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Por Ígnea
Esta análise técnica examina os dados consolidados dos Requerimentos de Lavra protocolizados nas Gerências Regionais da Agência Nacional de Mineração (ANM) durante o primeiro trimestre de 2026 (janeiro a março). Os dados foram extraídos do Sistema Cadastro Mineiro e refletem o volume de projetos que ultrapassaram a fase de pesquisa e ingressaram na etapa de viabilidade econômica.
Análise Técnica dos Requerimentos
O Requerimento de Lavra é o ato administrativo pelo qual o minerador, após a aprovação do Relatório Final de Pesquisa, apresenta o Plano de Aproveitamento Econômico (PAE) para obter o direito de extração.
O primeiro trimestre de 2026 encerrou com um total de 223 requerimentos de lavra protocolizados em todo o território nacional. Este volume é um indicador para o setor, pois sinaliza onde novos investimentos operacionais serão concentrados nos próximos anos.
A análise dos números fornecidos pela ANM revela uma dinâmica de mercado que privilegia estados com infraestrutura consolidada e forte demanda por minerais industriais.
1. A Liderança de Minas Gerais
Com 55 requerimentos(24,7% do share nacional), a Gerência Regional de Minas Gerais mantém sua posição como o principal polo de maturação de projetos minerais no país.
- Análise Técnica: O volume reflete não apenas o setor de metálicos, mas uma forte movimentação em minerais industriais e rochas ornamentais.
- Contexto Jurídico: O alto fluxo em MG exige das empresas uma instrução processual impecável, uma vez que o volume de protocolos pode impactar o tempo médio de análise da Gerência.

Imagem: Ígnea.
2. Sul-Sudeste: Construção Civil e Agronegócio
Um dos dados mais relevantes deste ciclo é a consolidação do Paraná (2º lugar – 11,7%), seguido de perto por São Paulo (4º lugar – 9,4%) e Santa Catarina (5º lugar – 9,0%).
Essa tríade representa mais de 30% das intenções de lavra no país, um movimento impulsionado diretamente pela demanda de agregados para construção civil e insumos agrícolas (como o calcário), evidenciando o alinhamento da mineração com a infraestrutura urbana e o agronegócio regional.
3. Dinâmica Regional: Top 10 das Gerências (Jan-Mar 2026)
De acordo com os dados oficiais revisados da ANM, este é o cenário de protocolos por estado:
Posição | Gerência Regional | Requerimentos | Share (%) |
| 1ª | Minas Gerais | 55 | 24,7% |
| 2ª | Paraná | 26 | 11,7% |
| 3ª | Goiás / DF | 22 | 9,9% |
| 4ª | São Paulo | 21 | 9,4% |
| 5ª | Santa Catarina | 20 | 9,0% |
| 6ª | Rio Grande do Sul | 17 | 7,6% |
| 7ª | Ceará | 12 | 5,4% |
| 8ª | Espírito Santo | 11 | 4,9% |
| 9ª | Rio Grande do Norte | 10 | 4,5% |
| 10ª | Mato Grosso | 9 | 4,0% |
4. Região Norte
A análise técnica revela um vácuo de novos protocolos de lavra em estados com grande potencial geológico, como Amazonas, Amapá, Roraima e Tocantins, que registraram baixíssima ou nenhuma atividade de novos requerimentos no período.
Esse cenário aponta para desafios persistentes nestas fronteiras, que vão desde a complexidade logística até o rigoroso processo de licenciamento ambiental, o que acaba dilatando o tempo entre a conclusão da pesquisa e o efetivo protocolo do pedido de lavra.
5. Nordeste: Rochas Ornamentais e Pegmatitos
O Ceará (7º lugar – 5,4%) e o Rio Grande do Norte (9º lugar – 4,5%) demonstram a força do Nordeste na produção de rochas ornamentais e minerais industriais específicos, mantendo um fluxo constante de renovação de títulos minerários.
O Requerimento de Lavra é o “ponto de não retorno” para o investimento mineral. A partir deste protocolo, o minerador assume obrigações temporais perante a ANM e os órgãos ambientais. A qualidade técnica do PAE submetido nestes 223 processos é o que determinará a celeridade da outorga. A precisão geológica e a conformidade técnica são os maiores ativos do empreendedor para garantir a segurança jurídica de seu ativo.













