Por Redação
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) vai priorizar o levantamento de áreas com potencial para minerais críticos e estratégicos nos próximos anos, dentro do Plano Decenal de Mapeamento Geológico (PlanGeo). Durante a apresentação do PlanGeo e o lançamento da consulta pública nesta segunda-feira (28), o diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB, Valdir Silveira, afirmou que os recursos públicos previstos para a execução do programa serão inicialmente direcionados às províncias minerais.
A sinalização do governo é de R$ 300 milhões em recursos para 2027, destinados à execução do PlanGeo. Segundo Silveira, a prioridade será ampliar o conhecimento geológico de regiões consideradas estratégicas para a pesquisa mineral, enquanto os levantamentos em bacias sedimentares deverão ficar para uma etapa posterior do programa, caso haja recursos.
“A prioridade do dinheiro do governo que vamos receber é as províncias”, disse Silveira. O diretor afirmou que o foco do SGB para os próximos anos será o levantamento de áreas associadas a minerais críticos e estratégicos. Entre as regiões mencionadas estão a Província Borborema, considerada pelo diretor uma área mineral em ascensão, e o Arco Magmático de Goiás, onde, segundo ele, ainda há necessidade de ampliar os estudos e o conhecimento geológico.
Borborema e Arco Magmático de Goiás entre as prioridades
De acordo com Silveira, a escolha das áreas considera a necessidade de ampliar o conhecimento geológico e o potencial de geração de resultados em um período mais curto.
“A gente já escolheu: vamos trabalhar na Borborema, uma província mineral em ascensão muito importante do nosso país que precisa ser aumentado o seu conhecimento geológico.”
O diretor também destacou o Arco Magmático de Goiás entre as regiões que devem receber atenção. Segundo ele, apesar do potencial mineral, a presença do SGB na área foi limitada em períodos anteriores para atividades de mapeamento e estudos geológicos.
A definição final das áreas será influenciada pela consulta pública lançada pelo SGB. Silveira explicou que as contribuições recebidas serão consideradas junto a critérios técnicos para estabelecer a ordem de execução dos levantamentos.
Programa prevê ampliação gradual dos levantamentos
O PlanGeo Geofísica foi apresentado como um programa com horizonte de dez anos. A estratégia inicial é concentrar os recursos públicos nas províncias minerais, enquanto o levantamento das bacias sedimentares está previsto para uma etapa posterior.
Segundo Silveira, caso sejam obtidos recursos adicionais para os levantamentos em bacias, a execução poderá ser antecipada por meio de parcerias.
“Se a Petrobras vier como parceira, ou a ANP, e quiser botar dinheiro para a gente fazer voos, a gente começa até amanhã”, disse.
O diretor afirmou que o SGB já mantém conversas com a Petrobras e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) sobre possíveis parcerias. Segundo ele, representantes das instituições já trataram do assunto, mas ainda há espaço para ampliar a cooperação.
“Há sim possibilidade de parcerias e a gente já tem tratativas tanto com a Petrobras quanto com a ANP”, disse.
Petrobras, ANP, estados e empresas podem participar
Além das instituições federais, Silveira afirmou que o programa poderá receber participação de governos estaduais e da iniciativa privada. A proposta, segundo ele, é ampliar a produção e o compartilhamento de dados geológicos.
“O Serviço Geológico está muito aberto para construir conhecimento geológico do país de uma forma compartilhada.”
O diretor também afirmou que os dados produzidos poderão ser disponibilizados de forma pública.
“Nós temos a possibilidade de gerar dados e doar dados de forma muito transparente.”
Capacidade de aerolevantamento limita expansão
A disponibilidade de aeronaves e empresas especializadas também foi apontada como uma limitação para a execução dos levantamentos. Silveira afirmou que o setor perdeu empresas após a interrupção das atividades em 2016 e ainda passa por um processo de reconstrução.
Segundo ele, atualmente há apenas duas empresas com capacidade para realizar os voos contratados pelo SGB. O ideal, afirmou, seria contar com cinco empresas atuando no país para atender à dimensão do programa.
“Com o tamanho do país, o tamanho do desafio, essas duas empresas só não davam conta”
A definição das áreas do PlanGeo deverá considerar diferentes fatores, incluindo o estágio de maturidade das províncias minerais, o método geofísico a ser empregado, a localização em bacias ou províncias e as restrições legais existentes. A consulta pública será incorporada a esse processo de definição das prioridades para os próximos dez anos.













