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Por Redação
O cobre atingiu na segunda-feira (7) o maior preço de sua história na Bolsa de Metais de Londres (LME), chegando a US$ 14.533 por tonelada nos contratos futuros de referência para três meses. A valorização ocorre em meio à expectativa de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, amplie as tarifas sobre as importações de cobre refinado. Informações segundo a Bloomberg Línea.
O preço chegou a subir 0,8% antes de recuar parcialmente. A cotação acumula alta de 17% em 2026 e de 47% nos últimos 12 meses, em um cenário marcado por preocupações de longo prazo com a capacidade da oferta global de acompanhar o crescimento da demanda.
Tarifas alteram fluxo do metal
Além do desequilíbrio estrutural entre oferta e demanda, o mercado passou a reagir à movimentação de grandes volumes de cobre em direção aos Estados Unidos. Traders enviaram centenas de milhares de toneladas ao país para aproveitar os preços mais elevados no mercado norte-americano, reduzindo a disponibilidade em outras regiões.
A possibilidade de novas tarifas sobre o cobre primário continua sendo precificada pelos investidores. O Departamento de Comércio dos Estados Unidos deveria ter apresentado à Casa Branca, há cerca de dois meses, um relatório sobre a necessidade de adoção das medidas.
Embora os estoques globais permaneçam relativamente elevados, uma parcela significativa do metal está concentrada nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, os estoques disponíveis na rede global da LME diminuíram, reduzindo a oferta no curto prazo e pressionando posições vendidas.
“Isso é impulsionado mais pela realocação do metal devido às tarifas do que pelo excesso de demanda final”, afirmou Cristián Cifuentes, analista sênior do Cesco, centro de estudos da indústria de cobre do Chile. “Trata-se de uma escassez localizada, e não de um excedente de demanda global.”
Demanda estrutural sustenta valorização
A alta também reflete uma preocupação de longo prazo com a oferta. Grandes minas de cobre estão envelhecendo e enfrentam dificuldades para aumentar a produção no ritmo necessário para atender ao consumo associado à expansão dos data centers, das fontes de energia renovável e das redes elétricas.
No curto prazo, porém, os efeitos da disputa comercial têm ganhado maior relevância. O fluxo de cobre para os Estados Unidos foi favorecido pelo prêmio persistente dos contratos negociados na Comex, em Nova York, criando oportunidades de arbitragem para os operadores.
A movimentação contribuiu para reduzir os estoques disponíveis na LME. No mês passado, as reservas chegaram a níveis criticamente baixos e provocaram uma forte escassez no mercado. Novas entregas aliviaram parte da pressão, mas os contratos à vista continuam sendo negociados acima dos futuros de três meses, em um movimento conhecido como backwardation.
A condição costuma indicar maior aperto entre oferta e demanda no curto prazo.
Mineradoras se beneficiam
A valorização do cobre favorece as maiores mineradoras do mundo, que vêm ampliando o interesse pelo metal diante da expectativa de crescimento prolongado da demanda.
Rio Tinto, BHP, Glencore e Zijin Mining Group registraram fortes aumentos nos lucros em seus últimos resultados financeiros, impulsionados pelo desempenho das operações de cobre.
Ao mesmo tempo, o setor enfrenta dificuldades para expandir a produção. Dados divulgados nesta segunda-feira mostraram que a receita de exportação de cobre do Chile, maior produtor mundial, caiu em agosto para o menor nível em mais de um ano.
Caso a produção não se recupere no segundo semestre, a oferta global de cobre extraído poderá registrar seu primeiro declínio anual desde 2017.
A perspectiva de crescimento da demanda combinada aos desafios de produção deve manter o mercado pressionado. “Deverá resultar em um equilíbrio de mercado mais restrito no futuro, favorecendo preços mais elevados”, escreveu Michael Cuoco, diretor de metais da StoneX Financial Inc.











