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Por Redação
A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, resultado 97% superior ao apurado no mesmo período do ano anterior. O desempenho, o melhor da companhia desde o segundo trimestre de 2022, foi impulsionado pela valorização internacional do petróleo após o conflito no Oriente Médio e pelo recorde de produção de petróleo e gás. Informações segundo a Folha de S. Paulo.
Com o resultado, a estatal anunciou a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos aos acionistas. Como controlador da empresa, o governo federal ficará com R$ 6,2 bilhões, considerando também as participações de bancos públicos e fundos de pensão.
Segundo a Petrobras, o lucro superou as expectativas do mercado. Desconsiderando efeitos extraordinários, o resultado teria alcançado R$ 55,7 bilhões, alta de 140% na comparação anual, acima da projeção média de R$ 45 bilhões estimada por analistas consultados pela Bloomberg.
Petróleo mais caro e produção recorde impulsionam resultado
A cotação média do barril de petróleo Brent subiu 54,1% em relação ao segundo trimestre de 2025, atingindo US$ 104. No mesmo período, a produção de petróleo e gás da Petrobras cresceu 14%, alcançando 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
“Os recordes operacionais que alcançamos neste segundo trimestre nos levaram a um dos maiores resultados financeiros trimestrais da série histórica da Petrobras”, afirmou o diretor financeiro da companhia, Fernando Melgarejo, no balanço.
A valorização do petróleo ocorreu após a escalada do conflito no Oriente Médio, iniciado no fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel realizaram ataques ao Irã. Em resposta, o país fechou o Estreito de Hormuz, rota por onde transitava cerca de um quinto da produção mundial de petróleo, provocando forte alta nas cotações. O barril chegou a ser negociado próximo de US$ 120.
Receita e geração de caixa avançam
Com petróleo mais caro e maior produção, a receita da Petrobras cresceu 42,3%, somando R$ 169,5 bilhões no trimestre. O Ebitda, indicador da geração operacional de caixa, avançou 79,6%, para R$ 93,8 bilhões.
O preço médio dos combustíveis vendidos pela estatal ficou 23% acima do registrado no mesmo período de 2025, com a cesta de produtos comercializada por R$ 578 por barril.
Apesar disso, a companhia manteve períodos de defasagem entre os preços internos e as cotações internacionais. Parte desse impacto foi compensada pelos programas de subvenção criados pelo governo.
Subvenções compensam parte das perdas
No balanço divulgado na quarta-feira (6), a Petrobras informou ter R$ 9,7 bilhões a receber em subvenção ao diesel. Até o fim de julho, já havia recebido R$ 6 bilhões. A empresa também contabilizou R$ 816 milhões em subvenção à gasolina e R$ 84 milhões destinados ao gás de cozinha.
Em contrapartida, o imposto temporário sobre a exportação de petróleo, criado para financiar parte do subsídio ao diesel, reduziu o resultado da companhia em R$ 4,8 bilhões no segundo trimestre.
“Para a Petrobras, a subvenção é positiva, pois permite que a companhia evite ajustar diretamente os preços dos combustíveis, ao mesmo tempo em que preserva sua política de precificação”, avaliaram analistas do BTG.
Refinarias operam em nível recorde
Outra estratégia adotada para reduzir impactos foi ampliar a produção nacional de combustíveis e diminuir a dependência de importações. No trimestre, a Petrobras registrou recorde de utilização de suas refinarias, superando a capacidade instalada das unidades.
A produção interna de combustíveis aumentou 11%, para 1,9 milhão de barris por dia, enquanto as importações recuaram 68%, para 67 mil barris diários.
Investimentos crescem e dívida recua
Entre abril e junho, a Petrobras investiu US$ 5,2 bilhões — cerca de R$ 26 bilhões, pelo câmbio médio do período —, alta de 20% em relação ao segundo trimestre de 2025. Os recursos foram destinados principalmente aos projetos do pré-sal.
A dívida líquida da estatal encerrou o trimestre em R$ 312 bilhões, queda de 3,5% frente aos três primeiros meses do ano.
Dividendos seguem política da companhia
A Petrobras informou que a distribuição de dividendos está em conformidade com sua política de remuneração aos acionistas, que prevê o repasse de 45% do fluxo de caixa livre quando a dívida permanece abaixo do limite estabelecido.
“Esta distribuição é compatível com a sustentabilidade financeira da companhia”, afirmou a estatal, indicando que não houve pagamento de dividendos extraordinários.
Com os R$ 9,3 bilhões distribuídos no primeiro trimestre, o total de dividendos aprovados pela Petrobras em 2026 chega a R$ 26,7 bilhões, dos quais R$ 9,6 bilhões serão destinados ao governo federal.
Panorama
- Lucro líquido (2º trimestre de 2026): R$ 52,4 bilhões
- Dividendos anunciados: R$ 17,4 bilhões
- Produção de petróleo e gás: 3,34 milhões de barris por dia
- Empregados: 50.687
- Refinarias em operação: 10














