Comente, compartilhe e deixe sua opinião nos comentários! Sua participação é essencial para enriquecer o debate
Por Bernardo Imperial, CEO da Unique Stone*
Empreender no setor de rochas naturais demanda resiliência. No entanto, o cenário recente, desenhado pelas novas tarifas americanas, impôs uma mudança estrutural no setor. Historicamente, os Estados Unidos absorvem mais da metade das exportações brasileiras, gerando um fluxo que movimenta bilhões e tem impacto direto, especialmente no Espírito Santo. Diante dessas mudanças, a pergunta que ecoa no setor é: como manter a competitividade?
O mercado tradicional pode enxergar uma crise, porém, o empreendedor pode identificar aqui uma brecha de diferenciação. A era da commodity de volume, como granitos e mármores, pode abrir espaço para a estratégia de nicho com pedras mais exóticas. Para aproveitar este momento, o modelo de negócios precisa ser repensado sob pilares de inteligência, tecnologia e agregação de valor.
As tarifas impactaram os granitos e os mármores. A isenção dos quartzitos tende a fortalecer sua competitividade frente a outros materiais brasileiros sujeitos à tarifa. Por terem sido incluídos na lista de exceções da tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos, essas pedras passaram a apresentar uma vantagem competitiva em relação aos materiais sujeitos à sobretaxa.
No entanto, a dependência de um único comprador provou ser um risco. Por isso, o fluxo de exportação precisa ser pulverizado. Mercados como Europa, Ásia e Oriente Médio podem ser uma oportunidade para oferta de materiais mais exclusivos, o que abre espaço para a presença das empresas brasileiras.
Vale a pena exportar apenas os blocos ou chapas?
A exportação de blocos e chapas com menor nível de beneficiamento passou a enfrentar maior pressão sobre as margens, diante do aumento dos custos tarifários e logísticos. A saída é a verticalização do negócio, ou seja, aumentar o valor médio de cada metro quadrado exportado.
O foco pode, por exemplo, migrar para peças finalizadas como cubas esculpidas, revestimentos tridimensionais, mobiliário de luxo e tampos complexos. Ao agregar design, acabamento e maior processamento ao produto, aumenta-se o valor percebido e o valor agregado da exportação, contribuindo para compensar parte do impacto das barreiras comerciais. Para manter a competitividade, a eficiência operacional também pode ser uma alternativa para compensar a margem afetada pelos impostos. A adoção de maquinários de última geração e softwares de paginação inteligente tornam-se importantes aliados para reduzir desperdícios e aumentar a produtividade.
Além disso, a economia circular pode funcionar para transformar resíduos de corte em novos subprodutos ou objetos de luxo e converter um passivo ambiental em nova fonte de receita.
As barreiras comerciais impostas também podem ser o convite para mudar de estratégia. Ao abandonar a dependência do volume e abraçar a sofisticação, a tecnologia e a diversificação, as empresas brasileiras elevam o padrão de toda a cadeia produtiva global.
Sobre Bernardo Imperial
Bernardo Imperial é CEO e fundador da Unique Stone, boutique referência no mercado internacional de pedras naturais de alto padrão. Com forte domínio técnico, processos únicos e um atendimento exclusivo que transformou a marca em símbolo de luxo, Imperial segue expandindo a Unique Stone internacionalmente, guiado por valores de trabalho duro, lealdade e paixão pelas pedras brasileiras.













