Comente, compartilhe e deixe sua opinião nos comentários! Sua participação é essencial para enriquecer o debate
Por Ricardo Lima
A escalada das tensões geopolíticas e seus efeitos sobre as cadeias globais de suprimentos colocam a segurança alimentar entre os principais desafios para o setor mineral, afirmou Henrique Oliveira, diretor sênior de projetos estratégicos da Mosaic, durante painel sobre as principais tendências do mercado de commodities minerais na Exposibram 2026, nesta terça-feira (25). Segundo ele, a disponibilidade e o preço do enxofre, insumo essencial à produção de fertilizantes fosfatados, podem afetar os custos dos alimentos e a atividade agrícola.
“O nosso principal foco é a segurança alimentar”, afirmou Oliveira. O executivo destacou que o conflito no Leste Europeu e a instabilidade no Estreito de Ormuz agravaram as dificuldades da cadeia de fertilizantes e levaram empresas a rever estratégias de abastecimento. Como o Brasil não é um grande produtor de enxofre, a Mosaic busca diversificar fornecedores e desenvolver soluções alternativas. “Estamos procurando inovação e até soluções disruptivas para os nossos produtos”, disse.

Henrique Oliveira. Foto: Ibram / Divulgação.
A estratégia também envolve ampliar o aproveitamento mineral. Oliveira afirmou que a empresa avalia formas de extrair materiais de maior valor, incluindo coprodutos associados às operações. Como exemplo, citou o nióbio associado ao fosfato em operações da CMOC, combinação que, segundo ele, contribuiu para a sustentabilidade econômica do negócio. O movimento ocorre em um cenário de aumento da demanda por alimentos e, simultaneamente, por minerais ligados à transição energética.
Para Paul Mitchell, líder global de mineração e metais da EY, o momento é favorável para a mineração, apesar dos riscos geopolíticos. “O timing para a mineração é extremamente bom”, afirmou. Ele destacou que a expansão da inteligência artificial e da eletrificação deve sustentar a demanda não apenas por cobre, mas também por minério de ferro e aço, enquanto o aumento da complexidade operacional e dos custos exige novas formas de gestão. Sobre a inteligência artificial, Mitchell avaliou que a tecnologia não deve necessariamente eliminar grande quantidade de empregos no setor, mas ampliar as capacidades existentes e melhorar a tomada de decisões.
Na avaliação de Sebastián Gatica, consultor sênior da CRU Group no Chile, inflação de custos, qualidade dos projetos e coordenação são riscos relevantes para o setor. No caso do cobre, ele apontou um mercado particularmente concentrado e destacou a necessidade de segurança política, estabilidade, licenciamento social e conformidade para viabilizar novos investimentos. “Capital está disponível, mas para aqueles que provarem que têm as melhores condições”, afirmou.
Gatica também alertou que a abundância de recursos naturais, por si só, não garante competitividade. Para ele, países latino-americanos precisam avançar em infraestrutura e criar condições para transformar suas reservas minerais em projetos competitivos. “A verdadeira questão é: a América Latina pode melhorar as condições que destravam a competitividade?”, questionou.





