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Por Ricardo Lima
Mais de 200 pessoas morreram após o colapso de uma mina de coltan em Rubaya, no leste da República Democrática do Congo (RDC), segundo autoridades locais ligadas ao governo provincial nomeado por rebeldes.
O deslizamento ocorreu na quarta-feira (29), em meio à estação chuvosa, e atingiu trabalhadores artesanais, crianças e comerciantes que estavam no local no momento do acidente, informaram fontes ouvidas pela Reuters.
Segundo Lumumba Kambere Muyisa, porta-voz do governador provincial indicado pelo grupo rebelde AFC/M23, o número exato de vítimas ainda é incerto. “Mais de 200 pessoas foram vítimas desse deslizamento, incluindo mineiros, crianças e mulheres do mercado. Algumas foram resgatadas a tempo e estão gravemente feridas”, afirmou Muyisa à Reuters, acrescentando que ao menos 20 feridos recebem atendimento médico.
Um assessor do governador, que falou sob condição de anonimato, disse que o total de mortos confirmados chega a pelo menos 227.
Mina estratégica fora do controle governamental
Localizada a cerca de 60 quilômetros a noroeste de Goma, capital da província de Kivu do Norte, a mina de Rubaya produz aproximadamente 15% do coltan consumido no mundo. O minério é transformado em tântalo, metal resistente ao calor usado na fabricação de celulares, computadores, componentes aeroespaciais e turbinas a gás. A exploração é majoritariamente artesanal, com trabalhadores ganhando poucos dólares por dia.
De acordo com a Al Jazeera, a mina está sob controle do grupo rebelde M23, que segundo acusações da ONU É apoiado por Ruanda desde 2024, após sucessivas disputas com o governo central congolês e outras milícias armadas. Kigali nega qualquer apoio aos rebeldes.
A estação chuvosa agravou as condições de segurança no local. “Estamos na época das chuvas. O solo está frágil. Foi a terra que cedeu enquanto as vítimas estavam dentro do buraco”, disse Muyisa.
Entrevistado pela AFP em Rubaya, o mineiro artesanal Franck Bolingo afirmou que ainda pode haver pessoas soterradas. “Choveu, depois o deslizamento aconteceu e levou pessoas. Algumas foram enterradas vivas, e outras ainda estão presas nos túneis”, relatou.
Apesar da enorme riqueza mineral do país, mais de 70% da população congolesa vive com menos de US$ 2,15 por dia, segundo dados citados pela Al Jazeera, enquanto a violência armada e a exploração de recursos seguem marcando o leste da RDC.













