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Por Ricardo Lima
O custo de capital inicial do Projeto Carina, da Aclara Resources, foi estimado em US$ 780,9 milhões, sendo US$ 678,2 milhões em capex de construção e US$ 102,7 milhões em contingência, conforme resultados atualizados do estudo de viabilidade divulgados nesta segunda-feira (13). O valor representa o investimento necessário para a implantação do projeto de terras raras e é US$ 100,4 milhões superior ao previsto no estudo de pré-viabilidade.
Segundo a empresa, o aumento se deve principalmente em função do câmbio , da inflação e do maior nível de precisão da engenharia. O projeto, localizado em Goiás, apresenta indicadores que apontam para alta rentabilidade, com valor estimado de geração de caixa de cerca de US$ 1,7 bilhão ao longo de sua vida útil, já descontados impostos. Pelas projeções, a taxa de retorno é de 26,9% ao ano, e o investimento inicial pode ser recuperado em aproximadamente 2,9 anos de operação.
O estudo aponta receita líquida média anual de US$ 599 milhões e EBITDA médio de aproximadamente US$ 460 milhões ao longo da vida útil da mina, estimada em 18 anos. A produção média anual projetada é de 4.378 toneladas de óxidos de terras raras, contidos em um concentrado misto, com elementos de alto valor como disprósio e térbio, além de neodímio e praseodímio.
Segundo a companhia, para viabilizar o processamento completo do concentrado, foi considerado um custo médio anual de US$ 314,4 milhões, equivalente a 34% da receita bruta, referente à separação dos elementos de terras raras. A estratégia da companhia prevê o pagamento dessa etapa a uma futura unidade de separação na Louisiana, nos Estados Unidos.
O cronograma do projeto indica o início das obras preliminares no terceiro trimestre de 2026, incluindo a construção de acampamentos, melhorias viárias e infraestrutura auxiliar. Essas intervenções devem preparar o local para uma fase de construção acelerada a partir de 2027, com início do comissionamento previsto para o primeiro semestre de 2028.
A empresa destaca ainda o suporte financeiro e operacional de acionistas estratégicos, como a Hochschild Mining e o grupo CAP, além do compromisso da U.S. International Development Finance Corporation (DFC), que disponibilizou até US$ 5 milhões para o desenvolvimento do estudo de viabilidade. A instituição também mantém opção preferencial para futuros aportes, caso sejam estruturadas captações superiores a US$ 50 milhões em uma única operação ou US$ 75 milhões em múltiplos eventos em até 12 meses.
De acordo com a companhia, o Projeto Carina integra uma estratégia mais ampla de verticalização, que inclui processamento nos Estados Unidos e fornecimento de insumos para a cadeia de ímãs permanentes, essenciais para setores de alta tecnologia.
O Brasil, que detém atualmente a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, é visto como um polo estratégico para esse mercado.











