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Por Ricardo Lima
A redução no número de grandes descobertas minerais coloca a indústria diante do desafio de ampliar a exploração de novas áreas e aprofundar o conhecimento sobre depósitos já conhecidos. Durante a EXPOSIBRAM 2026, especialistas defenderam que províncias minerais brasileiras consideradas maduras, como Carajás e o Quadrilátero Ferrífero, ainda apresentam potencial para novos investimentos e descobertas. O tema foi discutido no painel “Províncias minerais do Brasil: como impulsionar novos investimentos e descobertas”.
Segundo Roberto Xavier, diretor executivo da ADIMB, os investimentos globais em pesquisa mineral chegaram a US$ 12,4 bilhões em 2025, com ouro e cobre entre as principais commodities pesquisadas. Apesar do volume, o número de descobertas de depósitos de grande porte vem diminuindo. “O número de descobertas está diminuindo. O que temos é expansão de áreas onde depósitos já estão operados”, afirmou. Para Xavier, a tendência é especialmente relevante para o cobre, cuja oferta projetada até 2040 deverá depender principalmente da expansão de depósitos existentes, e não de novas descobertas de grande escala.
No Brasil, uma das fronteiras está justamente nas áreas ainda pouco conhecidas ou localizadas sob coberturas e em grandes profundidades. Juliano Ferreira, Exploration & Business Development General Manager da Nexa Resources, afirmou que ainda há espaço para ampliar o conhecimento geológico de Carajás por meio de métodos de maior resolução. “Quando falamos de conhecimento geológico, ainda há muito a ser feito em Carajás”, disse. Ele apontou, porém, que a exploração de depósitos mais profundos exige tecnologias geofísicas e geoquímicas específicas e maior volume de investimentos. A disponibilidade de áreas e a dificuldade de atrair profissionais, especialmente geólogos de campo, também foram citadas como barreiras.
A necessidade de aprofundar o conhecimento não significa que as províncias maduras tenham perdido sua capacidade de gerar projetos. Para Eduardo Luis de Oliveira, Gerente Corporativo de geologia da Ero Copper, Carajás possui uma base histórica de conhecimento que remonta aos primeiros mapas elaborados na década de 1960 e posteriormente atualizados pelo SGB. “O atual estágio de desenvolvimento não é uma restrição para novos projetos, a indústria deve investir e pesquisar”, afirmou.
Já no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, os obstáculos estão relacionados também à ocupação do território. A professora Lydia Maria Lobato, titular do departamento de Geologia da UFMG, citou a urbanização como uma das principais barreiras à exploração na região. A pesquisadora também apontou a presença de garimpeiros em áreas de empresas consolidadas e alertou para a apropriação de áreas de províncias minerais pelo crime organizado. Para ela, esses fatores precisam ser considerados mesmo quando ocorrem de forma localizada.
A ampliação do conhecimento geológico e a combinação entre novas tecnologias e trabalho de campo foram apontadas como caminhos para aumentar a capacidade de descoberta. Xavier destacou que cerca de 40% da cobertura geológica brasileira está na escala de 1:100 mil e que empresas utilizam dados públicos do SGB, como levantamentos geofísicos e mapeamentos, para orientar a exploração. O SGB também mantém campanhas de aerogeofísica de alta resolução. Guilherme Ferreira da Silva, chefe da Divisão de Geologia Econômica do órgão, resumiu o papel dessa base de conhecimento na cadeia de exploração: “O mapeamento na escala apropriada ajuda a definir os limites. Alvos podem virar depósitos que podem virar minas.” Para Xavier, o avanço também dependerá de profissionais capazes de combinar ferramentas digitais e conhecimento de campo. “O profissional híbrido, que integra tecnologias como IA e trabalho de campo, é o que vai liderar novas descobertas”, afirmou.





