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Por Redação
A AngloGold Ashanti encerrou o segundo trimestre de 2026 com crescimento de 36% no fluxo de caixa livre, que atingiu US$ 727 milhões, e aumento de 46% no EBITDA, para US$ 2 bilhões, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo a companhia, o desempenho fortaleceu a estrutura financeira do grupo, permitiu ampliar a remuneração aos acionistas e sustentou a manutenção das projeções operacionais para o restante de 2026.
O balanço também mostra que a mineradora encerrou o primeiro semestre com caixa líquido de US$ 991 milhões, revertendo a posição de dívida líquida de US$ 311 milhões registrada em junho de 2025. Além disso, foi anunciado um dividendo intermediário de US$ 364 milhões, equivalente a US$ 0,72 por ação, enquanto os acionistas aprovaram um programa de recompra de ações de até US$ 2 bilhões.
“O resultado demonstra a forte capacidade de geração de caixa dos nossos ativos e a resiliência do nosso portfólio. Permanecemos focados em administrar os fatores sob nosso controle para otimizar as margens enquanto avançamos para um aumento da produção no segundo semestre do ano”, afirmou o presidente-executivo da companhia, Alberto Calderon.
Rentabilidade cresce mesmo com aumento dos tributos
De acordo com a empresa, a geração operacional de caixa alcançou US$ 1,8 bilhão entre abril e junho, crescimento de 49% sobre os US$ 1,2 bilhão registrados no mesmo período de 2025.
O lucro operacional medido pelo EBITDA somou US$ 2 bilhões, alta anual de 46%, enquanto o lucro recorrente atingiu US$ 1 bilhão, avanço de 58% frente aos US$ 639 milhões registrados um ano antes. Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado pela disciplina na gestão de custos e pelo aumento de 35% no preço médio realizado do ouro, que alcançou US$ 4.446 por onça.
Apesar da melhora dos resultados, os pagamentos de impostos mais que dobraram no trimestre, chegando a US$ 542 milhões, ante US$ 237 milhões no segundo trimestre de 2025. A empresa atribui esse aumento aos preços mais elevados do ouro, à maior lucratividade e ao calendário de recolhimento de tributos nos países onde atua.
No acumulado do primeiro semestre, o fluxo de caixa livre ultrapassou US$ 1,9 bilhão, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
Balanço reforçado e retorno aos acionistas
Segundo a AngloGold Ashanti, a posição financeira foi fortalecida pela geração de caixa e pela recompra de aproximadamente US$ 666 milhões em títulos de dívida concluída em abril. A operação reduziu o endividamento bruto, diminuiu despesas futuras com juros e eliminou parte dos vencimentos previstos para 2028 e 2030.
Além do pagamento de dividendos, a companhia informou que os acionistas aprovaram, em julho, um programa de recompra de ações de até US$ 2 bilhões, que passa a complementar a política de remuneração aos investidores.
A empresa afirmou ainda que a estrutura de capital continua permitindo investimentos em segurança operacional e nos projetos de expansão considerados prioritários.
Produção recua, mas empresa prevê recuperação no segundo semestre
A produção de ouro da companhia totalizou 744 mil onças no segundo trimestre, abaixo das 804 mil onças registradas um ano antes.
Segundo a empresa, a queda reflete principalmente a venda da operação Serra Grande, concluída no fim de 2025, a menor produção da mina de Obuasi, em Gana, após o acidente fatal envolvendo um prestador de serviços em abril, além de paradas programadas de manutenção e mudanças no sequenciamento de lavra em algumas minas.
Mesmo assim, a companhia manteve a expectativa de aumento da produção na segunda metade de 2026.
Pressões externas elevam custos
Os custos continuaram pressionados por fatores macroeconômicos. O custo caixa total por onça produzida passou de US$ 1.226 para US$ 1.480 entre os segundos trimestres de 2025 e 2026.
Segundo a AngloGold Ashanti, os principais fatores foram o aumento das royalties atreladas ao preço do ouro, a inflação de custos trabalhistas e de serviços de mineração, a valorização de moedas como o real brasileiro, o dólar australiano e o cedi ganês frente ao dólar americano, além da alta do petróleo provocada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.
Ainda assim, a companhia informou que seu programa de ganhos de eficiência operacional reduziu em US$ 20 por onça os custos controláveis nas operações administradas pela empresa durante o primeiro semestre.
Já o custo total de sustentação (AISC) subiu para US$ 2.039 por onça, impulsionado pelo menor volume de vendas e pelo aumento dos investimentos de manutenção.
Investimentos avançam em projetos de crescimento
Os investimentos considerados não recorrentes dobraram no trimestre, alcançando US$ 217 milhões. Segundo a empresa, os recursos foram destinados principalmente à ampliação das reservas minerais, extensão da vida útil das minas e desenvolvimento de projetos de crescimento.
A companhia informou ainda que identificou oportunidades de expansão em minas já existentes, como Obuasi, Geita, Sukari, Siguiri e Cuiabá, com potencial para elevar a produção a partir de 2029, utilizando infraestrutura já instalada.
Também seguem em desenvolvimento os projetos North Bullfrog e Arthur Gold, localizados no estado de Nevada, nos Estados Unidos.
“Nós temos duas grandes vantagens: projetos de crescimento de classe mundial em Nevada e uma enorme quantidade de valor ainda não explorado dentro das nossas minas atuais. Nossa prioridade é destravar esse potencial, aumentando a produção, estendendo a vida útil das operações e reduzindo custos unitários por meio da expansão da capacidade e do uso da infraestrutura existente“, afirmou Calderon.














