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Por Redação
Aos 74 anos, Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira chega à presidência do conselho de administração da Vale carregando uma trajetória construída muito mais pela técnica do que pela exposição pública. Conhecido no mercado como Ollie, o conselheiro independente reúne mais de quatro décadas de experiência em finanças corporativas, com passagens por algumas das maiores empresas globais de mineração. Colegas o descrevem como um executivo sério e discreto, características que contrastam com a intensa disputa de governança que antecedeu sua eleição para o comando do colegiado.
Formado em Contabilidade e Economia de Negócios pela Universidade de Natal-Durban, na África do Sul, em 1973, Ollie aprofundou seus estudos em Teoria Contábil dois anos depois. Também é contador certificado por instituições profissionais da África do Sul e do Reino Unido, credenciais que sustentam sua atuação nas áreas de finanças e governança corporativa.
Sua carreira foi construída em empresas ligadas ao setor mineral. Na Anglo American e na De Beers, ocupou posições de liderança financeira, acumulando experiência em operações internacionais e também no Brasil. Ao longo desse percurso, trabalhou em áreas ligadas à auditoria, controles internos e gestão de riscos corporativos.
Ao longo da carreira, passou a integrar conselhos de empresas do setor de mineração e recursos naturais. Seu currículo inclui participações em companhias como Antofagasta, Polymetal International e Dominion Diamond Mines. Também passou pelo conselho da gestora BlackRock World Mining Trust e assumiu a presidência não executiva da mineradora britânica Jubilee Metals Group, ampliando sua atuação para além das funções estritamente financeiras.
Na Vale, Ollie ingressou como conselheiro independente em 2021. Desde então, passou a ocupar funções ligadas à estrutura de governança da companhia. Em 2023, tornou-se Lead Independent Director, coordenou o Comitê de Auditoria e Riscos e, em maio de 2025, passou a integrar também o Comitê de Sustentabilidade.
Sua ascensão à presidência do conselho, porém, ocorreu em meio a um ambiente de forte tensão entre diferentes grupos de interesse. Durante o processo de sucessão, surgiram debates públicos sobre os rumos da governança da companhia. Um dos episódios envolveu a possibilidade de uma parceria no negócio de minério de ferro com o empresário Joesley Batista. Após reportagem do jornal O Globo indicar que Ollie teria sugerido avaliar a operação, a Vale informou que não seguiria com o investimento, transformando o tema em mais um elemento da disputa pela presidência do colegiado.
Outro capítulo desse processo envolveu a investigação aberta pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre as circunstâncias da renúncia do então presidente do conselho, Daniel Stieler. Segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico, o caso inclui a análise de um acordo de compensação financeira relacionado ao pedido de saída. Paralelamente, a Previ defendeu a escolha de Ollie sob o argumento de que um presidente independente contribuiria para tornar mais transparente a elaboração da futura lista de candidatos ao conselho, prevista para 2027. Investidores privados, por sua vez, levaram questionamentos ao regulador sobre a atuação do fundo durante o processo.
Mesmo cercado por um cenário de disputas, Ollie manteve o perfil descrito por colegas ao longo da carreira: reservado, técnico e distante dos holofotes. Sua trajetória foi construída principalmente em conselhos de administração, comitês de auditoria e estruturas de governança, mais do que em posições de exposição pública.
Com mandato no conselho até abril de 2027, Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira assume a presidência em um período em que as discussões sobre governança devem permanecer no centro das atenções da Vale. Caberá à nova gestão conduzir o colegiado em meio às expectativas dos diferentes grupos de acionistas e ao processo de renovação previsto para 2027.













