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Meteoric confirma viabilidade do Projeto Caldeira e coloca o Brasil como player global na produção de terras raras

Definitive Feasibility Study confirma empreendimento com mais de 20 anos de vida útil, produção média de 12,5 mil toneladas anuais de óxidos de terras raras

3 de agosto de 2026
em Empresas
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Meteoric confirma viabilidade do Projeto Caldeira e coloca o Brasil como player global na produção de terras raras

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Por Redação

A australiana Meteoric Resources concluiu o Definitive Feasibility Study (DFS) do Projeto Caldeira, em Minas Gerais, etapa considerada decisiva para a implantação de um dos maiores projetos de terras raras em argilas iônicas fora da China. O estudo confirma a viabilidade técnica e econômica do empreendimento, amplia o nível de detalhamento da engenharia, consolida as reservas minerais que sustentam o plano de lavra e reforça os indicadores financeiros que deverão embasar a decisão final de investimento (FID) e a estruturação do financiamento do projeto.

Em relação ao Pre-Feasibility Study (PFS), divulgado em 2025, o estudo definitivo marca a transição do projeto para uma fase de maior maturidade. Além de incorporar um volume significativamente maior de informações geológicas, metalúrgicas e operacionais, o DFS atualiza parâmetros de produção, custos e investimentos com base em engenharia mais detalhada e campanhas adicionais de testes, reduzindo incertezas técnicas e oferecendo maior previsibilidade para a futura operação.

O plano de produção passa a ser integralmente sustentado por reservas prováveis e prevê uma operação com vida útil inicial superior a duas décadas. Ao longo desse período, a expectativa é produzir aproximadamente 287 mil toneladas de óxidos de terras raras (REO), incluindo cerca de 88,8 mil toneladas de neodímio e praseodímio (NdPr) e quase 3 mil toneladas de disprósio e térbio (DyTb), elementos considerados críticos para a fabricação de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica, equipamentos eletrônicos e aplicações de defesa.

Engenharia mais detalhada reduz riscos do empreendimento

Uma das principais diferenças entre o PFS e o DFS está no aprofundamento dos estudos técnicos que sustentam o projeto.

Nos últimos anos, a Meteoric ampliou significativamente a base de informações sobre o depósito mineral, realizando aproximadamente 4.400 furos de sondagem, que totalizaram cerca de 90 mil metros perfurados, além da análise de mais de 55 mil amostras. Paralelamente, desenvolveu um extenso programa de testes metalúrgicos, incluindo ensaios laboratoriais, validação de equipamentos industriais e seis meses de operação contínua de uma planta-piloto construída especificamente para o Projeto Caldeira.

Os resultados desse trabalho permitiram otimizar o fluxograma de processamento, validar índices de recuperação dos elementos de terras raras e aumentar a precisão das estimativas de capital e custos operacionais. O estudo informa que o projeto alcançou padrão de estimativa AACE Classe 3, normalmente adotado em empreendimentos que se aproximam da fase de construção, com margem de precisão significativamente superior à existente na etapa de pré-viabilidade.

Como resume a própria apresentação do estudo, em tradução livre, “o elevado volume de testes e análises foi aplicado diretamente à estratégia operacional e às estimativas de custos”, evidenciando que o refinamento técnico obtido entre o PFS e o DFS serviu de base para a definição do projeto final.

Reservas consolidadas ampliam a confiança no plano de lavra

Outro avanço importante do estudo definitivo é a consolidação das reservas minerais que sustentam o cronograma operacional.

O DFS informa recursos minerais superiores a 1,6 bilhão de toneladas, dos quais 703 milhões de toneladas estão classificados como Medidos e Indicados. As reservas prováveis somam 151 milhões de toneladas, com teor médio de 3.524 partes por milhão (ppm) de TREO, volume suficiente para sustentar integralmente o plano de produção previsto para mais de 20 anos de operação.

O estudo também reforça que apenas cerca de 10% das licenças minerárias pertencentes ao projeto foram efetivamente exploradas até o momento, indicando potencial para expansão futura dos recursos e eventual prolongamento da vida útil da mina.

Além da escala do depósito, o projeto reúne características operacionais que contribuem para sua competitividade. Entre elas estão a baixa relação estéril/minério, a possibilidade de lavra em material de escavação livre (“free dig”), o retorno do material processado às cavas e a inexistência de barragens convencionais de rejeitos, substituídas pelo empilhamento a seco das argilas tratadas. Essas soluções reduzem tanto os custos operacionais quanto parte dos desafios ambientais normalmente associados a grandes projetos minerais.

Revisão do investimento acompanha amadurecimento da engenharia

Se o DFS amplia a confiança técnica no Projeto Caldeira, ele também atualiza um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado: o investimento necessário para colocar a operação em funcionamento.

O estudo definitivo estima um CAPEX total de US$ 498,4 milhões, incluindo contingências, valor superior ao projetado no PFS. A diferença, entretanto, não decorre de mudanças no conceito do empreendimento, mas do aprofundamento da engenharia e da incorporação de investimentos que não estavam totalmente detalhados na etapa anterior.

Entre os fatores apontados pela Meteoric estão a inclusão da capacidade de processamento integral do minério (“whole-of-ore”), a implantação de um sistema de recuperação de água para reduzir o consumo hídrico e atender às exigências ambientais, além da atualização cambial e inflacionária registrada desde o estudo preliminar. Segundo a empresa, somente esse último fator acrescentou aproximadamente US$ 73 milhões ao orçamento do projeto.

Esse tipo de revisão é considerado comum na evolução de projetos minerais. Enquanto o PFS trabalha com premissas conceituais, o DFS incorpora projetos de engenharia mais detalhados, cotações de fornecedores, definição de equipamentos, contingências e planejamento executivo, produzindo estimativas mais próximas da realidade de implantação.

Indicadores financeiros seguem robustos

Mesmo com a atualização do investimento inicial, o estudo definitivo mantém indicadores econômicos considerados competitivos para um projeto de minerais críticos de longo prazo.

No cenário baseado nos preços atuais de mercado (“spot”), o Projeto Caldeira apresenta Valor Presente Líquido (NPV) pós-impostos de US$ 847 milhões, Taxa Interna de Retorno (IRR) de 24% e geração acumulada de aproximadamente US$ 3,2 bilhões em fluxo de caixa operacional durante a vida útil da mina. Considerando as projeções futuras de preços utilizadas pela empresa, o NPV sobe para US$ 2,72 bilhões, enquanto a IRR alcança 47%, reduzindo o prazo estimado de retorno do investimento de quatro para dois anos após o início da produção.

Os números reforçam a avaliação de que, apesar da revisão do CAPEX, o empreendimento preserva uma relação favorável entre investimento, geração de caixa e rentabilidade, especialmente diante da expectativa de crescimento da demanda global por elementos magnéticos de terras raras.

Baixo custo operacional permanece um diferencial competitivo

Outro aspecto preservado entre o PFS e o estudo definitivo é a expectativa de operação com custos relativamente baixos em comparação a outros projetos internacionais de terras raras.

O DFS estima um custo operacional médio de US$ 11,68 por quilograma de TREO ao longo da vida útil da mina. Já o custo líquido para produção de neodímio e praseodímio, descontadas as receitas obtidas com os demais elementos comercializados, é estimado em aproximadamente US$ 27 por quilograma.

A maior parte da receita deverá vir justamente dos chamados elementos magnéticos. Segundo o estudo, cerca de 96% da receita projetada será proveniente da comercialização de neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, matérias-primas consideradas estratégicas para a fabricação de ímãs permanentes utilizados nas cadeias globais de veículos elétricos, geração de energia eólica, robótica, eletrônicos avançados e equipamentos de defesa.

Além disso, o processo de beneficiamento proposto utiliza lixiviação com sulfato de amônio em temperatura e pressão ambiente, prevê reciclagem de aproximadamente 85% da água e 90% do reagente, além de eliminar a necessidade de barragens convencionais de rejeitos, fatores que contribuem tanto para a redução dos custos quanto para o desempenho ambiental do empreendimento.

Financiamento e contratos de fornecimento serão os próximos marcos

Concluído o estudo definitivo, o foco da Meteoric passa a ser a viabilização financeira do Projeto Caldeira.

A companhia informa manter memorandos de entendimento não vinculantes com a POSCO International, a Neo Performance Materials e a Ucore Rare Metals para futuros contratos de fornecimento de concentrado de terras raras. Paralelamente, negocia uma estrutura de financiamento que deverá combinar recursos de agências de crédito à exportação, bancos e investidores estratégicos.

Embora esses entendimentos ainda não representem contratos definitivos, a conclusão do DFS é considerada uma etapa fundamental para avançar nas negociações comerciais e financeiras que antecedem a decisão final de investimento.

O cronograma da empresa prevê a obtenção da Licença de Instalação (LI) até o quarto trimestre de 2026. A partir daí, deverão ser iniciadas as obras da planta de processamento, o desenvolvimento da mina e as etapas de comissionamento. Em paralelo, a Meteoric também avalia a implantação, no Brasil, de instalações voltadas à separação dos elementos de terras raras, ampliando o valor agregado da produção nacional.

Projeto avança para uma nova etapa

A divulgação do Definitive Feasibility Study representa a principal evolução do Projeto Caldeira desde a apresentação do estudo de pré-viabilidade. Se o PFS demonstrava o potencial econômico do depósito, o DFS consolida esse potencial com um nível muito maior de detalhamento técnico, geológico e operacional, oferecendo maior previsibilidade sobre custos, cronograma e desempenho produtivo.

Ao mesmo tempo em que confirma a competitividade do empreendimento, o estudo evidencia o amadurecimento natural do projeto, refletido em estimativas de investimento mais precisas e em um plano de desenvolvimento respaldado por reservas minerais, testes industriais e engenharia detalhada.

Caso consiga converter as negociações de financiamento e de fornecimento em contratos vinculantes e cumprir o cronograma regulatório previsto, a Meteoric poderá posicionar o Projeto Caldeira entre os principais fornecedores ocidentais de terras raras provenientes de argilas iônicas, fortalecendo a participação do Brasil em uma cadeia produtiva considerada estratégica para a transição energética, a indústria de alta tecnologia e os setores de defesa.

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