Comente, compartilhe e deixe sua opinião nos comentários! Sua participação é essencial para enriquecer o debate
Por Ricardo Lima
O projeto Autazes, da Potássio do Brasil no Amazonas, prevê produzir 2,4 milhões de toneladas métricas de cloreto de potássio por ano, volume que pode reduzir em cerca de 20% a dependência brasileira de importações do insumo. Durante a Exposibram 2026, o presidente da empresa, Sergio Marcio de Freitas Leite, destacou que o empreendimento, desenvolvido há cerca de 17 anos e já com licença de instalação aprovada, busca ampliar a segurança de abastecimento de um mercado no qual o país ainda depende fortemente do exterior.
Segundo Freitas Leite, o Brasil importa entre 80% e 90% dos fertilizantes que utiliza e, especificamente no potássio, a dependência chega a 97%. O executivo afirmou que a concentração das compras externas aumenta a exposição da agricultura brasileira a riscos geopolíticos e logísticos. “Essa assimetria é preocupante. Ele nos expõe na cadeia de suprimento alimentar e nos expõe na cadeia de suprimentos de abastecimento”, disse.
Hidrovias ampliam vantagem logística
A estratégia logística do Autazes prevê o transporte fluvial a partir de um terminal em URUCURITUBA, localizado a cerca de 12 quilômetros do empreendimento. O projeto contempla duas rotas de escoamento, utilizando os rios Madeira, Amazonas e Tapajós, com conexão às rodovias BR-364 e BR-163 para alcançar diferentes regiões de Mato Grosso. Para o presidente da Potássio do Brasil, a estrutura permite aproximar uma importante reserva de potássio dos grandes centros consumidores de fertilizantes.

90% da produção projetada está contratada por meio de três acordos de offtake, disse Sérgio Leite.
A logística também já apresenta avanço comercial. De acordo com Freitas Leite, cerca de 90% da produção projetada está contratada por meio de três acordos de offtake, enquanto três empresas demonstraram interesse em atuar na modalidade BOOT para o terminal portuário. O executivo destacou ainda o potencial de utilização de fretes de retorno, com embarcações que levam grãos para a região amazônica podendo retornar carregadas com fertilizantes destinados ao Centro-Oeste.
Para Freitas Leite, a conexão hidroviária pode reduzir significativamente o tempo de chegada do fertilizante ao mercado consumidor. Atualmente, segundo ele, o insumo pode levar até 103 dias para chegar ao Centro-Oeste, chegando a 120 dias em períodos de pico. “Autazes responde ao mercado com três dias apenas”, afirmou. A diferença, segundo o executivo, evidencia o potencial competitivo do projeto ao combinar produção nacional e uma rota logística integrada.
O presidente também ressaltou que a necessidade de ampliar a oferta doméstica de fertilizantes tem aumentado o interesse de investidores e instituições de financiamento pelo empreendimento. Nesse cenário, a empresa avalia a possibilidade de conexão do Autazes ao Profert, programa de política pública voltado ao estímulo da produção e dos investimentos na cadeia de fertilizantes. Para Freitas Leite, o projeto pode se consolidar não apenas como fornecedor de potássio, mas como parte de um ecossistema que integra mineração, logística e agronegócio.












