Por Redação
Imagine descer alguns metros por uma antiga galeria de mineração e, em vez de encontrar apenas pedras e equipamentos de garimpo, dar de cara com mesas de madeira, barris de vinho e um restaurante. É justamente essa experiência que Ametista do Sul, no noroeste do Rio Grande do Sul, transformou em atração turística. Informações segundo o portal Olhar Digital.
Conhecida pela produção de ametistas, a cidade reaproveitou parte das antigas minas para criar experiências que misturam gastronomia, enoturismo, história e aventura. As galerias que um dia serviram para retirar pedras do subsolo agora também recebem visitantes interessados em conhecer como funcionava — e como ainda funciona — o garimpo na região.
A transformação não apagou a história da mineração. Pelo contrário: é justamente ela que conduz os passeios.
De onde veio a ideia de transformar minas em atrações?
A ametista está no centro da identidade de Ametista do Sul. Encontrada em grandes geodos e galerias subterrâneas, a pedra ajudou a colocar o município no mapa da mineração e movimenta a economia local por meio da venda de minerais, joias e peças de artesanato.
Com o tempo, antigas áreas de extração passaram a ganhar novas funções. Segundo informações divulgadas pelo Governo do Rio Grande do Sul e pela Prefeitura de Ametista do Sul, o turismo subterrâneo se tornou uma das formas de apresentar aos visitantes a relação da cidade com a mineração.
Algumas galerias chegam a dezenas de metros de profundidade. Parte desse espaço foi adaptada para receber turistas, criando uma experiência incomum: conhecer a cidade literalmente debaixo da terra.
A própria paisagem urbana já dá pistas dessa relação com a pedra. A Igreja Matriz, revestida com minerais, e o tradicional comércio de pedras ajudam a mostrar como a ametista ultrapassou os limites das minas e passou a fazer parte do cotidiano do município.
Onde é possível almoçar dentro de uma antiga mina?
Entre as experiências mais curiosas estão os restaurantes instalados em áreas que já tiveram atividade de mineração.
O Restaurante Garimpo, por exemplo, serve refeições dentro de uma galeria de mina desativada. A decoração aproveita elementos ligados ao garimpo, criando um ambiente em que o visitante pode fazer uma pausa para o almoço enquanto observa marcas da antiga atividade de extração.
Outra opção é o Belvedere Mina, que reúne diferentes atrações no mesmo complexo, incluindo restaurante, hospedagem e áreas de garimpo.
Já o Ametista Parque Museu combina museu de minerais, passeio por antigas minas, restaurante e experiências relacionadas ao vinho e à mineração.
A proposta é simples, mas pouco comum: transformar um lugar originalmente associado ao trabalho pesado da mineração em espaço de convivência e turismo, sem esconder sua função original.
Três maneiras de conhecer o subsolo de Ametista do Sul
Para quem visita a cidade, há diferentes formas de explorar as antigas galerias.
🍽️ Almoço dentro da mina
No Restaurante Garimpo, a refeição é servida em uma galeria de antigo garimpo. A ambientação mantém referências à mineração e transforma o almoço em parte do passeio.
🍷 Vinho envelhecido no subsolo
A Vinícola Ametista utiliza galerias subterrâneas como espaço para o envelhecimento de seus vinhos. O ambiente mais estável do subsolo é incorporado ao processo e também faz parte da visita turística.
⛏️ Garimpo em atividade
Para quem prefere acompanhar a mineração de perto, o Garimpo em Atividade apresenta o processo de extração da ametista e inclui uma trilha pela mata nativa. É uma oportunidade de observar uma atividade que continua fazendo parte da economia local.
Por que o vinho é envelhecido dentro de uma mina?
A ideia pode parecer estranha à primeira vista, mas existe uma razão para levar as garrafas para o subsolo.
Nas galerias utilizadas pela Vinícola Ametista, as condições ambientais são mais estáveis do que na superfície, criando um cenário adequado para o armazenamento e o envelhecimento das bebidas.
A experiência, porém, vai além da degustação. O visitante pode conhecer a cave subterrânea e observar como um espaço originalmente aberto para a retirada de pedras ganhou uma função completamente diferente.
Em outros pontos turísticos da cidade, as galerias também abrigam minerais de grandes dimensões, lojas de artesanato e outras atrações ligadas à cultura da mineração.
E quem quiser ver a mineração de perto?
Também existe essa possibilidade.
O roteiro do Garimpo em Atividade leva os visitantes a áreas onde a extração da ametista ainda pode ser observada. O passeio inclui uma caminhada pela mata nativa antes de chegar às áreas relacionadas à mineração.
É uma experiência diferente da visita às galerias adaptadas para o turismo: em vez de apenas conhecer o resultado da atividade mineradora, o visitante entra em contato com o trabalho que continua movimentando a cidade.
Por isso, Ametista do Sul consegue reunir, no mesmo roteiro, dois momentos distintos da mineração: as antigas galerias, agora transformadas em espaços turísticos, e os garimpos que continuam em funcionamento.
Uma cidade turística debaixo da terra
Ametista do Sul encontrou uma maneira peculiar de contar a própria história. Em vez de transformar as antigas minas em espaços esquecidos, parte delas ganhou uma segunda vida.
Hoje, o mesmo subsolo que já foi explorado em busca de pedras preciosas também recebe turistas para almoços, degustações, trilhas e visitas guiadas.
É uma combinação que ajuda a explicar por que o destino chama atenção de quem procura experiências diferentes: em Ametista do Sul, não é preciso apenas olhar para as montanhas ou para as ruas para conhecer a história da cidade.
É preciso descer.
E, alguns metros abaixo da superfície, a antiga mineração aparece com uma nova função — agora como cenário para comer, beber, explorar e entender como a ametista ajudou a transformar uma pequena cidade do Rio Grande do Sul.
















