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Por Redação
O Brasil deve priorizar uma estratégia de cooperação com a China para desenvolver sua cadeia de produção de terras raras e minerais estratégicos, em vez de buscar uma atuação isolada no mercado global. A avaliação é de Luis Mauricio Azevedo, presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), em entrevista à CNN. Segundo ele, o país reúne vantagens competitivas para atrair investimentos, mas depende de parcerias internacionais para avançar no processamento mineral e na industrialização.
A declaração ocorre em meio às preocupações sobre os efeitos das restrições impostas pela China às exportações de terras raras, insumos considerados essenciais para cadeias produtivas como as indústrias automotiva, eletrônica, aeroespacial, de defesa, energia e tecnologia. Apesar das tensões geopolíticas, Azevedo afirma que identificou, durante visitas recentes ao país asiático, disposição de empresas chinesas em ampliar investimentos industriais no exterior, inclusive no Brasil.
China busca ampliar presença industrial
Segundo Azevedo, a percepção de que a China pretende restringir o acesso global aos minerais estratégicos não corresponde integralmente ao cenário observado durante reuniões realizadas com empresas chinesas.
“O que a gente percebe é que talvez a gente tenha uma visão um pouco deturpada por posições dos Estados Unidos, da Europa. O que vimos nesses 12 meses foi uma certa relativização sobre esse tema e, principalmente, uma disposição da China em entrar dentro do processo de fabricação de downstream de produtos minerais.”
De acordo com ele, grupos chineses já atuam em diversos países expandindo sua participação não apenas na mineração, mas também na industrialização dos minerais, movimento que poderia ser replicado no Brasil.
Industrialização deve substituir exportação de matéria-prima
O dirigente da ABPM defendeu que o país deixe de concentrar esforços apenas na exportação de minério bruto e passe a estimular investimentos em processamento mineral dentro do território nacional.
Segundo Azevedo, esse foi um dos objetivos de sua recente missão à China.
“Não é fornecer o material, é convidá-los para fazer parte do processamento aqui dentro. Fomos muito bem recebidos.”
Na avaliação dele, cabe ao governo incentivar esse tipo de parceria por meio de políticas voltadas ao fortalecimento da indústria mineral e da atração de investimentos.
Diferença no custo do capital é desafio
Outro fator apontado por Azevedo como obstáculo ao desenvolvimento brasileiro é o custo do financiamento.
Segundo ele, empresas chinesas operam com condições financeiras significativamente mais competitivas que as disponíveis no Brasil.
“A China pode nos ajudar muito com um custo de capital extremamente competitivo. Eles trabalham com taxa de juros de 2%. Nós trabalhamos com uma taxa de juros de 15%. No mercado privado, isso aumenta. Essas parcerias têm que ser estimuladas.”
Para o executivo, o país deve aproveitar seu potencial energético, especialmente na geração de energia limpa, como diferencial para atrair investimentos industriais ligados à transição energética.
Brasil pode ampliar produção de terras raras
Embora o Brasil detenha uma das maiores reservas conhecidas de terras raras, Azevedo afirma que o principal gargalo permanece na tecnologia de processamento, atualmente concentrada na China.
Ele defende acordos de cooperação tecnológica para desenvolver a cadeia nacional de valor.
“Essa tecnologia está na China. Mas o Brasil tem algo muito importante, que são as argilas iônicas. Uma parceria de troca de tecnologia seria muito importante entre o Brasil e a China.”
Segundo ele, o desenvolvimento deve ocorrer de forma gradual, começando pelo processamento industrial (downstream) e evoluindo posteriormente para tecnologias mais sofisticadas de fabricação de materiais estratégicos.
Cooperação é mais viável que atuação independente
Ao comentar a possibilidade de o Brasil se tornar concorrente da China no mercado de terras raras, Azevedo avaliou que uma estratégia de independência teria elevado custo econômico e tecnológico.
“A independência vai levar ao isolacionismo. O custo de capital é muito alto e nós não temos esse capital aqui no Brasil. A tecnologia vai levar de 20 a 30 anos para chegar onde eles já chegaram. Então, é muito mais fácil fazer a cooperação.”
Luis Maurício Azevedo – ABPM
Na visão do dirigente, a relação entre os dois países pode gerar benefícios mútuos.
“Eu tenho certeza que é um ganha-ganha.”
Azevedo concluiu afirmando que o Brasil reúne condições para manter relações comerciais tanto com a China quanto com outros blocos econômicos, defendendo uma estratégia baseada na cooperação internacional, atração de investimentos e fortalecimento da industrialização mineral nacional.













