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Por Redação
O mercado global de lítio entrou em um novo ciclo de valorização e deve permanecer com preços elevados pelos próximos anos, impulsionado pelo crescimento da demanda por sistemas de armazenamento de energia, sucessivas interrupções na oferta e um equilíbrio cada vez mais apertado entre produção e consumo. A avaliação é consenso entre especialistas da Argus Media, Fastmarkets e S&P Global, durante o painel “Preços, Mercados e Tendências no Espaço Lithium”, realizado na quarta-feira (8), no Lithium Business 2026, em Salinas (MG).
As três consultorias revisaram suas projeções para o mercado e passaram a indicar um cenário mais otimista do que o observado em 2024 e 2025. A principal mudança é a antecipação do déficit global de oferta, antes previsto para ocorrer apenas nos próximos anos.
Para Pedro Consoli, repórter de lítio e veículos elétricos da Argus Media, a sequência de interrupções na produção mundial alterou rapidamente a dinâmica do mercado.
“O mercado de lítio está praticamente em um déficit neste momento”, afirmou. Segundo ele, a suspensão das exportações de espodumênio do Zimbábue retirou cerca de 140 mil toneladas anuais de carbonato de lítio equivalente (LCE) do mercado, enquanto paralisações de minas e plantas de processamento na China reduziram ainda mais a disponibilidade de matéria-prima.
Na avaliação da Argus, o mercado já opera próximo do equilíbrio entre oferta e demanda. “A demanda global de lítio vai praticamente duplicar nos próximos dez anos”, destacou Consoli, explicando que qualquer interrupção relevante na produção tem provocado respostas imediatas nos preços.
Sistemas de armazenamento de energia
A Fastmarkets também passou a prever déficit de oferta já em 2026. Segundo Letícia Simionato, Senior Price Reporter da consultoria, a principal razão é a rápida expansão dos sistemas de armazenamento de energia (ESS), que passaram a dividir com os veículos elétricos o protagonismo na demanda por lítio.
“Hoje a gente está em uma fase bullish. O preço está subindo e a gente está entrando em um novo ciclo”, afirmou.

Letícia Simionato, Senior Price Reporter da Fastmarkets.
Ela explicou que a forte demanda por baterias para armazenamento surpreendeu o mercado e antecipou projeções que antes indicavam desequilíbrio apenas em 2027 ou 2028.
“A maioria das casas de inteligência de mercado está trazendo esse déficit para 2026 e 2027 justamente porque houve essa mudança na demanda.”
Além dos fundamentos, Simionato ressaltou que o mercado segue extremamente sensível às notícias sobre produção.
“Qualquer notícia de uma mina na China ou do que acontece na África gera reações bem intensas no mercado.”
Brasil ainda avança abaixo do potencial
A S&P Global também vê um cenário mais favorável para o setor. Para Anne Barbosa, repórter para a América Latina, os preços passaram por um ajuste recente, mas continuam sustentados pela nova dinâmica de consumo.
“O que a gente vê adiante é que esses preços elevados estão sendo sustentados por essa demanda”, afirmou.

Anne Barbosa, repórter para a América Latina para a S&P Global.
Segundo ela, o crescimento das baterias para armazenamento de energia transformou o perfil do mercado.
“Não é mais só nos carros elétricos que o universo do lítio se assenta. A gente está falando de data centers para IA e de armazenamento de energia.”
Apesar do ambiente positivo, Anne avalia que o Brasil ainda não conseguiu converter seu potencial mineral em novos projetos na velocidade esperada.
“Nesse momento, a gente esperava estar falando de pelo menos cinco projetos em operação no Brasil.”
Ela atribui esse atraso aos baixos preços registrados nos últimos anos, dificuldades de licenciamento e entraves na implantação dos empreendimentos.
Anne também chamou atenção para o desafio de desenvolver toda a cadeia produtiva no país.
“É muito difícil falar em upstream, midstream e downstream no Brasil quando o upstream ainda está se estabelecendo.”
América Latina ganha relevância
Os especialistas também destacaram o fortalecimento da América Latina como fornecedora estratégica de lítio. Para Consoli, Argentina, Brasil e Chile passaram a representar um polo de estabilidade em meio às incertezas geopolíticas e às restrições de oferta observadas em outras regiões.
Anne Barbosa ressaltou que a Argentina vive um momento de forte expansão, impulsionada por novos projetos e políticas de incentivo ao investimento. Já o Brasil continua sendo um dos produtores de menor custo do mundo, condição que amplia sua competitividade mesmo em períodos de maior volatilidade.
Embora novas minas devam entrar em operação nos próximos anos, o entendimento das três consultorias é que o avanço da demanda continuará sustentando os preços e criando um ambiente favorável para investimentos, expansão da produção e desenvolvimento de novos projetos de lítio.













