Por Redação
A australiana Power Minerals identificou um teor de 40,5% de óxidos totais de terras raras (TREO) em uma amostra de 1,2 metro no Projeto Morro do Ferro, em Minas Gerais. O resultado, obtido a 42 metros de profundidade no furo de sondagem MFSR-057, é o maior teor individual registrado até o momento no empreendimento, segundo comunicado divulgado pela companhia à Bolsa de Valores da Austrália (ASX).
A mesma sondagem identificou um intervalo contínuo de 111 metros, a partir da superfície, com teor médio de 8,25% de TREO. Dentro desse trecho, foram registrados 51 metros com média de 15,42%, incluindo um intervalo de 15 metros com teor médio de 20,42%. A empresa também informou que cinco amostras individuais do furo apresentaram concentrações superiores a 20% de TREO.
Na amostra de maior concentração, o teor de óxidos de terras raras magnéticas (MREO) chegou a 7,73%. Esses elementos têm importância industrial por sua utilização na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, empregados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e outras tecnologias avançadas.
Os resultados ampliam o conhecimento sobre a extensão e a continuidade da mineralização no Morro do Ferro e deverão contribuir para os trabalhos de preparação da primeira estimativa de recursos minerais do projeto. A Power Minerals informou que as sondagens continuam e que novos resultados laboratoriais serão divulgados à medida que estiverem disponíveis.
Sondagem confirma continuidade da mineralização
O furo MFSR-057 foi executado entre seções investigadas anteriormente, com o objetivo de verificar a continuidade das zonas mineralizadas. De acordo com a companhia, os resultados ampliaram a mineralização em profundidade e confirmaram a presença de teores elevados de terras raras entre diferentes seções do depósito, a noroeste da seção-base da campanha inicial de sondagem.
Em declaração divulgada pela empresa, o diretor-presidente da Power Minerals, Alistair Stephens, classificou os resultados como interseções de padrão mundial, destacando a combinação entre a extensão da mineralização desde a superfície e os altos teores identificados.

Terras raras. Foto: Power Minerals / Divulgação.
Segundo o executivo, a companhia concentra os esforços na determinação da escala e da continuidade do depósito, paralelamente ao avanço dos estudos metalúrgicos para avaliar a recuperação dos elementos de maior valor comercial.
A empresa também informou que ainda aguarda resultados de análises das porções inferiores dos furos MFSR-053 e MFSR-054. As últimas amostras analisadas desses dois furos haviam apresentado concentrações elevadas de óxidos de terras raras.
Próximas etapas
A Power Minerals mantém o programa de sondagem no Morro do Ferro e prevê a divulgação progressiva dos resultados pendentes. Os próximos trabalhos incluem o aprofundamento da interpretação geológica e mineralógica, os estudos metalúrgicos e a consolidação dos dados necessários à elaboração de uma estimativa inicial de recursos minerais.
A companhia ressalta que os resultados divulgados correspondem a dados de exploração. Portanto, os intervalos e teores identificados não constituem, por si só, uma estimativa de recursos ou reservas minerais, nem comprovam a viabilidade econômica da exploração do depósito.
Minerais estratégicos para a transição energética
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados em diferentes aplicações industriais e tecnológicas. Entre os mais relevantes para a produção de ímãs permanentes estão neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, empregados em tecnologias associadas à eletrificação, à geração de energia renovável e à indústria de alta tecnologia.
A diversificação das fontes de fornecimento desses minerais tem ganhado importância internacional diante da demanda por tecnologias de baixo carbono e da concentração da produção e do processamento em determinados mercados. Nesse contexto, depósitos brasileiros podem ampliar as oportunidades de participação do país nas cadeias globais de minerais críticos, dependendo da viabilidade técnica, econômica e ambiental de cada empreendimento.














