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Por Ricardo Lima
A vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale, Graziela Parenti, afirmou nesta segunda-feira (24), durante a Exposibram 2026, que a mineração precisa se preparar para operar em um cenário de crescente volatilidade geopolítica sem perder de vista o horizonte de longo prazo característico do setor. Segundo ela, conflitos em torno da energia e a necessidade de diversificação das matrizes energéticas reforçam a importância dos minerais para a transição energética.
“A mineração é uma indústria de longo prazo. Não pode ficar à sombra da volatilidade completa, mas deve entender que o cenário está cada vez mais volátil”, disse Graziela, durante o talk show de abertura “Mineração e Geopolítica – Parte 1”. Para ela, a resposta das empresas passa por considerar toda a cadeia de valor, incluindo clientes e os impactos da transição energética sobre os negócios.
A executiva destacou que o Brasil parte de uma posição favorável nesse processo, principalmente pela matriz elétrica renovável e pela disponibilidade de minerais considerados críticos. “O Brasil está bem posicionado, com matriz elétrica renovável e minerais críticos de qualidade”, afirmou. Ela defendeu a combinação de políticas públicas, inovação e mecanismos capazes de transformar essas vantagens em investimentos e desenvolvimento para o país.

Segundo Parenti, a descarbonização deixou de ser uma tendência para se tornar um processo irreversível. Foto: Ibram / Divulgação.
Graziela também afirmou que a descarbonização deixou de ser uma tendência para se tornar um processo irreversível. Na avaliação dela, os conflitos geopolíticos em torno da energia tornam a transição uma alternativa para ampliar a diversificação energética e contribuir para cadeias de suprimentos mais resilientes.
Ao abordar os impactos ambientais da mineração, a executiva afirmou que o setor responde por uma parcela pequena das emissões globais, mas que a cadeia de valor representa cerca de 9% das emissões. Nesse cenário, ela apontou transparência e rastreabilidade como demandas que ganharão importância à medida que a descarbonização avançar. Também destacou a agenda de natureza, que, segundo ela, passou mais recentemente a ganhar espaço nas discussões do setor.
Na Vale, Graziela afirmou que a companhia atualmente protege uma área florestal 10% maior do que a área utilizada por suas operações. Para a executiva, o desafio do setor é transformar compromissos em ações. “Não precisamos mais de diagnóstico, mas estratégia, execução e olhar para lado, para as pessoas”, afirmou.
Organizada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), a EXPOSIBRAM 2026 acontece de 24 a 27 de agosto na Expominas, em Belo Horizonte (MG), e consolida-se como a maior edição da história do evento, marcando os 50 anos do IBRAM. Reunindo mais de 750 expositores e lideranças globais, o encontro integra feira de negócios, congresso internacional e rodadas comerciais para debater minerais críticos, transição energética, inovação e sustentabilidade, impulsionando o desenvolvimento responsável e competitivo da indústria mineral brasileira.





