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Por Redação
O ouro manteve trajetória de forte valorização no primeiro semestre de 2026 e respondeu por R$ 25,3 bilhões do faturamento da mineração brasileira, alta de 44,2% em relação aos R$ 17,6 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e mostram que o metal representou 16,8% do faturamento total do setor, que alcançou R$ 150,7 bilhões.
O desempenho foi impulsionado principalmente pela valorização do ouro no mercado internacional. A cotação média do metal passou de US$ 3.070,86 por onça-troy (ozt) no primeiro semestre de 2025 para US$ 4.695,98 no mesmo período deste ano, avanço de 52,9%. No período, o dólar encerrou cotado a R$ 5,13.
A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) proveniente do ouro também acompanhou esse movimento, passando de R$ 264 milhões para R$ 380 milhões entre os primeiros semestres de 2025 e 2026.
Mudança global nas reservas sustenta valorização
Para o presidente do Ibram, Pablo Cesário, a valorização do ouro não decorre apenas de fatores conjunturais, mas de uma mudança estrutural na forma como países e bancos centrais administram suas reservas internacionais.
“Há uma tendência de longo prazo que é insuperável, que é uma alteração na forma como o mundo reserva valor. Bancos centrais do mundo inteiro estão mudando o modo como reservam valor”, afirmou.
Segundo Cesário, a China concentra grande parte das compras do ouro brasileiro destinado à formação de reservas internacionais, movimento que também vem sendo observado em outras economias.
“Há uma tendência de longo prazo de retomada do aumento do preço do ouro, simplesmente porque a oferta não vai conseguir acompanhar a demanda”, destacou.
O executivo alertou, entretanto, que a valorização do metal também amplia a preocupação do setor com o avanço da mineração ilegal.
Instabilidade geopolítica acelera demanda
O diretor de Assuntos Minerários do Ibram, Julio Nery, atribuiu a escalada dos preços ao aumento das compras de ouro por bancos centrais, especialmente nos últimos cinco anos.
Segundo ele, China, Cazaquistão e Índia lideraram esse movimento de aquisição de ouro para composição de reservas internacionais, em um contexto de maior instabilidade geopolítica e de diversificação de ativos.
“Essa é a grande evolução que o ouro apresentou nesse período, fruto dessa transição de compra, saindo de uma reserva em dólar para uma reserva em metal”, explicou.
De acordo com Nery, a mudança no comportamento dos países tem sustentado a valorização do metal e reforçado o papel estratégico do ouro como ativo de proteção em períodos de incerteza econômica e geopolítica.














