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Por Ricardo Lima
A AngloGold Ashanti ampliou em 16% a produção de ouro no Brasil no primeiro trimestre de 2026, alcançando 67 mil onças produzidas nas operações em Minas Gerais. O desempenho ajudou a elevar a produção da divisão latino-americana da companhia para 117 mil onças no período, somando os ativos brasileiros e argentinos. Os resultados foram divulgados pela mineradora na última sexta-feira (8), em Londres.
O avanço operacional no Brasil ocorreu em meio a um trimestre marcado por forte geração de caixa e valorização do ouro no mercado internacional. Globalmente, a companhia produziu 724 mil onças entre janeiro e março deste ano, alta de 1% em relação às 720 mil onças registradas no mesmo período de 2025.
A mineradora também registrou fluxo de caixa livre recorde de US$ 1,2 bilhão no trimestre, quase três vezes acima do resultado obtido um ano antes. O fluxo de caixa livre avançou 190% na comparação anual, passando de US$ 403 milhões para US$ 1,169 bilhão. Já o fluxo de caixa líquido das atividades operacionais cresceu 136%, totalizando US$ 1,7 bilhão.
Segundo a companhia, o resultado foi impulsionado pela manutenção do alto preço do ouro e pela estabilidade operacional da maior parte dos ativos globais.
Operação Cuiabá lidera crescimento no Brasil
O principal destaque das operações brasileiras foi o Complexo Cuiabá, em Minas Gerais, responsável pelo aumento da produtividade nas frentes subterrâneas. A estrutura reúne as minas de Cuiabá, em Sabará, e Lamego, entre Sabará e Caeté, com processamento realizado na planta metalúrgica do Queiroz, em Nova Lima.
“O coração das operações no Brasil continua sendo a Operação Cuiabá, que compreende as minas subterrâneas de Cuiabá e Lamego. Toda a produção converge para a planta metalúrgica do Queiroz, em Nova Lima, onde o minério passa pelas etapas finais de beneficiamento e fundição”, afirmou o presidente da AngloGold Ashanti Latam, Luís Lima.
Atualmente, a mina Cuiabá é considerada a maior mina subterrânea do país e o ponto mais profundo do território brasileiro, com galerias que chegam a 1.600 metros abaixo da superfície. De acordo com a empresa, sondagens geológicas recentes identificaram presença de ouro em profundidades superiores a 2.400 metros, indicando potencial de expansão e novos investimentos na operação.
Na Argentina, a unidade Cerro Vanguardia produziu 50 mil onças no primeiro trimestre, crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado, sustentado pela estabilidade operacional dos ativos na província de Santa Cruz.
Resultado financeiro cresce acima de 100%
O desempenho operacional e a valorização do metal também impulsionaram os indicadores financeiros da companhia. O Ebitda ajustado da AngloGold Ashanti somou US$ 2,3 bilhões no primeiro trimestre, alta de 130% frente ao mesmo período de 2025.
O lucro líquido atingiu US$ 1,3 bilhão, avanço de 187% na comparação anual.
Segundo o CEO da companhia, Alberto Calderón, a estratégia permanece centrada em eficiência operacional e controle de custos.
“Nosso foco continua sendo controlar o que podemos controlar: gerenciar os custos operacionais e garantir resultados operacionais seguros e previsíveis. Isso nos permitiu, mais uma vez, gerar fluxo de caixa livre recorde e retornos de caixa para nossos acionistas, ao mesmo tempo em que impulsionamos nossos projetos de crescimento orgânico”, afirmou.
Entre os destaques operacionais do trimestre está o início dos testes da primeira autobetoneira elétrica do Brasil em operação subterrânea. O equipamento, desenvolvido pela Normet, começou a operar na Mina Cuiabá como parte da estratégia de descarbonização da companhia.
Segundo a mineradora, a tecnologia elimina a emissão de gases no subsolo, reduz ruídos e pode diminuir em até 4°C a temperatura em determinadas frentes de trabalho. A meta da empresa é concluir a eletrificação dessa categoria de frota até 2027.














