Por Redação
A Origen Resources Inc. informou que pretende avançar com a aquisição de 70% de participação no projeto Campo de Cima, área de 33.075 hectares localizada entre os estados da Bahia e do Piauí. Segundo a companhia, trabalhos de campo realizados durante a etapa de diligência confirmaram anomalias de elementos de terras raras (REE) em uma área de aproximadamente 4 quilômetros por 6 quilômetros.
A empresa afirma que a região apresenta características geológicas compatíveis com depósitos de terras raras hospedados em argilas de adsorção iônica, conhecidos pela sigla IACD. Uma das principais áreas de interesse identificadas apresentou concentração máxima de 282 partes por milhão (ppm) de TREO+Y, indicador que reúne óxidos de terras raras totais e ítrio.
Amostras indicam área com anomalias
De acordo com a Origen, a identificação inicial da área-alvo foi realizada pela Incorporadora e Mineração Santa Rosa Ltda., proprietária dos direitos sobre o projeto. A campanha de reconhecimento utilizou amostras de solo coletadas com espaçamento aproximado de 1,5 quilômetro.
Ao todo, 33 amostras foram coletadas, das quais sete apresentaram valores elevados de elementos de terras raras. O maior resultado registrado foi de 282 ppm de TREO+Y.
A Origen afirma ter confirmado, durante sua própria diligência de campo, os resultados apresentados pela Santa Rosa. A companhia também avaliou perfis de solo laterítico em diferentes pontos da propriedade e analisou as condições para a definição de um programa inicial de exploração.
As análises laboratoriais foram realizadas pela SGS Geosol, laboratório comercial com certificações ISO 9001:2015 e ISO 14001:2015.
Modelo de exploração
Segundo a companhia, a mineralização de terras raras é interpretada como associada a perfis lateríticos desenvolvidos sobre o Grupo Rio Preto. A configuração geológica é apontada pela empresa como semelhante à observada em outros projetos brasileiros de terras raras hospedadas em argilas de adsorção iônica, como Serra Verde, em Goiás, e Caldeira, em Minas Gerais.
Esse tipo de depósito tem importância para o mercado de terras raras porque pode permitir métodos de extração que, em determinadas condições, demandam menos energia e utilizam processos químicos menos agressivos do que outras formas de recuperação dos minerais.
A Origen cita estudo publicado em 2025 por Russo, González-Álvarez, Cocker e McCoy-West segundo o qual depósitos desse tipo respondem por aproximadamente 80% do fornecimento mundial de terras raras pesadas.
Próximas etapas
A companhia informou que pretende iniciar um programa de exploração no alvo principal após a obtenção das aprovações regulatórias necessárias. Entre as atividades previstas estão trabalhos de amostragem mais detalhados e outras ações destinadas a avaliar o potencial da área identificada.
“Nosso trabalho de due diligence em campo superou as expectativas e estamos entusiasmados em avançar com a aquisição e a parceria com os proprietários. Acreditamos que o Nordeste do Brasil é, de fato, um novo polo de terras raras e temos a sorte de estar entre os primeiros a atuar na região, onde agora controlamos mais de 68.615 hectares. Atualmente, estamos planejando mobilizar equipes para nosso primeiro programa de exploração poucos dias após recebermos as aprovações regulatórias”, afirmou Gary Schellenberg, CEO e diretor da Origen.
A declaração faz referência também ao conjunto de áreas controladas pela companhia na região, que, segundo a empresa, ultrapassa 68.615 hectares.
Condições da aquisição
Pelos termos divulgados, a Origen pretende adquirir 70% do projeto após a assinatura de um acordo definitivo. Inicialmente, a companhia deverá pagar US$ 100 mil à Santa Rosa e emitir 2 milhões de ações.
No segundo aniversário do acordo definitivo, está prevista uma segunda e última parcela de US$ 100 mil, além da emissão de outras 4 milhões de ações.
A Origen também deverá investir US$ 1,5 milhão em atividades de exploração no período de até dois anos após a conclusão da etapa de diligência. Ao fim desse período, a companhia e a Santa Rosa deverão constituir uma joint venture com participações de 70% e 30%, respectivamente.
A Santa Rosa manterá ainda uma participação de 2% sobre royalties. Segundo os termos anunciados, metade desse percentual poderá ser adquirida pela Origen, a qualquer momento antes do início da produção comercial, por US$ 1,5 milhão.
Além dos ativos no Brasil, a Origen Resources possui 100% do projeto de lítio Los Sapitos, na Argentina. A companhia também mantém dois projetos de metais preciosos e metais-base no sul da Colúmbia Britânica, no Canadá, nos quais afirma estar buscando parceiros.














