Por Redação
A Anglo American poderá encerrar sua operação de níquel no Brasil caso os órgãos antitruste da União Europeia (UE) impeçam a venda dos ativos para a MMG, empresa de mineração e metais listada em Hong Kong. O alerta será feito nesta quinta-feira pelo diretor de operações da Anglo American no Brasil, Ruben Fernandes, durante uma audiência a portas fechadas com autoridades europeias, segundo comentários preparados e obtidos pela Reuters.
Fernandes e Cristina Morgan, diretora financeira da Anglo American no Brasil, tentarão convencer a Comissão Europeia de que a venda, avaliada em US$ 500 milhões, não prejudicará os produtores europeus de aço inoxidável.
A Comissão Europeia, órgão responsável pela defesa da concorrência no bloco, alertou no mês passado que a MMG poderia redirecionar parte do fornecimento de níquel para outros mercados, reduzindo a oferta disponível na Europa e prejudicando fabricantes de aço inoxidável. O processo ocorre em meio às preocupações da União Europeia com a dependência da China para o abastecimento de minerais considerados críticos.
Segundo os comentários preparados para a audiência, Fernandes deverá afirmar que a demora na análise regulatória já provocou incertezas para a operação no Brasil e que um eventual veto à transação poderia ter consequências significativas para os ativos.
“Reconhecendo que a MMG é o único comprador confiável que identificamos e considerando nosso compromisso de deixar o negócio de níquel há mais de dois anos, teremos poucas alternativas além de avançar para um processo de ‘care and maintenance’ como caminho para o encerramento da operação caso a Comissão proíba a venda para a MMG”, dirá Fernandes, de acordo com o documento visto pela Reuters.
O termo “care and maintenance” é utilizado pela indústria de mineração para descrever a manutenção de uma mina em condições mínimas de operação, sem produção regular, enquanto se avalia seu futuro.
Fernandes também deverá argumentar que existe a possibilidade de encontrar uma solução que atenda às preocupações apresentadas pelas autoridades europeias e permita a conclusão da transação.
Cristina Morgan, por sua vez, deverá destacar perante a Comissão Europeia a experiência da MMG e sua capacidade de continuar fornecendo níquel aos clientes europeus.
“O processo de seleção analisou as capacidades operacionais e o histórico de atuação responsável dos potenciais compradores, a capacidade de desenvolver projetos futuros e os planos para nossos funcionários, o valor oferecido, além da capacidade de financiar a aquisição”, afirmará Morgan.
Ela também deverá ressaltar que a MMG é integrante do Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM, na sigla em inglês), organização que reúne empresas do setor.
“A MMG é uma empresa integrante do ICMM, é bem conhecida por nós e possui um histórico de atuação responsável, além de oferecer valor viável para o investimento”, dirá Morgan, segundo os comentários preparados.
A MMG também estará representada na audiência. Troy Hey, gerente-geral executivo de relações corporativas da companhia, deverá apresentar aos altos funcionários e advogados da Comissão Europeia os argumentos favoráveis à operação.
A venda dos ativos de níquel faz parte da estratégia da Anglo American de deixar o negócio de níquel. A companhia avalia que a conclusão da transação com a MMG depende agora da aprovação das autoridades europeias de defesa da concorrência.













