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Por Redação
A Nexa Resources registrou lucro líquido de US$ 98 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o resultado de US$ 13 milhões obtido no mesmo período do ano passado. O EBITDA ajustado alcançou US$ 286 milhões, alta de 78% na comparação anual, enquanto a receita líquida somou US$ 908 milhões, crescimento de 28% em relação ao segundo trimestre de 2025.
O desempenho foi impulsionado pela combinação de preços mais elevados do zinco, maior contribuição dos subprodutos, aumento da participação de concentrado produzido pelas próprias minas da empresa na alimentação dos smelters e redução dos custos operacionais. A recuperação das operações no Peru também favoreceu o segmento de mineração, com crescimento de 11% no volume de minério tratado frente ao trimestre anterior.
Segundo a companhia, o guidance para 2026 foi mantido, incluindo projeções para produção, vendas de smelters, custos, investimentos (CAPEX) e despesas com exploração e desenvolvimento de projetos.
Marcos operacionais reforçam estratégia de integração
O trimestre também foi marcado por avanços operacionais considerados estratégicos pela empresa. Em Aripuanã (MT), foi concluído o comissionamento do quarto filtro de rejeitos, que encerrou junho operando com utilização média de 86% da capacidade.
Já na mina peruana de Cerro Lindo, a companhia iniciou a operação por meio do método de block caving, utilizado pela primeira vez em seus ativos. A expectativa é reduzir custos unitários, ampliar o acesso a áreas com maior teor de cobre e aumentar os padrões de segurança operacional.
Na unidade metalúrgica de Cajamarquilla, no Peru, as operações retornaram à normalidade em junho após o incêndio registrado em maio. Apesar da paralisação temporária da fundição, a produção de cátodos de zinco foi mantida durante o período de recuperação.
Outro fator que deverá fortalecer a geração de caixa é a redução da parcela da produção comprometida pelo contrato de silver streaming da mina Cerro Lindo, que passou de 65% para 25% a partir de maio.
Mercado segue desafiador para smelters
Ao comentar os resultados, o presidente da Nexa, Ignacio Rosado, afirmou que o mercado internacional de concentrado de zinco continua restrito, com taxas de tratamento (TCs) em níveis negativos na China.
“As mesmas condições que pressionam os smelters dependentes de concentrados de terceiros favorecem nosso segmento de mineração, enquanto nosso abastecimento próprio e os créditos de subprodutos suavizam o impacto sobre o restante do negócio. Nossas minas forneceram 54% da alimentação dos smelters no trimestre. Esse é o valor, ao longo do ciclo, de um portfólio integrado”, disse.
Produção cresce nas minas, mas metalurgia sente impacto de incêndio
Na mineração, a produção de zinco alcançou 79 mil toneladas, avanço de 8% sobre igual período do ano anterior. A produção de chumbo somou 15 mil toneladas, alta de 2%, enquanto a de prata atingiu 2,7 milhões de onças, crescimento de 17% frente ao trimestre imediatamente anterior, impulsionado pela retomada das operações peruanas.
A produção de cobre, por outro lado, recuou 31% na comparação anual, refletindo menores teores de minério em Cerro Lindo e Aripuanã.
No segmento de smelters, a produção de zinco metálico e óxido caiu 10% na comparação anual, para 125 mil toneladas. As vendas totalizaram 134 mil toneladas, retração de 7%, resultado influenciado principalmente pela paralisação temporária da unidade de Cajamarquilla.
Investimentos aumentam e alavancagem recua
Os investimentos da companhia totalizaram US$ 89 milhões no trimestre, alta de 24% em relação ao trimestre anterior. Os recursos foram direcionados principalmente ao desenvolvimento de minas, estruturas de disposição de rejeitos e ao Projeto de Integração Cerro Pasco.
A alavancagem financeira continuou em trajetória de queda. A relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado dos últimos 12 meses caiu para 1,40 vez, ante 1,59 vez no primeiro trimestre e 2,28 vezes no mesmo período do ano passado.
Projeto Cerro Pasco terá investimento maior
A Nexa informou que revisou o orçamento do Projeto de Integração Cerro Pasco, elevando o investimento estimado de US$ 138 milhões para US$ 180 milhões.
De acordo com a companhia, a atualização decorre da revisão do plano de longo prazo da mina de Atacocha, favorecida pelo cenário mais positivo para os preços dos metais, além da inclusão de melhorias ambientais, como revestimentos com geomembrana nas estruturas de armazenamento.
Apesar da revisão do investimento total, o guidance de CAPEX para 2026 permanece inalterado. O desembolso adicional será distribuído entre 2027 e os anos seguintes.
Negociação societária segue sem definição
Em julho, Votorantim e Boliden confirmaram que mantêm negociações sobre uma eventual aquisição da participação controladora da Votorantim na Nexa.
Segundo a empresa, ainda não há definição sobre a concretização da operação, seus termos ou eventual cronograma.
Rosado afirmou que o foco da companhia permanece na operação dos ativos no Brasil e no Peru.
“Nossa responsabilidade permanece inalterada: operar nossos ativos no Brasil e no Peru de acordo com os mais elevados padrões, priorizando segurança, excelência operacional, sustentabilidade, inovação e produção responsável, ao mesmo tempo em que asseguramos a preservação de valor no longo prazo para nossos acionistas. É isso que nossos resultados deste trimestre refletem e é o que continuaremos buscando no segundo semestre do ano”, afirmou.
ESG, inovação e governança
Durante o trimestre, a Nexa também reportou avanços em iniciativas de segurança operacional, inovação e sustentabilidade.
Entre as medidas anunciadas estão o reforço dos controles após incêndios registrados em unidades metalúrgicas, ampliação do uso de inteligência artificial para otimização de processos industriais, projetos de economia circular para reaproveitamento de resíduos e fortalecimento do relacionamento com comunidades no Brasil e no Peru.
Na área de governança, a empresa informou que manteve a classificação de grau de investimento pela S&P Global Ratings até junho. Em julho, a agência colocou o rating da companhia em observação (CreditWatch) com implicações negativas, em razão das negociações envolvendo uma possível mudança de controle acionário. Segundo a agência, a decisão não está relacionada ao desempenho operacional ou financeiro da mineradora.













