Por Ricardo Lima
O Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) aprovou nesta sexta-feira (25) as licenças de implantação e operação para a expansão da mina da Cedro Participações em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. De acordo com a companhia, o projeto permitirá elevar a capacidade de beneficiamento da unidade para 10 milhões de toneladas anuais de minério bruto (ROM), com produção de até 5,5 milhões de toneladas de pellet feed high-grade por ano.
Atualmente, a mina produz cerca de 2,5 milhões de toneladas de minério de ferro bruto anualmente. Segundo a Cedro, a expansão receberá investimentos de R$ 3,5 bilhões e será implantada de forma gradual. O projeto prevê vida útil estimada em até 20 anos, com possibilidade de extensão após uma nova campanha de sondagem, e deve gerar mais de mil empregos diretos e indiretos.
Produção de minério de alto teor
A ampliação terá como foco a produção de pellet feed high-grade, minério com alto teor de ferro e baixos níveis de impurezas utilizado na fabricação de pelotas destinadas, entre outras aplicações, à rota siderúrgica de redução direta.
Segundo a Cedro, a utilização dessas pelotas pode reduzir em até 50% as emissões de carbono em comparação com a rota siderúrgica tradicional baseada em altos-fornos. A companhia também afirma que utiliza filtragem e empilhamento a seco em seus processos, além de reaproveitar cerca de 85% da água utilizada na operação.
A empresa relaciona a expansão à crescente demanda por minérios de maior teor de ferro, especialmente diante dos esforços de redução das emissões de carbono na siderurgia. De acordo com a companhia, a estratégia é direcionar toda a produção para o pellet feed high-grade, com foco em mercados como Europa e Oriente Médio.
O projeto também deverá ampliar, segundo a Cedro, o aproveitamento da jazida e a arrecadação de tributos e da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) para Mariana.
Impacto econômico em Mariana
A Cedro atua no município desde 2022. Para José Carlos Martins, presidente do Conselho de Administração da companhia, o aumento da capacidade produtiva deverá ampliar a geração de empregos e movimentar setores como comércio, serviços e transporte.
“Este projeto combina a ampliação da nossa capacidade, a geração de mais empregos em Mariana e a adoção de tecnologias mais modernas. É um passo importante para a Cedro e para a mineração em Minas Gerais”, afirma Martins.
A empresa informa ainda que mantém iniciativas sociais nos municípios onde atua. Segundo a Cedro, mais de 60 projetos nas áreas de educação, saúde, cultura, esporte, inclusão social e infraestrutura urbana receberam apoio da companhia.
Desde 2020, a empresa afirma ter destinado mais de R$ 80 milhões a projetos sociais e obras de interesse coletivo em Nova Lima, Mariana e Ouro Preto. Entre as iniciativas citadas está a Creche Comunitária São Judas Tadeu, em Nova Lima, que, de acordo com a companhia, atende cerca de 800 crianças em período integral.
Expansão da produção
A ampliação da mina de Mariana integra os planos da Cedro de alcançar uma produção de 20 milhões de toneladas anuais a partir de 2032. Segundo a empresa, a meta colocaria a companhia entre as maiores produtoras de minério de ferro do país.
O planejamento também inclui a construção do Porto do Meio, em Itaguaí (RJ). O empreendimento tem investimento estimado em R$ 3,6 bilhões e capacidade projetada para movimentar até 15 milhões de toneladas de minério por ano.
De acordo com a Cedro, o terminal deverá integrar a produção das minas localizadas em Minas Gerais ao mercado internacional. A companhia também pretende concentrar sob seu controle as etapas de extração, transporte e embarque do minério.
Licenciamento levou quase três anos
O processo de licenciamento ambiental do projeto envolveu quase três anos de estudos técnicos, segundo Edinilson Barbosa, gerente-geral de Licenciamento Ambiental da Cedro Participações.
“Foram quase três anos de trabalho, com especialistas de todas as disciplinas envolvidas, dos meios físico, biótico e socioeconômico, e uma série de estudos que convergiram para o EIA/RIMA do projeto”, afirma.
Segundo Barbosa, o estudo foi submetido à análise técnica do órgão ambiental e estabeleceu medidas de controle, mitigação e compensação ambiental para as fases de implantação e operação da mina.
“A aprovação reconhece a consistência técnica e a legitimidade do processo de licenciamento conduzido pela Cedro”, diz o gerente-geral.













