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Por Redação
O avanço de projetos de mineração e a consolidação de novas cadeias globais de minerais críticos dominaram os debates durante o 3º Brazil Lithium & Critical Minerals Summit 2026, em Belo Horizonte. O encontro reuniu executivos, especialistas e representantes do setor para discutir desde o ambiente regulatório até as oportunidades abertas pela transição energética e pela reorganização das cadeias globais de suprimento.
A presidente do Conselho da Associação dos Minerais Críticos (AMC) e diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS Brasil, Marisa Cesar, destacou que o avanço do setor depende de políticas públicas capazes de criar condições de competitividade.
Segundo ela, a estrutura regulatória e os mecanismos de incentivo serão determinantes para viabilizar novos projetos em minerais críticos e estratégicos no país. “Precisa ter uma política, porque a gente também vai precisar de benefícios que sejam minimamente capazes de fazer determinadas compensações para se tornar competitivo”, afirmou.
Na avaliação do CEO da Graph+, Guilherme Jácome, o movimento atual do setor aponta para a construção de uma nova cadeia global de mineração, refino e industrialização fora da China.
Ele destacou que o Brasil pode desempenhar papel relevante nesse redesenho geopolítico das cadeias de suprimento.
“O que nós estamos tentando construir é uma nova cadeia de mineração, refino e industrialização fora da China. O Brasil está muito bem posicionado como um competidor para fornecer uma cadeia confiável de minerais críticos para o Ocidente”, afirmou.
O diretor executivo da Graphicoa, Ricardo Alves, reforçou a perspectiva de crescimento acelerado da demanda por grafite, um dos insumos essenciais para baterias e tecnologias de transição energética.
Segundo ele, o mercado projeta uma expansão significativa já nos próximos anos. “A demanda por grafite vai mais do que dobrar nos próximos sete anos. Isso justifica o investimento e o posicionamento nessa cadeia de minerais de transição”, disse.

A terceira edição doBrazil Lithium & Critical Minerals Summit 2026, reuniu representantes de diversos países em Belo Horizonte
Complexidade da cadeia e gargalos regulatórios
O professor da UFRJ, Rossandro Ramos, chamou atenção para a complexidade envolvida na transformação do minério bruto em concentrados e produtos intermediários da cadeia mineral.
Ele também destacou a falta de compreensão sobre etapas industriais do setor. “Muitas vezes se fala de concentrado sem saber o que é concentrado”, afirmou.
Já o diretor ESG da Atlantic Nickel, Gilcimar Oliveira, apontou entraves institucionais como um dos principais desafios para o avanço dos projetos no país, especialmente pela sobreposição de competências entre esferas de governo.
Segundo ele, a falta de coordenação ainda impacta a previsibilidade e a velocidade de implantação de novos empreendimentos. “Existe uma sobreposição de competências no nível federal e estadual que ainda precisa ser resolvida para dar mais celeridade aos processos.”
Ao longo do painel, o consenso entre os participantes foi de que o Brasil possui condições estratégicas para se consolidar como plataforma relevante na cadeia global de minerais críticos, mas ainda enfrenta desafios regulatórios e institucionais para destravar investimentos para produzir em escala.
A avaliação geral é de que a combinação entre aumento de demanda, reorganização das cadeias de suprimento abre uma janela de oportunidade, mas a captura desse ciclo dependerá da capacidade do país de estruturar um ambiente mais favorável para projetos de minerais críticos.













