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Home Lithium Business 2026

Lithium Ionic defende diálogo e participação comunitária como pilares do Projeto Bandeira no Vale do Jequitinhonha

Companhia afirma que gestão social e ambiental começou ainda na fase de licenciamento e destaca consulta a comunidade quilombola, monitoramento ambiental em tempo real e qualificação de mão de obra local como estratégias para garantir a "licença social" do empreendimento.

15 de julho de 2026
em Lithium Business 2026
0
Lithium Ionic defende diálogo e participação comunitária como pilares do Projeto Bandeira no Vale do Jequitinhonha

Foto: Jefferson Ryan Costa Alves.

Especial Lithium Business 2026

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Por Redação

A gestão social e ambiental do Projeto Bandeira, da Lithium Ionic, foi apresentada como um dos principais eixos estratégicos do empreendimento durante o Lithium Business 2026, realizado nesta quinta-feira (9), em Salinas (MG). Em fase  de  implantação e de licenciamento ambiental, o projeto, localizado entre Araçuai e Itinga, no Vale do Jequitinhonha, tem estruturado ações voltadas ao relacionamento com comunidades, transparência, monitoramento ambiental e desenvolvimento local antes mesmo do início das operações.

Durante a apresentação, os gerentes de Relações Comunitárias e Sociais, André Vasconcelos, e de Meio Ambiente, Paulo Henrique Lima, defenderam que a mineração contemporânea exige planejamento integrado entre engenharia, meio ambiente e responsabilidade social.

Gestão social acompanha o amadurecimento do projeto

Segundo André Vasconcelos, a atuação social não pode começar apenas quando a mina entra em operação, mas deve acompanhar todas as etapas de desenvolvimento do projeto.

“O amadurecimento da área social acompanha o amadurecimento do projeto. Hoje ela começa cada vez mais cedo, desde a fase de pesquisa mineral e do licenciamento”, afirmou.

Com quase três décadas de atuação em projetos minerários no Brasil e no exterior, o gerente criticou uma visão antiga do setor segundo a qual haveria uma “fase de lua de mel” entre empresa e comunidade antes da implantação da mina.

“O casamento começa na hora em que a gente chega. Quando sentamos com a comunidade no início do projeto, já assumimos compromissos. E, se esses compromissos não forem cumpridos, esse relacionamento fracassa.”

Pressão por transparência mudou a mineração

Para Vasconcelos, o cenário atual é completamente diferente  das décadas passadas. Segundo ele, fatores sociais e ambientais passaram a influenciar diretamente o valor dos empreendimentos.

“As questões socioambientais influenciam cada vez mais a geração de valor dos negócios. Se isso não for tratado desde a concepção do projeto, podemos destruir valor tanto para os acionistas quanto para a sociedade.”

O gerente destacou que o acesso à informação tornou as comunidades mais preparadas para discutir projetos minerários.

“Não existe mais espaço para chegar a uma comunidade imaginando que ela está desinformada. Hoje o diálogo é técnico, qualificado e exige coerência entre discurso e prática.”

André Vasconcelos – Lithium Ionic

Ele também alertou para os riscos de práticas de greenwashing, ressaltando que a credibilidade das empresas depende da transparência em todas as etapas do projeto.

Desenvolvimento local deve começar antes da operação

Outro ponto defendido foi a necessidade de preparar previamente trabalhadores e fornecedores locais.

André Vasconcelos. Foto: Jefferson Ryan Costa Alves.

Segundo Vasconcelos, a empresa pretende investir na qualificação profissional e empresarial para ampliar a participação da região nas futuras oportunidades geradas pela mineração.

“Não basta dizer que só vai contratar mão de obra qualificada ou fornecedores preparados. A empresa precisa participar desse processo de qualificação desde o início.”

Ele acrescentou que fortalecer fornecedores e trabalhadores locais também representa ganhos econômicos para o próprio empreendimento.

“Isso é geração de valor compartilhado. É mais eficiente contratar pessoas e empresas da própria região, desde que elas sejam preparadas para isso.”

Consulta à comunidade quilombola entra na fase final

Grande parte da apresentação foi dedicada ao processo de Consulta Livre, Prévia e Informada junto à comunidade quilombola do Baú, localizada na área de influência do Projeto Bandeira.

Segundo Vasconcelos, o processo teve início em novembro de 2025, seguindo as diretrizes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Incra.

Após a aprovação do plano de trabalho pela comunidade, foram realizados estudos sobre impactos sociais e ambientais percebidos pelos moradores, oficinas participativas e a construção do Plano Básico Ambiental Quilombola (PBAQ).

Ao todo, foram identificadas 16 percepções de impactos socioambientais e elaborados cinco programas compostos por 35 projetos voltados à mitigação e compensação dos impactos.

O gerente destacou que o processo vai além de uma exigência legal.

“Fazemos isso porque acreditamos que é o caminho certo. Não é uma obrigação burocrática. É um processo que será construído durante toda a vida útil do projeto.”

Segundo ele, um dos momentos mais marcantes ocorreu durante o diálogo com lideranças da comunidade.

“Uma liderança nos disse: ‘Quando vocês nos consultam, mostram que nós somos importantes’. Isso demonstra o quanto o respeito e o diálogo fazem diferença.”

Processo mobilizou centenas de pessoas

De acordo com a empresa, a consulta envolveu:

  • mais de 3.800 horas de trabalho da consultoria especializada;
  • cerca de 900 horas da equipe técnica da Lithium Ionic;
  • 39 encontros realizados;
  • mais de 400 horas de atividades diretamente com a comunidade;
  • aproximadamente 700 pessoas mobilizadas;
  • participação de 26 profissionais.

A expectativa é que, após manifestação do Incra, seja realizada a reunião final de validação do processo, permitindo o avanço do licenciamento ambiental.

Jovens da comunidade devem acompanhar monitoramento ambiental

Entre as medidas previstas no Plano Básico Ambiental Quilombola está a capacitação de jovens da comunidade para acompanhar o monitoramento ambiental da futura mina.

Segundo Vasconcelos, eles poderão acompanhar indicadores como ruído, poeira e vibração.

“Queremos que a comunidade acompanhe o monitoramento ambiental conosco. Não temos receio da transparência. Se errarmos, precisamos corrigir rapidamente.”

Gestão ambiental aposta em tecnologia e monitoramento em tempo real

Na sequência da apresentação, o gerente de Meio Ambiente, Paulo Henrique Lima, detalhou como será estruturada a gestão ambiental do Projeto Bandeira.

Segundo ele, a prioridade, nesta fase de licenciamento, é o planejamento dos sistemas de controle que serão utilizados durante a implantação e operação da mina.

A proposta prevê monitoramento automático e em tempo real de indicadores como:

  • qualidade do ar;
  • ruído;
  • vazão e qualidade da água;
  • parâmetros meteorológicos;
  • estabilidade geotécnica das pilhas.

Segundo Lima, a intenção é que esses dados sirvam não apenas para atender exigências dos órgãos ambientais, mas também como ferramenta permanente de gestão.

“Queremos utilizar essas informações para identificar tendências e corrigir desvios antes que eles aconteçam. A tecnologia será uma ferramenta de gestão, controle e resposta.”

Ele afirmou que a empresa pretende disponibilizar essas informações também para a população.

“O monitoramento em tempo real aumenta a rastreabilidade, a transparência e a segurança da gestão ambiental, permitindo que a comunidade acompanhe o desempenho do empreendimento.”

Paulo Henrique Lima reforçou que o Projeto Bandeira permanece em fase de licenciamento ambiental e que a empresa pretende manter a integração entre gestão social e ambiental ao longo de todas as etapas do empreendimento.

“A gestão social está baseada no diálogo e no respeito. A gestão ambiental será baseada em planejamento, monitoramento e resposta. É isso que garante uma implantação organizada, transparente e segura do empreendimento.”

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