Segundo a apresentação corporativa, a mineralização de nióbio ocorre em unidades de carbonatito próximas às zonas principais de terras raras.
O plano inicial da companhia prevê reanálise e reamostragem de cerca de 8 mil metros de sondagens históricas, até 20 mil metros de novas perfurações, levantamentos geofísicos e testes metalúrgicos. O objetivo, segundo a empresa, é validar os resultados antigos, definir a continuidade das zonas mineralizadas e avançar para uma estimativa inicial de recurso.
Para transformar Serra Negra em operação, a mineradora ainda precisará comprovar escala e teor da mineralização, concluir estudos metalúrgicos, avaliar a viabilidade econômica, obter licenças ambientais e garantir financiamento para desenvolvimento.
A aquisição ocorre em meio ao aumento do interesse internacional por projetos brasileiros de terras raras. O movimento ganhou força após a compra da Serra Verde pela USA Rare Earth, operação vista por agentes do mercado como nova referência de valor para ativos de terras raras fora da China.
Segundo a Oceana, o ambiente brasileiro também conta com apoio governamental crescente. A empresa cita chamada estratégica Finep-BNDES para minerais críticos, com 124 propostas e potencial estimado de US$ 15 bilhões em investimentos, além de quase US$ 1 bilhão em recursos federais planejados para mineração, refino e produção de ímãs de terras raras.












