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Por Redação
A abertura do evento em Ouro Preto foi marcada por uma defesa enfática do reposicionamento estratégico da mineração no cenário global, diante da aceleração da transição energética e das transformações tecnológicas em curso.
Essa avaliação foi defendida por José Luis Ubaldino de Lima, diretor de Geologia e Produção Mineral da Secretaria Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME).
Segundo o diretor, o mundo atravessa uma profunda mudança econômica, tecnológica e energética, impulsionada pela transição para uma economia de baixo carbono, pela expansão da mobilidade elétrica, digitalização da economia, inteligência artificial e pela robotização. Esse conjunto de transformações vem ampliando rapidamente a demanda global por minerais críticos e estratégicos.
Ele destacou que, além dos minerais tradicionalmente consolidados na pauta mineral brasileira – como minério de ferro, ouro, bauxita, rochas ornamentais e água mineral – ganham protagonismo matérias-primas como cobre, lítio, terras raras, níquel, grafita e manganês, essenciais para cadeias produtivas ligadas à energia, tecnologia, defesa e inovação.
“Esses minerais deixaram de ser apenas commodities e passaram a ser ativos estratégicos para a competitividade industrial, a segurança econômica e a soberania das nações”, afirmou o diretor.
Oportunidade estratégica para o Brasil
Na avaliação de José Luis Ubaldino as principais economias do mundo já estruturam políticas para garantir acesso seguro a esses recursos e reduzir dependências externas. Nesse contexto, o Brasil reúne condições excepcionais – diversidade geológica, abundância mineral e capacidade técnica – para assumir papel de protagonismo global.
No entanto, ele alertou que potencial geológico não se converte automaticamente em desenvolvimento. Para isso, defendeu a ampliação do conhecimento do subsolo brasileiro, o fortalecimento dos levantamentos geológicos e o estímulo à pesquisa mineral.
A atividade mineral, lembrou, é de alto risco e intensiva em capital, exigindo previsibilidade regulatória e mecanismos modernos de financiamento capazes de sustentar investimentos de longo prazo.
Inovação, tecnologia e agregação de valor
O diretor também ressaltou a importância de fortalecer a agenda de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) no setor mineral. Segundo ele, o futuro da mineração será definido não apenas pela disponibilidade de recursos, mas pela capacidade de dominar tecnologia, processamento, inteligência geológica e sustentabilidade.
Nesse sentido, defendeu a necessidade de avanço na agregação de valor dentro do país e na consolidação de uma cadeia mineral mais tecnológica e integrada às novas demandas industriais globais.
Sustentabilidade como condição de competitividade
Outro ponto central da fala foi a defesa de uma mineração responsável do ponto de vista ambiental e social. Segundo o diretor do MME, não há mineração do futuro sem segurança operacional, transparência e compromisso com as comunidades onde os projetos estão inseridos.
Ele afirmou ainda que a sustentabilidade não deve ser vista apenas como obrigação regulatória, mas como condição essencial para competitividade internacional, atração de investimentos e legitimidade social da atividade mineral.
Formação de profissionais como desafio estrutural
Ubaldino destacou ainda a necessidade de investimento contínuo na formação e capacitação de profissionais do setor mineral. Geólogos, engenheiros, técnicos e especialistas em inovação, automação e sustentabilidade serão, segundo ele, cada vez mais estratégicos para o futuro da mineração brasileira.
“O futuro da mineração não será definido apenas pelos recursos naturais, mas pela capacidade de transformar conhecimento em valor”, concluiu.












