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Por Ricardo Lima
A Cabo Verde Mineração, empresa de terras raras com capital 100% nacional, anunciou a conclusão de uma etapa de perfuração por trado no alvo Caconde, entre Minas Gerais e São Paulo, e informou o avanço das atividades exploratórias em Botelhos, além da identificação de um novo alvo mineral em Divisa Nova, onde foram detectadas anomalias relevantes de disprósio e térbio (Dy-Tb), elementos classificados como terras raras pesadas e considerados críticos para setores como mobilidade elétrica, energia e defesa.
Segundo a empresa, os resultados preliminares obtidos em Caconde apontam mineralização de Elementos Terras Raras (ETRs) em perfil de argilas iônicas, modelo geológico considerado estratégico no mercado global. A companhia afirma trabalhar com uma meta exploratória interna de até 100 milhões de toneladas apenas no alvo Caconde, enquanto o potencial conceitual do conjunto regional de áreas pesquisadas pode superar 500 milhões de toneladas, condicionado à continuidade das sondagens e futuras validações técnicas.

Amostras pulverizadas de argilas iônicas ricas em Elementos de Terras Raras. Imagem: Cabo Verde Mineração / Divulgação.
A Cabo Verde Mineração controla atualmente 57 direitos minerários e mais de 96 mil hectares em pesquisa em um corredor mineral que abrange municípios de Minas Gerais e São Paulo, incluindo Cabo Verde, Muzambinho, Botelhos e Divisa Nova, no Sul de Minas, além de Caconde, no interior paulista. O projeto está inserido na região do Complexo Alcalino de Poços de Caldas, considerada uma das áreas mais promissoras do país para ocorrência de terras raras.
De acordo com relatório técnico divulgado pela companhia, a base de dados reúne 736 resultados químicos provenientes de amostragens de superfície, canais e perfurações por trado. Em Caconde, os resultados preliminares indicaram teores de até 4.421 ppm de TREO (óxidos totais de terras raras), 895 ppm de MREO (óxidos magnéticos de terras raras) e até 82,4 ppm de Dy+Tb.

Sondagem à trado realizada no alvo Caconde. Imagem: Cabo Verde Mineração.
A empresa também informou resultados positivos em testes metalúrgicos conduzidos pela SGS Geosol com sulfato de amônio. Segundo os ensaios, a recuperação de TREO atingiu 55,76%, enquanto a recuperação de MREO chegou a 83,77%. Já a recuperação combinada de disprósio e térbio alcançou 79,20%, indicador considerado relevante para minerais de maior valor estratégico.
Além de Caconde, a companhia informou estar finalizando a malha de perfuração no alvo Botelhos e anunciou o detalhamento geológico de uma nova área em Divisa Nova. Segundo a empresa, o local apresentou concentrações preliminares expressivas de terras raras pesadas, especialmente disprósio e térbio, em proporções consideradas acima da média observada em importantes depósitos globais.
O CEO da Cabo Verde Mineração, Túlio Rivadávia, afirmou que a empresa pretende desenvolver um projeto de caráter estratégico para o país.
“O Brasil tem geologia, capital humano e capacidade técnica para deixar de ser apenas fornecedor de matéria-prima e se tornar protagonista em uma nova economia mineral”, afirmou.
Segundo Rivadávia, apesar do interesse de grupos estrangeiros no projeto, a empresa mantém sua estrutura societária original e segue financiando os trabalhos com recursos próprios, apoio da operação de minério de ferro e aportes dos acionistas.
“Existe interesse internacional, e isso é natural em um projeto com essa assinatura geológica e este potencial. Mas a nossa prioridade é avançar tecnicamente. Já investimos mais de R$ 15 milhões neste projeto”, declarou.
A companhia afirma, no entanto, que permanece aberta a parcerias técnicas, comerciais e financeiras voltadas principalmente ao desenvolvimento tecnológico, financiamento, contratos de offtake e integração com a cadeia downstream de terras raras.
As terras raras ganharam relevância estratégica nos últimos anos devido à crescente demanda global por tecnologias ligadas à transição energética, eletrificação automotiva, turbinas eólicas, sistemas eletrônicos e equipamentos de defesa. O aumento da busca internacional por ativos minerais críticos também intensificou o debate sobre soberania mineral e agregação de valor no Brasil.
Segundo a Cabo Verde Mineração, a próxima fase do projeto inclui integração dos resultados pendentes, novos programas de sondagem, estudos mineralógicos e metalúrgicos adicionais, modelagem geológica e preparação para futuras estimativas de recursos conforme padrões internacionais de certificação.












