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Por Ricardo Lima
A mineradora australiana St George Mining anunciou nesta terça-feira (3) uma ampliação de 75% na estimativa de recursos minerais do Projeto Araxá, em Minas Gerais. A nova estimativa totaliza 70,91 milhões de toneladas com teor médio de 4,06% de óxidos totais de terras raras (TREO) e 0,62% de óxido de nióbio (Nb₂O₅), considerando teor de corte de 2% de TREO. Antes da atualização, o volume estimado era de cerca de 40 milhões de toneladas.
Além do recurso principal reportado com base em TREO, a companhia informou que uma modelagem específica para nióbio identificou 24,56 milhões de toneladas adicionais, com teor médio de 0,52% de Nb₂O₅, considerando corte de 0,2% e sem sobreposição com os blocos já contabilizados. Com isso, o projeto passa a reunir aproximadamente 95 milhões de toneladas em recursos minerais combinados.
A estimativa foi elaborada conforme o padrão internacional JORC 2012, com modelagem conduzida pela consultoria SRK Consulting, e incorpora resultados da campanha de sondagem iniciada em julho de 2025.
O volume classificado nas categorias Medido e Indicado, que apresentam maior grau de confiança geológica, cresceu 218% e alcançou 29,49 milhões de toneladas, com teores médios de 4,56% de TREO e 0,75% de Nb₂O₅. Outros 41,42 milhões de toneladas permanecem na categoria Inferido.
Segundo a empresa, o aumento da parcela em categorias de maior confiabilidade reduz o risco do projeto e fortalece a base para futuros estudos de viabilidade econômica. O chefe executivo da companhia, John Prineas, afirmou que a atualização representa um marco para o ativo brasileiro.
“Hoje anunciamos uma grande atualização no tamanho e na qualidade do recurso em Araxá, o que confirma a natureza de classe mundial do nosso principal ativo”, declarou.
Ele acrescentou que o novo volume coloca o projeto em posição competitiva frente a depósitos operados por grandes grupos globais, como a americana MP Materials, responsável pela mina Mountain Pass Mine, e a australiana Lynas Rare Earths, que controla a Mount Weld Mine, duas das principais produtoras fora da China.
Segundo a Reuters, o projeto Araxá foi adquirido integralmente pela St George em fevereiro de 2025 e está localizado ao lado das operações de nióbio da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM). A companhia também informou ter obtido do governo de Minas Gerais um regime fiscal preferencial voltado à redução dos custos de desenvolvimento.
Potencial de expansão
A estimativa atual ainda não incorpora 44 furos de sondagem concluídos, dos quais 28 aguardam resultados laboratoriais, nem outros 50 planejados para os próximos dois meses, que devem somar cerca de 5.000 metros adicionais de perfuração. Também ficou de fora a descoberta conhecida como East Araxá, localizada a cerca de um quilômetro do corpo principal, o que indica potencial adicional de expansão da base de recursos nas próximas atualizações.
Anunciada em setembro de 2025, a área apresentou interceptações de 48 metros com teor de 5,71% de TREO a partir de apenas dois metros de profundidade, resultado que reforça o potencial de expansão do depósito. A companhia prevê divulgar uma estimativa inaugural de recursos para essa nova frente no terceiro trimestre de 2026.
Para o executivo, a descoberta ocorre em um momento de reconfiguração das cadeias globais de suprimento de minerais críticos.
“Confirma Araxá como uma das mais promissoras oportunidades de desenvolvimento, em curto prazo, de terras raras e nióbio, em um momento em que o Ocidente, liderado pela Administração Trump nos Estados Unidos, está trabalhando ativamente para estabelecer novas e seguras cadeias de suprimento de minerais estratégicos críticos”, afirmou Prineas.
O modelo geológico tridimensional atualizado indica que a mineralização começa na superfície e se estende, em geral, até profundidades entre 120 e 160 metros. De acordo com a companhia, a totalidade dos recursos nos primeiros 120 metros está concentrada em material intemperizado, o que pode favorecer eventual lavra a céu aberto com custos mais baixos.















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