Por Redação – Minera Brasil
Acordo com grupo educacional presente em 26 estados e no Distrito Federal que reúne cerca de 340 mil alunos prevê pesquisas, formação e inserção da mineração em diferentes áreas acadêmicas; AMC prepara nova parceria com o Serviço Geológico do Brasil.
A Associação de Minerais Críticos (AMC) e o Grupo Ser Educacional firmaram uma parceria para desenvolver pesquisas, programas de formação e iniciativas acadêmicas voltadas à cadeia de minerais críticos no Brasil. O acordo firmado na segunda-feira 28/9, durante cerimônia em Brasília, é o primeiro celebrado pela AMC com um grupo de ensino e busca aproximar universidades das novas demandas da mineração brasileira.
A iniciativa ocorre menos de duas semanas após a sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), que colocou a formação e a qualificação de mão de obra especializada entre os objetivos para o desenvolvimento das cadeias produtivas de minerais no país.
O protocolo de intenções prevê cooperação acadêmica, científica e tecnológica, com estímulo a pesquisas de pós-graduação, incluindo mestrado e doutorado. A agenda abrange desde áreas tradicionalmente ligadas à mineração até inteligência artificial, economia, direito, regulação, financiamento e desenvolvimento regional e governança.
Para Frederico Bedran, diretor-executivo da AMC, a capilaridade do Grupo Ser permite que a discussão sobre minerais críticos ultrapasse os cursos tradicionalmente associados ao setor.
“Este é o primeiro protocolo que estamos assinando com uma instituição de ensino, mas não é somente uma instituição, é um grupo que envolve várias instituições e diversas áreas. Para nós, isso é muito importante porque a AMC está olhando para a promoção do conhecimento científico e como esse conhecimento é necessário para desenvolver a cadeia de minerais críticos no Brasil”, afirmou.
Para Bedran, a iniciativa busca enfrentar um problema que vem sendo apontado pelas empresas do setor: a necessidade de ampliar a formação e atrair novos profissionais para a mineração.
“Nos últimos eventos, vários CEOs destacaram que um dos principais gargalos da mineração é a capacitação de mão de obra que queira realmente trabalhar no setor. Por isso, movimentos como esse são importantes”, disse.

Acordo busca desenvolver formações voltadas para atender à demanda por profissionais na cadeia de minerais críticos no Brasil. Foto: João Pinheiro/Minera Brasil
MINERAÇÃO CHEGA PARA 340 MIL ALUNOS
O Grupo Ser Educacional reúne cerca de 340 mil alunos, está presente em 26 estados e no Distrito Federal e opera instituições como UNINASSAU, UNAMA, UNG, UNINORTE, UNIFAEL e UNI7. São mais de 60 unidades presenciais e 800 polos de ensino a distância. A estratégia é aproveitar essa estrutura para inserir temas relacionados à mineração em cursos já existentes e desenvolver novas iniciativas de formação.
Para Jânyo Diniz, presidente do Grupo Ser Educacional, aproximar a academia das necessidades da mineração ganha relevância no momento em que o Brasil discute como avançar da produção e exportação de matérias-primas para outras etapas da cadeia produtiva.
“A integração entre produção do conhecimento e produção de minerais é importante porque se começa a pensar de forma estratégica o desenvolvimento do país através de um setor que é tão crítico para o Brasil”, afirmou.
Segundo Diniz, a parceria deverá atuar nas duas frentes: incorporar a mineração aos cursos existentes e desenvolver formações voltadas especificamente para as demandas do setor.
“Vamos trazer a mineração para cursos existentes. Como pensar o direito da mineração, que se pensa muito pouco?”, exemplificou.
Bedran destaca que a intenção é justamente aproximar uma nova geração de profissionais da atividade mineral.
“A gente não está dialogando somente com o futuro advogado ou futuro administrador. Estamos dialogando com 340 mil profissionais que vão tocar a economia brasileira nos próximos anos. E, mais ainda, a AMC está se conectando com as novas gerações. Por isso estar próxima das universidades e faculdades é tão importante”, afirmou.

Parceria entre AMC e Grupo Ser aproxima setor mineral brasileiro da academia. Foto: João Pinheiro/Minera Brasil
PESQUISA VAI DE GEOLOGIA À INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A agenda da parceria inclui geologia econômica, mineração sustentável, processamento mineral, materiais avançados, economia mineral, inteligência artificial aplicada à mineração, digitalização, automação e economia circular.
Também estão contemplados reciclagem de minerais críticos, transição energética, ESG, direito minerário, regulação, licenciamento ambiental, financiamento de empreendimentos, políticas públicas, desenvolvimento regional, geopolítica e agregação de valor às cadeias produtivas.
A cooperação poderá resultar ainda na criação de grupos de estudos, observatórios, centros de pesquisa, programas de educação continuada e extensão universitária, além de congressos, seminários, missões técnicas, dissertações, teses, livros, artigos científicos, relatórios e estudos estratégicos.
Outro eixo será dedicado aos municípios mineradores. O protocolo prevê pesquisas sobre gestão pública e fortalecimento da governança local, com atenção à diversificação das cadeias produtivas e da base econômica para reduzir a dependência exclusiva da atividade mineral.

Diretor da ANM José Fernando Gomes teve atuação importante na parceria firmada entre AMC e Grupo Ser. Foto: João Pinheiro/Minera Brasil
ANM TEVE PAPEL FUNDAMENTAL NA PARCERIA ENTRE AMC E GRUPO SER
A assinatura do protocolo contou com a participação de José Fernando Gomes, diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), que participou ativamente da articulação que aproximou a AMC e o Grupo Ser. Para o diretor, a parceria dialoga diretamente com a nova política brasileira para minerais críticos e estratégicos.
“É um marco histórico. Há menos de 15 dias, o presidente Lula sancionou a política de minerais críticos e estratégicos, falando justamente da formação e capacitação de mão de obra. É isso que nós estamos entregando hoje aqui, junto com todos esses entes, levando o desenvolvimento para a sociedade brasileira nos quatro cantos do Brasil”, afirmou Gomes.
A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos foi sancionada em 16 de setembro. Entre seus objetivos estão a formação e qualificação de mão de obra especializada e o estímulo à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico, à inovação e à agregação de valor às cadeias minerais.
A solenidade contou ainda com a presença da embaixadora da República Tcheca no Brasil, Pavla Havrlíková, que ressaltou o potencial de internacionalização da colaboração acadêmica e de aproximação entre universidades brasileiras e tchecas.
PRIMEIRA INICIATIVA PREVISTA PARA DEZEMBRO
Uma das primeiras iniciativas decorrentes da aproximação entre a AMC e o Grupo Ser já está sendo planejada.
Segundo Jânyo Diniz, o Grupo Ser pretende realizar nos dias 10 e 11 de dezembro o primeiro Simpósio de Minerais Críticos, em parceria com a AMC.
“Essa ligação muito maior da academia e da universidade com o mercado, com a ANM, é importante para que se comece a desenvolver pessoal para toda a cadeia produtiva”, afirmou.

Parceria sai do papel com primeiro Simpósio de Minerais Críticos. Foto: João Pinheiro/Minera Brasil
AMC PREPARA PARCERIA COM SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL
A aproximação com o Grupo Ser será a primeira de uma agenda de cooperação que a AMC pretende ampliar com instituições ligadas à pesquisa e à produção de conhecimento no país.
Bedran antecipou que, no dia 30, durante o encontro ‘Minerais Críticos – Agenda 2030’, que será realizado pela AMC em São Paulo, será assinado um novo protocolo de intenções, desta vez com o Serviço Geológico do Brasil (SGB).
“Essas iniciativas reforçam ainda mais a importância da AMC na sua conexão entre setor privado, academia e pesquisa científica”, afirmou.
Bedran avalia que, apesar de os minerais críticos estarem atualmente no centro das discussões sobre transição energética e novas cadeias industriais, o esforço de capacitação poderá beneficiar o setor mineral brasileiro de forma mais ampla.













