Especial Minera Brasil – Poços de Caldas Warley Pereira e Teodoro Diniz
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) intensificou sua aproximação com projetos de terras raras em desenvolvimento na região de Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais. Uma comitiva de 15 profissionais do banco esteve na região para conhecer de perto o avanço dos empreendimentos instalados na caldeira vulcânica, uma das áreas de maior potencial para o desenvolvimento da cadeia brasileira de terras raras.
A visita integra o esforço do BNDES para conhecer de perto os projetos de minerais críticos e estratégicos, considerados fundamentais para a transição energética, a indústria de alta tecnologia e a diversificação das cadeias globais de suprimento.
Entre os empreendimentos visitados está o Projeto Caldeira, desenvolvido pela Meteoric Resources, onde os representantes do BNDES participaram de uma programação técnica que incluiu reuniões com executivos e especialistas da companhia, apresentações sobre o estágio de desenvolvimento do projeto, iniciativas de sustentabilidade, gestão de impactos ambientais e relacionamento com as comunidades da região.
A agenda também incluiu uma visita à planta piloto da empresa, onde a equipe do BNDES pôde acompanhar as etapas de processamento das terras raras e conhecer os avanços tecnológicos alcançados pela companhia.
Para Flávio Mota, chefe do Departamento de Indústrias de Base do BNDES, a visita permitiu aprofundar o conhecimento sobre o potencial dos projetos em desenvolvimento na região e avaliar as condições necessárias para sua implantação.
“O que está claro para a gente é que o potencial de terras raras do Brasil é muito grande e que temos toda a capacidade de desenvolver esses projetos e assumir um papel relevante no fornecimento da cadeia global de terras raras”, afirmou.

BNDES mobilizou 15 profissionais de seis áreas para visitar projetos de terras raras na região de Poços de Caldas em Minas Gerais.
Segundo o executivo do BNDES, a instituição mobilizou profissionais de seis áreas para acompanhar a visita, incluindo equipes responsáveis por operações de crédito, análise socioambiental, risco de crédito e mercado de capitais.
“Minerais críticos são uma prioridade para o BNDES. O momento atual fortalece ainda mais a importância do desenvolvimento desses projetos no Brasil. O banco está muito entusiasmado em participar dos projetos de minerais críticos que estão sendo desenvolvidos em território nacional”, destacou.
Do potencial geológico à viabilidade industrial
A visita também permitiu aos técnicos do BNDES compreender melhor a transformação do potencial geológico em um empreendimento industrial, etapa considerada decisiva para a estruturação financeira de projetos de mineração.
Guilherme Medina, Hed da área de mercado de capitais do BNDESPar, braço de investimentos responsável pela atuação do banco em participações societárias, destacou a importância de conhecer presencialmente os processos tecnológicos e a estrutura operacional do Projeto Caldeira.
“As terras raras são um elemento crucial na estratégia de investimento. Também é uma das nossas prioridades apoiar o desenvolvimento dessa indústria”, afirmou.
Para Medina, acompanhar o funcionamento da planta piloto e compreender os processos de extração e concentração dos minerais permite relacionar os aspectos técnicos às projeções econômicas.
“Quando a gente entende o processo de produção, isso ajuda a tangibilizar e entender os números por trás das projeções financeiras”, explicou.
O Medina também ressaltou a impressão positiva deixada pelo estágio de desenvolvimento do empreendimento.
“Fiquei muito bem impressionado com o time de gestão da Meteoric. Foi uma surpresa muito positiva o quanto já foi feito, todo o processo de sondagem e a construção da planta piloto”, avaliou.

Técnicos do BNDES tiveram a oportunidade de conhecer como vai ser a operação da Meteoric, desde a extração das argilas iônicas ao processamento.
Sustentabilidade e comunidades entram na avaliação
Além das questões técnicas e financeiras, os aspectos socioambientais tiveram espaço relevante durante a visita do BNDES.
Durante as reuniões realizadas no escritório da Meteoric, os representantes do banco receberam informações sobre os programas de sustentabilidade da companhia, as medidas previstas para prevenção e mitigação de impactos ambientais e as ações de relacionamento com as comunidades próximas ao empreendimento, apresentadas pelos diretores da Meteoric, Paula Marlieri, Comunicação e Eder Santo, Sustentabilidade e Meio Ambiente.
Mariana Coutinho, da área de sustentabilidade do BNDES, explicou que o banco possui políticas específicas para avaliar projetos do setor mineral, considerando critérios ambientais, sociais e climáticos.
“A gente entende que a mineração de minerais críticos e terras raras é importante para o desenvolvimento do país e da indústria. Mas, ao mesmo tempo, temos uma preocupação muito grande com os impactos socioambientais desses projetos”, afirmou.
Segundo ela, a avaliação do banco considera o cumprimento de requisitos específicos e o acompanhamento das medidas adotadas pelas empresas.
“A gente vai no detalhe, na verificação de cada item, para saber se está sendo cumprido ou não”, explicou.
Mariana destacou que a visita permitiu conhecer de maneira aprofundada o planejamento da Meteoric e os processos envolvidos no desenvolvimento do projeto.
“Foi muito esclarecedor. Aprendi muito em relação ao processo e pude ver de perto o engajamento da equipe com as preocupações socioambientais”, relatou.
A representante do BNDES reforçou a importância de manter o compromisso com o território onde os empreendimentos serão implantados.
“O desenvolvimento da indústria é importante, mas também é fundamental se preocupar com a vegetação, os animais e, principalmente, com as pessoas do entorno,” ressaltou.

Paula Marlieri destacou que a companhia pretende construir um legado em Poços de Caldas fortalecendo o diálogo e ações estruturantes nas comunidades próximas ao empreendimento.
Meteoric vê visita como marco para o Projeto Caldeira
Para Marcelo Carvalho, diretor executivo da Meteoric no Brasil, a presença da comitiva representa um novo estágio no relacionamento institucional da companhia com o BNDES, iniciado há três anos.
“A visita foi um marco para o projeto, sem dúvida nenhuma. Conversamos com o BNDES desde o começo do projeto apresentando informações sobre a evolução do empreendimento, o licenciamento e o modelo de negócio”, afirmou.
Segundo Carvalho, a presença de profissionais das áreas de crédito, participações societárias, riscos, sustentabilidade e jurídica demonstra o aprofundamento das análises sobre as possibilidades de participação do banco no empreendimento.
O executivo explicou que a programação foi estruturada para apresentar o Projeto Caldeira em diferentes dimensões. Inicialmente, os especialistas da Meteoric detalharam os avanços técnicos e operacionais, os estudos desenvolvidos, o planejamento da implantação e as iniciativas de relacionamento comunitário.
Na sequência, a comitiva conheceu a planta piloto e visitou o mirante do Cristo, em Poços de Caldas, de onde pôde observar a dimensão territorial da caldeira vulcânica e compreender melhor a localização do empreendimento no contexto regional.
“Acho que conseguimos cobrir todas as etapas para dar segurança àqueles que poderão fazer um investimento no projeto”, explicou Carvalho.
Ele ressaltou que um dos objetivos da visita foi aproximar os especialistas do banco das equipes técnicas responsáveis pela execução do empreendimento.
“Eles já conheciam bastante a parte executiva, mas queriam interagir mais com o time técnico, conhecer quem está fazendo o trabalho e ver esse trabalho acontecendo. Essa visita marca justamente esse contato com quem realmente faz o projeto acontecer”, destacou.
As conversas entre a Meteoric e o BNDES abrangem diferentes possibilidades de apoio financeiro e de estruturação do empreendimento.
De acordo com Marcelo Carvalho, estão sendo discutidas alternativas de financiamento por dívida, participação societária e apoio à definição de soluções de infraestrutura necessárias à implantação do projeto.
“A gente está conversando com eles em várias linhas diferentes, tanto de investimento em dívida quanto em equity, além de uma ajuda estrutural para montar o projeto, identificar os melhores portos, as melhores linhas de energia e as melhores alternativas de financiamento”, explicou.
O executivo afirmou que a visita representa a consolidação de um relacionamento construído ao longo dos últimos anos e que a companhia espera avançar agora para as etapas de aprovação das operações financeiras em discussão.
“Essa visita coroa todo esse trabalho. Agora vamos para o próximo passo, que são as aprovações para financiamento”, disse. As negociações ainda dependem das avaliações e dos procedimentos de aprovação do banco.

A 1.686 metros de altitude, o topo da Serra de São Domingos guarda uma das panorâmicas mais bonitas do Sul de Minas. Lá de cima, do alto do Cristo Redentor, equipe do BNDES conseguiu enxergar o formato circular das montanhas que revelam a caldeira vulcânica onde Poços de Caldas nasceu.
Poços de Caldas ganha relevância na cadeia global de terras raras
A mobilização do BNDES ocorre em um momento de crescente interesse internacional por fontes alternativas de terras raras, minerais essenciais à fabricação de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e diversas aplicações industriais e de defesa.
A região de Poços de Caldas reúne condições geológicas que vêm atraindo investimentos em pesquisa mineral, desenvolvimento tecnológico e projetos voltados à produção desses elementos.
Nesse cenário, o avanço dos empreendimentos poderá representar uma oportunidade de diversificação econômica para o Sul de Minas, com perspectivas de geração de empregos, contratação de fornecedores locais, desenvolvimento de competências técnicas e ampliação da atividade industrial.
A transformação desse potencial em benefícios concretos, entretanto, dependerá da viabilidade econômica dos projetos, da obtenção das licenças necessárias, da estruturação dos investimentos e da capacidade de conciliar desenvolvimento mineral com proteção ambiental e diálogo com as comunidades.
A visita do BNDES ao Projeto Caldeira mostra que o interesse pelas terras raras brasileiras começa a avançar da avaliação do potencial geológico para discussões mais aprofundadas sobre tecnologia, financiamento e implantação industrial.













