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Por Redação
Brasil e Coreia do Sul firmaram, na segunda-feira (27), um comunicado conjunto para ampliar a cooperação no desenvolvimento de cadeias de valor de minerais críticos e estratégicos, considerados essenciais para as transições energética e digital. O acordo foi assinado durante reunião entre o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ministro do Comércio, Indústria e Energia da Coreia do Sul, Jung-Kwan Kim, realizada durante a visita oficial ao Brasil do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o entendimento busca fortalecer o diálogo bilateral para ampliar investimentos, promover inovação tecnológica, incentivar a agregação de valor à produção mineral e desenvolver cadeias produtivas resilientes, sustentáveis e diversificadas, preservando os interesses e a soberania dos dois países.
De acordo com o ministério, o comunicado estabelece a intenção de aprofundar a cooperação institucional entre Brasil e Coreia do Sul em torno dos minerais críticos e estratégicos, insumos considerados fundamentais para o desenvolvimento tecnológico, o crescimento econômico e a descarbonização da economia.
Entre os principais pontos do acordo estão o incentivo ao processamento mineral, ao refino e à agregação de valor próximos às áreas de extração, além da ampliação de iniciativas de pesquisa, desenvolvimento, inovação e transferência de tecnologia. O documento também prevê o fortalecimento das capacidades institucionais, o estímulo a investimentos, especialmente nos segmentos intermediários e finais da cadeia mineral, e a criação de mecanismos permanentes de intercâmbio técnico entre os governos.
Segundo o MME, a iniciativa dá continuidade ao fortalecimento da cooperação bilateral na área de energia e mineração. Em fevereiro de 2026, durante a visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Coreia do Sul, os dois países assinaram o Plano de Ação para Implementação da Parceria Estratégica Brasil-Coreia (2026–2029), que incluiu os minerais críticos entre as prioridades da relação bilateral. Desde então, reuniões técnicas e institucionais vêm sendo realizadas para ampliar essa agenda.
O ministério afirma que o governo brasileiro tem defendido que o potencial mineral do país seja acompanhado pelo fortalecimento das etapas de processamento, transformação industrial e inovação tecnológica. A estratégia busca atrair investimentos capazes de ampliar as cadeias produtivas de maior valor agregado no território nacional, ao mesmo tempo em que o Brasil aperfeiçoa seu marco regulatório para minerais críticos e estratégicos e amplia o diálogo internacional em busca de novas oportunidades de cooperação.
O acordo também ocorre em um contexto de crescimento das relações comerciais entre os dois países. Em 2025, a corrente de comércio bilateral alcançou US$ 10,8 bilhões, sendo US$ 5,5 bilhões em exportações brasileiras e US$ 5,3 bilhões em importações, o que resultou em superávit de US$ 168 milhões para o Brasil. A Coreia do Sul está entre os principais parceiros comerciais brasileiros tanto nas exportações quanto nas importações.
Além da mineração, Brasil e Coreia do Sul identificam oportunidades para ampliar a cooperação em áreas como hidrogênio de baixa emissão de carbono, tecnologias de co-firing — combustão conjunta de carvão com hidrogênio ou amônia para reduzir emissões de carbono —, bioenergia, combustíveis renováveis, eficiência energética e infraestrutura inteligente. Também estão no horizonte projetos conjuntos de pesquisa e inovação voltados ao armazenamento de energia em baterias, captura de carbono e outras tecnologias ligadas à transição energética.
No campo dos minerais críticos, o diálogo entre os dois países já contempla matérias-primas como lítio, terras raras, níquel e grafita, consideradas estratégicas para a fabricação de baterias e para o desenvolvimento de indústrias de baixo carbono.













