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Por Redação
Uma aeronave de pesquisa do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) sobrevoou, no domingo (26), áreas de mineração e agropecuária no norte de Goiás durante o primeiro voo da missão científica CoMet 3.0 Tropics no Brasil. O avião, um Gulfstream G550 conhecido como HALO, realizou passagens sobre a região da Mineração Serra Verde, única operação comercial de terras raras fora da Ásia, e também sobre a Fazenda Conforto, antes de seguir para Cuiabá (MT), onde ficará baseada até setembro. Informações segundo o portal AeroIn.
O voo integra uma campanha internacional que investigará as emissões de dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄) na Amazônia, no Pantanal e em outras áreas tropicais. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre o papel desses biomas no equilíbrio climático global e aperfeiçoar o monitoramento ambiental por satélites.
De matrícula D-ADLR, o HALO decolou de Fortaleza e percorreu o norte de Goiás em um voo de aproximadamente sete horas. Na região do Lago de Serra da Mesa, a aeronave desceu para cerca de 4 mil pés (1.200 metros) e sobrevoou a área onde está localizada a Mineração Serra Verde, responsável pela produção comercial de elementos conhecidos como terras raras, grupo formado por 17 elementos químicos estratégicos para a indústria de alta tecnologia.
Na sequência, o jato seguiu para a Fazenda Conforto, um dos maiores empreendimentos agropecuários da região. Próximo à propriedade, a aeronave executou cerca de dez circuitos em diferentes altitudes, padrão de voo compatível com operações de coleta de dados atmosféricos, antes de prosseguir para Cuiabá, onde pousou no Aeroporto Internacional Marechal Rondon.
As áreas sobrevoadas têm em comum atividades econômicas que podem influenciar a composição da atmosfera. A mineração, a pecuária e outras atividades produtivas estão associadas à emissão de gases como metano e dióxido de carbono, substâncias monitoradas durante a campanha científica para avaliar seus impactos sobre o clima e compreender a interação entre as emissões provocadas pela ação humana e os processos naturais.
Após quase quatro anos, esta é a primeira missão do HALO no Brasil desde a campanha CAFE-Brazil, realizada entre 2022 e 2023, quando a aeronave teve Manaus como principal base de operações. Na ocasião, os voos despertaram curiosidade nas redes sociais, levando a Força Aérea Brasileira (FAB) a esclarecer que acompanhava a operação e que a missão possuía caráter exclusivamente científico.
Adaptado para pesquisas atmosféricas, o Gulfstream G550 é considerado um dos laboratórios voadores mais avançados do mundo. A aeronave pode permanecer mais de dez horas em voo e operar a cerca de 15 quilômetros de altitude. Modificada com mais de 20 sensores e sistemas científicos, ela mede com alta precisão gases de efeito estufa, aerossóis, compostos orgânicos voláteis, óxidos de nitrogênio e enxofre, monóxido de carbono, ozônio, vapor d’água e outros parâmetros essenciais para pesquisas sobre a atmosfera.
Entre os equipamentos embarcados estão o sistema LIDAR CHARM-F, utilizado para medições remotas da atmosfera, e o sensor MAMAP2D, dedicado ao monitoramento de concentrações de dióxido de carbono e metano. Parte desses instrumentos é instalada em um radome no nariz da aeronave e em módulos externos fixados à fuselagem.
A campanha CoMet 3.0 Tropics será realizada entre 27 de julho e 6 de setembro e reúne instituições brasileiras e alemãs. Nas missões anteriores, o DLR atuou em cooperação com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e a Universidade de São Paulo (USP). A expectativa é que o HALO realize novos voos nas próximas semanas sobre diferentes regiões do Centro-Oeste e da Amazônia para ampliar a base de dados utilizada em estudos sobre mudanças climáticas.














