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Por Redação
Uma série documental brasileira está percorrendo 10 países para investigar alternativas de uso e desenvolvimento de territórios ligados à mineração. Intitulada Um Futuro Possível, a produção tem cinco episódios e 16 locações e busca mostrar como estruturas, conhecimentos e paisagens deixados pela atividade mineral podem assumir novas funções.
Idealizada por Gustavo Roque, especialista em inovação e transição pós-mineração, e coproduzida com a Dromedário Filmes, a série parte da pergunta sobre quais novos caminhos podem ser construídos para territórios minerários antes ou depois do encerramento das atividades.
Entre os casos registrados está o SNOLAB, laboratório subterrâneo localizado a cerca de dois quilômetros de profundidade na Creighton Mine, em Sudbury, no Canadá. A mina de níquel continua em operação enquanto o espaço recebe pesquisas em física de astropartículas, ciências da vida e tecnologias quânticas.
A estrutura foi ampliada a partir das instalações do Sudbury Neutrino Observatory (SNO), experimento que contribuiu para a descoberta das oscilações dos neutrinos. O trabalho relacionado ao observatório rendeu ao físico canadense Arthur McDonald o Nobel de Física, compartilhado com o japonês Takaaki Kajita.
Para Roque, o caso demonstra que novas vocações podem ser desenvolvidas em territórios minerários antes mesmo do fim da atividade.
“Em vez de pensar apenas no que fazer quando uma mina fecha, o caso canadense sugere que um território pode começar a criar outras vocações muito antes disso.”
A série também acompanha experiências em antigas áreas de mineração que passaram a receber atividades de turismo e aventura. Em Llechwedd, no norte do País de Gales, por exemplo, cavernas e estruturas subterrâneas associadas à história da mineração foram adaptadas para circuitos turísticos com tirolesas, pontes, obstáculos e percursos de aventura.
As gravações passam ainda por Estados Unidos, Bélgica, Alemanha, Áustria, Polônia, República Tcheca, França e Inglaterra. No Brasil, a produção acompanha quatro casos distribuídos por três estados.
Segundo Roque, a proposta não é apresentar um modelo único para a reconversão de áreas minerárias, mas identificar os fatores que permitiram o desenvolvimento de cada iniciativa.
“O objetivo não é sugerir que exista uma fórmula capaz de transformar qualquer área minerária em laboratório, museu ou parque. Queremos inspirar e instigar novos caminhos, novas respostas”, afirma.
A abordagem adotada pelo especialista é definida como “pragmatismo otimista”. A ideia é analisar experiências concretas sem ignorar os impactos e desafios associados à mineração ou propor soluções universais para territórios com características distintas.
As filmagens de Um Futuro Possível estão em andamento. O lançamento está previsto para o primeiro trimestre de 2027.











