Por Warley Pereira
O desempenho da mineração e da extração de petróleo tem sido fundamental para sustentar a atividade industrial brasileira em um cenário de enfraquecimento da indústria de transformação. A avaliação é do diretor executivo do Instituto Mauro Borges (IMB), Eric Figueiredo, que chama atenção para a crescente importância da indústria extrativa na economia nacional e questiona o tratamento tributário dispensado ao setor mineral.
Em entrevista ao Minera Brasil, Figueiredo destacou que a indústria brasileira enfrenta dificuldades estruturais desde meados da década passada, mas que os resultados mais recentes evidenciam um contraste entre o desempenho das atividades extrativas e o da indústria de transformação.
Ele apresentou uma análise de dados do IBGE de janeiro até setembro mostrando que a indústria de transformação recuou 1,3% em relação ao mês anterior e 3,8% na comparação anual. Entre os segmentos com desempenho negativo estão derivados de petróleo (-4,2%), móveis (-3,4%), produtos farmacêuticos (-3,1%), minerais não metálicos (-2,6%) e máquinas e equipamentos (-2,1%).
Em sentido contrário, a indústria extrativa registrou crescimento de 1,7% no mês, impulsionada pelo avanço da extração de petróleo (+1%) e de minérios (+1,1%).
Para o economista, os números reforçam a importância da mineração e do petróleo na sustentação da atividade industrial.
“Se não fosse a indústria extrativa, em especial a mineração e o petróleo, nossa indústria já estaria trabalhando negativamente, com perda de produção”, afirmou.
Segundo Figueiredo, a análise dos indicadores oficiais revela que o setor extrativo tem contribuído para compensar parte das perdas registradas em outros segmentos industriais.
Mineração é estratégica, mas enfrenta contradição tributária
O diretor executivo do Instituto Mauro Borges considera contraditório que a mineração, responsável pelo fornecimento de matérias-primas essenciais à indústria e à transição energética, esteja entre as atividades alcançadas pelo Imposto Seletivo previsto na reforma tributária.
Para ele, a discussão vai além dos resultados conjunturais da produção industrial e envolve o reconhecimento do papel estratégico da mineração na economia brasileira.
“A mineração tem um papel central na transição energética. O setor não é só importante para o município onde está. Ela é importante para uma agenda global de transição energética”, destacou.
Figueiredo questionou a previsão de tributação seletiva sobre a extração mineral, cuja alíquota poderá chegar a 1%, conforme as regras definitivas a serem estabelecidas.
A Medida Provisória 1.399/2026, publicada pelo governo federal, fixou alíquota zero para os bens minerais extraídos até dezembro de 2027. A tributação a partir de 2028 dependerá de nova definição legislativa.
Para Figueiredo a discussão sobre a cobrança precisa considerar a contribuição do setor para a produção industrial, o desenvolvimento tecnológico e o fornecimento de minerais necessários à descarbonização.
“Você está criando um imposto para um setor essencial, tratando-o como um setor que não contribui para o desenvolvimento do Brasil”, criticou.
Terras raras ampliam potencial econômico de Goiás
Ao analisar as perspectivas regionais, Figueiredo destacou que Goiás possui condições para ampliar significativamente sua participação na produção mineral brasileira, especialmente com o desenvolvimento de projetos de terras raras.
Segundo ele, a mineração no estado vem evoluindo, mas ainda não alcançou todo o potencial econômico esperado.
O diretor executivo do IMB considera que o desenvolvimento de novos depósitos minerais poderá representar uma das principais oportunidades de crescimento da economia goiana nas próximas décadas.
Ao ser questionado sobre a importância da mineração em comparação com o agronegócio, tradicional motor da economia estadual, Figueiredo afirmou que os dois setores podem apresentar potencial econômico comparável no longo prazo.
“Eu acho que empatado com o agro, de uma forma bem surpreendente”, avaliou.
Para ele, transformar esse potencial em resultados concretos dependerá de planejamento, desenvolvimento dos projetos e políticas capazes de atrair investimentos.
O Instituto Mauro Borges acompanha mensalmente os indicadores da economia brasileira e de Goiás, utilizando os resultados nacionais como referência para avaliar as tendências da atividade econômica estadual.
Na avaliação de Figueiredo, o desempenho recente da indústria brasileira reforça a necessidade de reconhecer a mineração não apenas como fornecedora de matérias-primas, mas como um dos setores estratégicos para o crescimento econômico, a competitividade industrial e a transição energética.














