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Por Redação
O Brasil reúne vantagens competitivas para se consolidar como um dos principais produtores mundiais de lítio e minerais críticos, mas precisa avançar em segurança jurídica, políticas públicas e agregação de valor para transformar sua vantagem geológica em liderança industrial. A avaliação foi unânime entre executivos da PLS Brasil, Sigma Lithium, CBL e AMG, principais empresas do setor durante a Conferência de CEOs do Lithium Business 2026, realizada em Salinas, Minas Gerais.
Além do potencial geológico brasileiro, os executivos destacaram a qualidade dos projetos, a matriz energética renovável, os baixos custos de produção e a crescente preocupação mundial com segurança no fornecimento de minerais estratégicos para a transição energética.
Federico Gay principal analista da Benchmark Mineral Intelligence, moderador do painel afirmou que a indústria vive uma nova fase após a volatilidade dos últimos anos.
“Vivemos um momento decisivo para a indústria global do lítio. Depois de um período de forte volatilidade, o setor passa a buscar equilíbrio entre oferta e demanda, competitividade, inovação e sustentabilidade. A questão central é como o Brasil pode transformar sua extraordinária vantagem geológica em liderança industrial”, afirmou.
Segurança jurídica preocupa setor
Embora reconheçam avanços da proposta que institui a Política Nacional de Minerais Críticos (PL 2.780), os executivos demonstraram preocupação com dispositivos que podem aumentar a insegurança para investidores.
A diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS Brasil, Marisa Cesar, afirmou que o Projeto de Lei em discussão no Congresso Nacional traz instrumentos importantes para estimular investimentos, como incentivos fiscais e mecanismos voltados à descarbonização, mas alertou para pontos que ainda geram incertezas.
“O projeto tem aspectos muito positivos, mas alguns dispositivos podem aumentar a imprevisibilidade para os investidores. Segurança jurídica continua sendo um fator decisivo para a atração de capital.“
Segundo ela, a verticalização da cadeia depende não apenas de recursos naturais, mas também de competitividade econômica e desenvolvimento tecnológico.
“O Brasil já domina etapas importantes do processamento do concentrado de lítio, mas avançar para outras fases do refino exige políticas públicas capazes de tornar esses investimentos economicamente viáveis.”
Marisa Cesar – PLS
Fabiano Costa, presidente da AMG Brasil, fez avaliação semelhante.
“Temos know-how, capacidade técnica, mão de obra, competitividade e interesse em agregar valor. O que ainda falta é demanda para justificar esses investimentos.”
Costa lembrou que a elevada capacidade ociosa existente na China dificulta a instalação de novas plantas de processamento em outros países.
“Hoje, competir com a capacidade instalada chinesa é um enorme desafio. Por isso, qualquer estratégia de verticalização precisa ser construída com muita responsabilidade.”

“Não basta dizer que uma operação é sustentável. É preciso comprovar isso com dados, mostrando desempenho ambiental consistente”, afirmou Daniel Abdo, Vice- presidente de Relações Internacionais e Desenvolvimento de Negócios da Sigma Lithium.
Mercado prioriza qualidade e confiabilidade
Para o vice-presidente de Relações Internacionais e Desenvolvimento de Negócios da Sigma Lithium, Daniel Abdo, o mercado deixou de priorizar apenas expansão de oferta e voltou a valorizar fundamentos sólidos dos projetos.
“O mercado voltou a focar no que realmente faz diferença: qualidade dos recursos, eficiência operacional, disciplina financeira e consistência na entrega dos produtos”, afirmou.
Segundo ele, a demanda estrutural continua sustentada pelo crescimento dos veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia e data centers, enquanto compradores passaram a exigir maior rastreabilidade e confiabilidade.
“Os grandes vencedores serão aqueles capazes de entregar competitividade, sustentabilidade e confiabilidade. O Brasil está muito bem posicionado para liderar esse movimento.”
Daniel Abdo – Sigma Lithium
Abdo também defendeu maior integração entre as empresas instaladas no Vale do Jequitinhonha.
“Não há necessidade de reinventar a roda. Todos podem aprender com as experiências já acumuladas pelas empresas que vieram antes.”
Na avaliação do executivo, sustentabilidade também precisa ser demonstrada por indicadores concretos.
“Não basta dizer que uma operação é sustentável. É preciso comprovar isso com dados, mostrando desempenho ambiental consistente.”
Competitividade brasileira é consenso
O CEO da CBL, Vinícius Alvarenga, afirmou que o Brasil já ocupa uma das posições mais competitivas do mundo em custos de produção e tem potencial para ampliar significativamente sua participação no mercado internacional.
“O Brasil está entre os menores custos de produção do mundo. Os projetos que foram implantados são economicamente sustentáveis e vieram para ficar.”
Segundo ele, a produção nacional pode alcançar entre 1 milhão e 1,5 milhão de toneladas anuais de concentrado nos próximos cinco a dez anos.
Alvarenga defendeu que o debate sobre mineração seja separado da discussão sobre verticalização da cadeia produtiva.
“A mineração de lítio no Brasil já é um caso de sucesso. O desafio de ampliar a cadeia de valor é outro e depende de políticas públicas específicas.”
O executivo também rebateu críticas de que a produção de concentrado teria baixo valor agregado.
“Nós multiplicamos em mais de cinquenta vezes o valor do minério extraído antes de comercializá-lo. Precisamos superar a ideia de que produzir concentrado significa fazer apenas extrativismo.”
Cooperação e licença social
Outro ponto de consenso entre os participantes foi a necessidade de ampliar a cooperação entre as empresas instaladas no Vale do Jequitinhonha.
Para Vinícius Alvarenga, o crescimento conjunto fortalece toda a cadeia produtiva.
“Não interessa a ninguém o fracasso de outro projeto. Quanto mais empresas produzirem, maior será nossa capacidade de atrair fornecedores, reduzir custos e desenvolver a economia regional.”
Fabiano Costa também defendeu maior integração entre os produtores.
“A competição entre nós é infinitamente menor do que a capacidade de cooperação. É assim que vamos ampliar nossa relevância no cenário internacional.”
Marisa Cesar destacou que o sucesso dos projetos depende da construção de confiança junto às comunidades.
“A licença social é estratégica. Nosso trabalho vai além da mineração; envolve desenvolvimento socioeconômico, diálogo permanente e construção de confiança com as comunidades.”
Perspectivas positivas
Apesar dos desafios regulatórios e das discussões sobre agregação de valor, os executivos encerraram o debate demonstrando confiança no futuro da indústria de lítio no Brasil.
Para Daniel Abdo, o país reúne condições únicas para aproveitar o novo ciclo da indústria.
“Temos recursos naturais de alta qualidade, matriz energética limpa e projetos com escala industrial. O Brasil se preparou para o que está por vir.”
Vinícius Alvarenga reforçou o otimismo.
“Temos um futuro muito promissor. Os projetos anunciados vão acontecer e o Brasil tem todas as condições para se consolidar entre os principais produtores mundiais de lítio.”













