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Por Ricardo Lima
O avanço da complexidade geopolítica já precisa ser incorporado à avaliação econômica de projetos de mineração e às decisões de investimento, afirmou o CFO da Lundin Mining, Jean Silva Cintra, nesta segunda-feira (24), durante a Exposibram 2026. Segundo o executivo, quanto maior o risco associado a um projeto, maior tende a ser o impacto sobre sua avaliação econômica, o que torna a estabilidade política, econômica e tributária um fator relevante para viabilizar novos empreendimentos.
“Quanto mais estabilidade, melhor: política, econômica, tributária. Projetos com maiores riscos tendem a ser depreciados na avaliação econômica”, afirmou Cintra. Para ele, além do planejamento estratégico, as mineradoras precisam ampliar a gestão de riscos para considerar tanto fatores internos à operação quanto efeitos externos provocados pelo cenário geopolítico.
O executivo destacou que esse impacto pode ser particularmente relevante para projetos de minerais estratégicos, como o cobre. Na avaliação dele, as empresas precisam distinguir os fatores sobre os quais têm controle daqueles que vêm de fora da operação e, a partir disso, buscar alternativas para reduzir a exposição aos choques externos ao longo da cadeia de suprimentos.
Cintra citou como exemplo os custos de combustíveis e do nitrato de amônio, insumo utilizado no processo de desmonte de rochas. Segundo ele, a elevação ou a volatilidade desses custos pode ter impacto direto na operação. “É um impacto geopolítico, sim, mas fomos buscar uma solução com um outro tipo de explosivo que entrega uma produtividade melhor para compensar o dano interno”, disse.
Para o executivo, a gestão financeira também precisa considerar os efeitos da instabilidade sobre o capital de giro e os custos de manutenção de estoques e insumos. Esses fatores, afirmou, devem ser incorporados à gestão do negócio para garantir sua continuidade.
Cintra defendeu ainda que a segurança jurídica tenha papel central na criação de um ambiente capaz de atrair investimentos de longo prazo. “Se a juridicidade promover estabilidade, projetos podem ser viabilizados”, afirmou. Segundo ele, a combinação entre previsibilidade institucional e gestão dos riscos externos pode ser determinante para que novos projetos de mineração, especialmente em minerais estratégicos, avancem.
Organizada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), a EXPOSIBRAM 2026 acontece de 24 a 27 de agosto na Expominas, em Belo Horizonte (MG), e consolida-se como a maior edição da história do evento, marcando os 50 anos do IBRAM. Reunindo mais de 750 expositores e lideranças globais, o encontro integra feira de negócios, congresso internacional e rodadas comerciais para debater minerais críticos, transição energética, inovação e sustentabilidade, impulsionando o desenvolvimento responsável e competitivo da indústria mineral brasileira.





