Por Redação
Um estudo independente sobre logística rodoviária reforçou a viabilidade do projeto de bauxita Amargosa, da Alurion Resources, na Bahia, e indicou que a estrutura viária existente poderá suportar volumes de transporte de até 11,5 milhões de toneladas úmidas por ano (Mtpa). O volume é o dobro da capacidade considerada no estudo conceitual do projeto, de 5,75 Mtpa.
Realizado pela consultoria especializada em engenharia de transportes Engimind, o levantamento avaliou a capacidade da rede rodoviária utilizada para levar a produção das áreas de mineração até o Porto de Enseada, além de analisar uma alternativa de conexão ao futuro corredor ferroviário FIOL–Porto Sul.
Segundo o estudo, não foram identificadas restrições de capacidade nas rodovias para nenhum dos três cenários analisados: 5,75 Mtpa, 8,6 Mtpa e 11,5 Mtpa. Também foram considerados os níveis de serviço das vias, o crescimento projetado do tráfego, a operação da frota e o funcionamento dos terminais de carregamento.
A estratégia-base da Amargosa continua sendo o transporte rodoviário direto até o Porto de Enseada. As rotas previstas utilizam principalmente a BR-101, em distâncias aproximadas de 160 quilômetros entre o Distrito Norte e o porto e de 220 quilômetros entre o Distrito Central e a instalação portuária.
Mesmo com a expansão dos volumes, a participação dos caminhões da Alurion no tráfego total das rodovias deverá permanecer relativamente baixa. No cenário de 5,75 Mtpa, a empresa estima que os veículos do projeto representem menos de 1% do fluxo total. No cenário de 11,5 Mtpa, essa participação chegaria a aproximadamente 1,6%.
O estudo também definiu parâmetros preliminares para a operação da frota. A Engimind identificou como configuração preferencial caminhões de sete eixos, com peso bruto combinado de 59 toneladas. Os dados deverão servir de base para o dimensionamento da frota e para as estimativas de custos operacionais na próxima etapa de estudos do projeto.
A logística entre a mina e o porto deverá envolver, além da frota, a implantação de terminais de carregamento nos distritos produtores e melhorias pontuais nas vias de acesso. A seleção dos locais para os terminais está em andamento, e os investimentos necessários serão atualizados no estudo de viabilidade.
Porto de Enseada pode ampliar capacidade de exportação
Paralelamente aos estudos de transporte, a Alurion trabalha com o operador do Porto de Enseada para avaliar alternativas de expansão da capacidade de exportação. A empresa conduz estudos de engenharia que consideram a interface com o transporte rodoviário, o armazenamento de minério, o atendimento portuário e o transbordo offshore.

Rota até o porto. Foto: Divulgação.
Os resultados dos estudos portuários serão incorporados ao estudo de pré-viabilidade (PFS), juntamente com os dados de transporte rodoviário. A intenção é verificar se volumes maiores de produção e uma expansão modular do porto podem melhorar a economia do projeto e justificar os investimentos adicionais.
O estudo conceitual da Amargosa considera inicialmente a exportação de 5 milhões de toneladas anuais de bauxita em base seca, equivalente a 5,75 milhões de toneladas úmidas no cenário logístico. Agora, a companhia avalia configurações que poderiam elevar a capacidade de Enseada para até 13,5 milhões de toneladas úmidas por ano.
Para o CEO da Alurion Resources, Maurício Noronha, o estudo independente dá maior segurança às premissas logísticas adotadas no desenvolvimento da Amargosa.
“O estudo fornece uma validação independente das premissas de capacidade rodoviária utilizadas no planejamento da Amargosa. Ele dá ao PFS uma rota e uma configuração de frota definidas, sem restrições de capacidade rodoviária modeladas em nenhum dos três cenários avaliados”, afirmou.
Segundo o executivo, a prioridade continua sendo o transporte rodoviário até Enseada, enquanto volumes maiores e a expansão da capacidade portuária serão avaliados durante o PFS.
FIOL e Porto Sul podem abrir alternativa de expansão
O levantamento também analisou uma segunda alternativa logística, conectando o Distrito Central da Amargosa a um futuro ponto de carregamento da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL).
A ligação rodoviária estudada tem aproximadamente 86 quilômetros e poderia permitir que o projeto utilizasse a infraestrutura ferroviária sem a necessidade de construir o ramal dedicado de cerca de 40 quilômetros previsto anteriormente no estudo conceitual.
A alternativa, no entanto, depende da retomada e conclusão das obras da FIOL e da implantação do sistema ferroviário e portuário associado ao Porto Sul. O projeto também dependerá da obtenção de acesso comercial à infraestrutura.
A FIOL e o Porto Sul representam uma possibilidade de expansão de longo prazo para a Amargosa. As capacidades indicativas consideradas para as duas estruturas são de aproximadamente 60 Mtpa para a ferrovia e 40 Mtpa para o Porto Sul, o que poderia permitir o desenvolvimento de uma operação de maior escala e o aproveitamento de uma parcela maior dos recursos de bauxita beneficiável da companhia.
Apesar desse potencial, a Alurion mantém o corredor rodoviário até Enseada como sua rota-base, permitindo que o desenvolvimento inicial do projeto avance de forma independente da implantação da infraestrutura ferroviária e portuária do sul da Bahia.
PFS segue previsto para 2027
Os resultados do estudo de transporte serão incorporados ao planejamento de mina, ao cronograma de produção e às avaliações comerciais do estudo de pré-viabilidade da Amargosa.
O PFS também contará com informações provenientes de programas de sondagem, abertura de trincheiras e estudos geológicos e metalúrgicos. Esses trabalhos estão previstos para começar no quarto trimestre de 2026.
A Alurion mantém a previsão de concluir o estudo de pré-viabilidade da Amargosa em meados de 2027. O estudo logístico rodoviário é o primeiro dos principais programas do PFS a ser concluído e estabelece as premissas de rota, capacidade e frota que serão utilizadas nas próximas etapas de avaliação do projeto.















