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Por Redação
Há 13 anos, um grupo de 40 mulheres decidiu transformar uma ideia em movimento. Hoje, são cerca de 140 mil mulheres conectadas por uma rede que reúne profissionais de diferentes áreas, trajetórias e realidades. Essa história esteve no centro do Summit Mulheres nas Profissões, realizado nos dias 4 e 5 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo, pelo Grupo Mulheres do Brasil.
Mais do que um evento dedicado a discutir carreira, o Summit mostrou a força de uma rede construída a partir da troca de experiências, da inspiração e da disposição de mulheres em abrir caminhos para outras mulheres. Professoras, empresárias, líderes comunitárias, executivas, atletas, artistas e profissionais de diferentes setores compartilharam experiências e discutiram os desafios para ampliar a presença feminina nos espaços de decisão.
Para Ana Cabral, CEO e cofundadora da Sigma Lithium, participar do encontro foi uma experiência especial.
“Um dos eventos mais emocionantes do ano para mim. Eu me sinto honrada de ter sido uma das 40 mulheres que começou esse sonho e 13 anos depois virou isso.”
Segundo Ana Cabral, a dimensão alcançada pelo movimento revela justamente a capacidade de reunir mulheres com trajetórias muito diferentes em torno de uma agenda comum.
“Somos 140 mil mulheres de todos os caminhos da vida. E a vida colocou a gente juntas: professoras, líderes comunitárias, de todo tipo de organizações, mulheres líderes.”
Ana Cabral – Sigma Lithium
“Somos 140 mil mulheres de todos os caminhos da vida. E a vida colocou a gente juntas: professoras, líderes comunitárias, de todo tipo de organizações, mulheres líderes.”
Para ela, essa diversidade é parte da força construída pelo movimento.
“Hoje é o maior movimento da sociedade civil brasileira.”
UMA REDE PARA CHEGAR MAIS RÁPIDO À LIDERANÇA
A ideia de transformar conexão em avanço profissional está na origem do Summit. Para Alexandra Segantin, CEO do Grupo Mulheres do Brasil, o encontro foi pensado justamente para aproximar mulheres de diferentes profissões e criar uma rede capaz de acelerar a chegada a espaços de liderança.
“A gente pensou o Summit como um movimento: se unimos mulheres nas suas profissões, a gente consegue fazer uma rede de mulheres, que a gente avance mais rapidamente para os espaços de liderança.”
A proposta, segundo Alexandra, não se restringe ao universo feminino. O debate sobre os caminhos para uma sociedade mais equilibrada precisa envolver homens e mulheres.
“Debater sobre isso com homens e mulheres, a gente vê a potência que a sociedade civil tem para fazer as transformações sociais num país que a gente quer viver.”
A força dessa mobilização também foi destacada por Juliana Oliveira, CEO da Oliver Press, que ressaltou o impacto produzido pelo Grupo Mulheres do Brasil e pela liderança de Luiza Helena Trajano.
“O impacto que a Luiza, que o próprio evento Mulheres do Brasil e o Summit têm feito é superimportante e empoderador.”

A presença feminina em posições de liderança deixa de ser apenas uma discussão sobre representatividade e passa a fazer parte da estrutura das empresas.
CONSTRUIR JUNTAS
Ao longo do Summit, uma percepção: a transformação começa quando mulheres passam a reconhecer o potencial de construir juntas uma sociedade mais justa.
Para Beth Goulart, atriz e escritora, essa consciência já representa uma mudança importante na sociedade.
“Hoje as mulheres sentiram, tiveram a consciência da força dessa união e de como é importante mudar determinados padrões da nossa sociedade.”
Ana Cabral resumiu esse processo a partir da própria trajetória do movimento:
“Olha o que todas nós viramos. Mulheres melhores.”
E completou com aquela que talvez seja a frase mais representativa do espírito do grupo: “Uma puxa a outra.”
A ideia aparece também na experiência de Luana Génot, fundadora do Instituto Identidades do Brasil. Para ela, encontrar referências e perceber que outras mulheres enfrentam desafios semelhantes pode ser determinante para seguir avançando.
“Quando a gente olha para o lado e consegue ver uma ressonância, por exemplo, na trajetória de uma outra pessoa, que a gente pode inclusive não conhecer, isso dá para a gente esse arcabouço, essa força que a gente precisa muitas vezes para continuar.”
A conexão, segundo Luana, pode assumir diferentes formas: uma aliança, uma inspiração, uma palavra de incentivo ou até mesmo uma referência para a própria trajetória profissional.

Luiza Helena fundadora do Grupo Mulheres do Brasil e idealizadora do Summit Mulheres nas Profissões, disse que a força do movimento está justamente na união das mulheres.
VOZ, VISIBILIDADE E PROTAGONISMO
A construção dessa rede também passa pela possibilidade de ocupar espaços de fala e visibilidade. Para Milena Domingues, ex-jogadora de futebol, a presença de mulheres de diferentes profissões em um mesmo ambiente reforça a importância de ter voz.
“Acho muito legal a gente ter esse poder da voz. Eu acho que hoje a imprensa nos dá essa liberdade de expressão, de falar, de estar num evento como hoje, onde as protagonistas são mulheres de várias áreas, de várias profissões.”
A diversidade de trajetórias foi justamente um dos elementos que marcaram o Summit. A presença de profissionais de diferentes setores permitiu que experiências aparentemente distantes encontrassem pontos de conexão.
Juliana Oliveira também destacou a participação de mulheres como Luana Génot, Ana Cabral, Fátima, Adriana Mattos e outras lideranças na discussão sobre o papel das empresas no desenvolvimento das mulheres.
“Mulheres incríveis falando do papel das empresas também neste letramento socioemocional e acompanhamento da mulher.”
EXPERIÊNCIA QUE PASSA DE UMA GERAÇÃO PARA OUTRA
Para Ana Cabral, uma das responsabilidades de quem já percorreu determinados caminhos é compartilhar o aprendizado com quem está chegando.
“E a ideia era essa: nós passarmos para as outras tudo que a gente já viveu, que a gente aprendeu, com uma franqueza que só dá para ter de mulher para mulher.”
A executiva também levou para o Summit um dado sobre a presença feminina na liderança da Sigma Lithium.
“Na Sigma, que é a organização que eu lidero, metade das vice-presidentes são mulheres, 40% do conselho são mulheres.”
A experiência mostra como a construção de redes pode se conectar a mudanças concretas dentro das organizações. A presença feminina em posições de liderança deixa de ser apenas uma discussão sobre representatividade e passa a fazer parte da estrutura das empresas.
De 40 mulheres para uma rede de 140 mil
Para Ana Cabral, olhar para essa trajetória é também reconhecer a força acumulada por milhares de mulheres que passaram a fazer parte do Grupo Mulheres do Brasil.
A própria Luiza Helena Trajano, fundadora do Grupo Mulheres do Brasil, encerrou o encontro emocionada e agradecendo às pessoas que contribuíram para sua realização.
“Com gratidão, muito emocionada e muito agradecida a todos que vieram e a todos que ajudaram a montar esse evento, “disse.
A fala de Luiza Helena traduz o espírito dos dois dias de evento: nenhum movimento dessa dimensão é construído individualmente.
O Summit mostrou que a força da rede não está apenas no número de mulheres que dela participam, mas na capacidade de transformar experiência em conhecimento em inspiração e oportunidades.
No fim, a lógica é simples – e talvez por isso mesmo tão poderosa: uma mulher abre uma porta, outra atravessa, e uma terceira encontra um caminho que antes não existia. Uma puxa a outra.














