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Por Redação
As ações da Harvest Minerals registraram alta superior a 24% na Bolsa de Londres nesta terça-feira (21), após a companhia anunciar a assinatura de um acordo vinculante para adquirir um portfólio de oito projetos de terras raras no Brasil. A operação marca a entrada mais ampla da empresa no segmento de minerais críticos e ainda depende do cumprimento de condições precedentes, incluindo a aprovação das autoridades brasileiras. Informações segundo a CNN Brasil.
Por volta das 16h08 (horário local), já próximo ao fechamento do mercado londrino, os papéis da empresa acumulavam valorização de cerca de 24%. Pelo acordo, a Harvest comprará 100% da Scanty Mineração, subsidiária da australiana Union Star Metals, passando a controlar 27 direitos minerários distribuídos em áreas com potencial para depósitos de terras raras em argilas iônicas e rocha dura.
Os ativos adquiridos abrangem os projetos Cerro Azul, Capão Bonito, Itapeva, Sguario, Mucambo e Guaratinga, localizados em importantes províncias minerais brasileiras, como o Complexo Alcalino de Poços de Caldas e a Província de Terras Raras da Bahia, regiões conhecidas pela ocorrência de terras raras, nióbio, fosfato e bauxita.
Segundo a companhia, os projetos mais avançados são Capão Bonito e Sguario, onde trabalhos de campo e análises com equipamentos portáteis de fluorescência de raios X identificaram anomalias de terras raras em superfície.
Apesar do potencial geológico, o portfólio permanece em estágio inicial de desenvolvimento. O comunicado da empresa não apresenta estimativas de recursos minerais, resultados completos de sondagens ou estudos econômicos para as áreas adquiridas.
A Harvest informou que os próximos trabalhos serão direcionados à validação dos dados históricos e ao avanço das áreas consideradas prioritárias.
Compra pode superar A$ 2 milhões
A estrutura da transação prevê um pagamento inicial de 200 mil dólares australianos em dinheiro e a emissão de 40 milhões de novas ações da Harvest para a Union Star Metals no fechamento da operação.
O acordo também estabelece pagamentos contingentes de até 300 mil dólares australianos, condicionados ao avanço técnico dos projetos. Desse montante, 100 mil dólares australianos serão pagos caso seja declarado um recurso mineral de, no mínimo, 20 milhões de toneladas com teor igual ou superior a 1.000 partes por milhão de óxidos de terras raras.
Outros 200 mil dólares australianos serão devidos quando um dos projetos atingir o primeiro marco de desenvolvimento, como a implantação de uma planta-piloto, a conclusão de uma avaliação econômica preliminar ou de um estudo de pré-viabilidade. Caso essas etapas não sejam alcançadas antes, o pagamento deverá ocorrer após cinco anos.
Além disso, a Harvest assumirá aproximadamente 1,5 milhão de dólares australianos em obrigações diferidas relacionadas à aquisição anterior dos ativos. Esses compromissos poderão ser liquidados em dinheiro ou ações, conforme o cumprimento de metas técnicas em prazos de até quatro anos.
Somando os pagamentos previstos e as obrigações assumidas, o valor potencial da operação pode atingir cerca de 2 milhões de dólares australianos.
Estratégia mira expansão em minerais críticos
A aquisição reforça a estratégia da Harvest de ampliar sua atuação no mercado de minerais críticos no Brasil. A empresa já avaliava o potencial de terras raras em seu projeto Arapuá, onde estudos anteriores indicaram concentrações médias de óxidos totais de terras raras entre 2.110 e 2.657 partes por milhão.
“Esta aquisição representa o próximo passo na expansão da estratégia da Harvest para minerais críticos”, afirmou Brian McMaster, presidente-executivo do conselho da Harvest Minerals.
Segundo o executivo, a companhia pretende utilizar sua estrutura operacional e sua experiência no Brasil para desenvolver um portfólio mais amplo de projetos voltados às terras raras.
“Pretendemos aproveitar nossa plataforma operacional e nosso conhecimento técnico no Brasil para avançar no desenvolvimento de um portfólio diversificado de projetos de terras raras”, disse McMaster.
As argilas iônicas têm despertado crescente interesse da indústria mineral por permitirem, em determinados casos, processos de extração potencialmente mais simples e menos intensivos do que aqueles empregados em depósitos de rocha dura.














