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Por Redação
A crescente demanda global por minerais críticos abre uma oportunidade histórica para o Brasil ampliar sua participação nas cadeias globais da transição energética. No entanto, para transformar esse potencial em desenvolvimento econômico, industrial e social, o país precisará adotar políticas de longo prazo, fortalecer sua capacidade de beneficiamento mineral e construir uma governança capaz de integrar União, estados, municípios, empresas e comunidades.
Essa foi a principal conclusão do novo episódio da série Ponto a Ponto, da Fundação FHC, que reuniu Marisa Cesar, diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS Brasil, e Sergio Andrade de Alvarenga, fundador e diretor executivo da Agenda Pública, para discutir o papel estratégico dos minerais críticos no desenvolvimento brasileiro.
Logo no início da conversa, Sergio Andrade provocou o debate ao questionar como o Brasil pode deixar de ser apenas um exportador de commodities minerais e passar a desenvolver cadeias produtivas mais sofisticadas.
Marisa Cesar destacou que esse desafio passa pelo fortalecimento da indústria de transformação. Segundo ela, embora o Brasil possua importantes reservas de minerais críticos – incluindo a segunda maior reserva mundial de terras raras – ainda depende da China para as etapas mais avançadas de processamento.
O Brasil consegue extrair e realizar o primeiro beneficiamento, mas ainda precisa enviar esse material para processamento no exterior antes que ele possa ser utilizado em produtos de maior valor agregado, como ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos e turbinas eólicas”
Marisa Cesar – PLS
“Hoje a China concentra cerca de 80% da capacidade mundial de refino. O Brasil consegue extrair e realizar o primeiro beneficiamento, mas ainda precisa enviar esse material para processamento no exterior antes que ele possa ser utilizado em produtos de maior valor agregado, como ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos e turbinas eólicas”, afirmou.
Na avaliação da executiva, a nova política brasileira para minerais críticos pode criar condições para reduzir essa dependência, por meio de instrumentos de incentivo, financiamento e políticas tributárias capazes de estimular investimentos industriais no país.
“São mecanismos que podem tornar o Brasil mais competitivo e permitir que a cadeia de transformação mineral seja desenvolvida aqui”, observou.
Ao longo da conversa, os especialistas defenderam que a política mineral esteja integrada às estratégias de desenvolvimento regional, inovação, ciência e tecnologia e industrialização.
Para Sergio Andrade, o desafio vai além da abertura de minas. Ele argumenta que os territórios mineradores precisam aproveitar esse ciclo de investimentos para construir novas oportunidades econômicas e preparar suas populações para um futuro pós-mineração.
“Não podemos continuar administrando municípios apenas com uma visão de curto prazo. Precisamos de planos de desenvolvimento que preparem trabalhadores, estimulem novas cadeias produtivas e criem oportunidades que permaneçam mesmo após o encerramento da atividade mineral”, afirmou.
O debate também abordou a importância das parcerias internacionais. Marisa Cesar lembrou que aproximadamente 70% dos investimentos em mineração realizados no Brasil têm origem em capital estrangeiro, tornando essencial a construção de acordos que garantam segurança aos investidores e, ao mesmo tempo, ampliem a geração de valor dentro do país.
Para Sergio Andrade, a soberania nacional não significa isolamento, mas a capacidade de negociar parcerias que promovam transferência de tecnologia, agregação de valor e desenvolvimento dos territórios onde a mineração ocorre.
“Precisamos discutir que tipo de parceria permitirá trazer beneficiamento, tecnologia e desenvolvimento para o país, gerando valor não apenas em termos de PIB, mas também para as comunidades mineradoras”, destacou.
Outro ponto central da discussão foi a necessidade de conciliar a expansão da produção de minerais críticos com elevados padrões socioambientais.
Embora esses minerais sejam considerados fundamentais para a transição energética e para a redução das emissões de carbono, Sergio Andrade alertou que os benefícios climáticos somente serão efetivos se toda a cadeia produtiva adotar práticas responsáveis de mineração.
“Os minerais críticos são fundamentais para a economia de baixo carbono, mas também precisamos discutir como eles são produzidos, extraídos e beneficiados, considerando aspectos como governança, gestão da água, relacionamento com as comunidades e sustentabilidade”, afirmou.
Marisa Cesar reforçou que a construção de projetos minerais exige diálogo permanente com os territórios e planejamento de longo prazo.
Segundo ela, compreender as características culturais, sociais e econômicas de cada região é condição indispensável para que a mineração contribua efetivamente para o desenvolvimento local e fortaleça a agenda de sustentabilidade do setor.
Ao final do debate, ambos defenderam que o Brasil possui uma oportunidade inédita para consolidar sua posição como fornecedor estratégico de minerais críticos. O aproveitamento desse potencial, entretanto, dependerá da capacidade do país de combinar políticas industriais, inovação, investimentos, governança e desenvolvimento regional, transformando riqueza mineral em desenvolvimento econômico e social de longo prazo.















